Se Portugal Fosse a Espanha…

Este senhor não estaria acusado de incitamento ao separatismo? Mas, afinal, ele não queria dizer o que disse. É o diz que disse. E Portugal é o sítio certo para gente equivocada com as palavras. Em Espanha quer-me parecer que tratam estes assuntos de forma diferente.

Mais rápido do que a velocidade da luz II

Já aqui escrevi dizendo que nada sabia escrever sobre este assunto. E, na verdade, não sei.

Mas sinto que não estou sozinho na ignorância e, apesar de não ser especialista, parece-me que até os mais sábios sobre o assunto estão em situação semelhante à minha (salvo seja, os seus conhecimentos são, pese a sua atual estupefação, maiores). Como tantos, apercebi-me num primeiro momento de que, se comprovada esta notícia, edifícios inteiros da Física Contemporânea, erigidos sobre o pressuposto de que nada no universo ultrapassa a velocidade da luz, ruiriam, seriam postos em causa ou, no mínimo, mostrar-se-iam clamorosamente incompletos.

Os cientistas, pelo que leio, mostram-se ainda relutantes ou aturdidos. Imagino que, como em ciência se exige, medições atrás de medições serão feitas até se confirmarem ou negarem os resultados, ainda que o porta voz da experiência Ópera, Antonio Ereditato, afirme

que os resultados agora do projecto OPERA para os neutrinos têm “baixa incerteza sistemática e elevada precisão estatística”

Imaginemos portanto, por um instante apenas, que a experiência se confirma.

Nesse caso não se terá necessariamente de afirmar que não restará pedra sobre pedra de um dos pilares da física moderna, como chega a afirmar um dos maiores físicos portugueses e pensamos, provavelmente, muitos de nós

Isto representaria, como diz Carlos Fiolhais, “derrubar uma coluna” essencial da física

Poderá, como diz Pierre Binetruy, director do Laboratório de Astropartículas e Cosmologia em Paris,

 significar que a teoria de Einstein “é válida em alguns domínios mas que existe uma teoria ainda mais global”

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Porto-Benfica: sempre o árbitro

É mais fácil adivinhar os comentários de um treinador do que prever o tempo que vai fazer daqui a meia hora: basta que as coisas corram mal e o árbitro será sempre responsável. O treinador do Futebol Clube do Porto, evitando qualquer originalidade, deixou escapar a ideia número 23 do catálogo das vulgaridades futebolesas e que se pode resumir mais ou menos assim: “Não empatámos por causa da arbitragem, mas houve um erro do árbitro que nos prejudicou”. Na primeira parte da afirmação, deixa escapar uma ilusão de desportivismo, para, logo a seguir, culpar o bode respiratório do costume.

Deixem-me explicar como vai ser o campeonato: os árbitros vão errar e, no fim, vai ganhar a equipa mais regular, que, normalmente, é o Porto. Mais: todas as outras equipas, especialmente a que ficar em segundo lugar, vão afirmar que o campeão foi levado ao colo. Lá para Junho, ainda me vão dizer que sou o novo Zandinga.

Serviços Humorísticos

Os Serviços de Informações portugueses são umas construções que parecem ter sido feitas para divertir o pessoal, por outro lado, se os levarmos a sério, ficamos absolutamente aterrorizados. Por isso prefiro não os levar a sério.

Fazendo uma investigação on-line facilmente se encontram dezenas de casos de fugas de informação, algumas destas fugas têm claramente objectivos políticos, outras parecem perseguir objectivos meramente pessoais.

Mas não nos ficamos pelas fugas, nos nossos serviços de informações há de tudo!

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Teresa Guilherme é directora do JN

A manchete do JN de hoje, dedicada ao comportamento censurável de um médico, é a prova de que Teresa Guilherme assumiu a direcção do jornal, transformado agora numa filial da “Casa dos Segredos”. Não me espantaria que o próximo editorial fosse intitulado “Isso agora não interessa nada”, com a nova directora a explicar de que modo o estômago prescinde da ética, mostrando que um vício privado é mais importante do que qualquer outro assunto.

A ser verdade, o conteúdo da notícia refere-se, evidentemente, a factos graves, mas daí a considerá-lo digno de chamada à primeira página vai a distância entre um tablóide e um jornal. O Correio da Manhã que se cuide.

No público não vale tudo mas no privado é um negócio

O Público conta-nos hoje que alguns alunos do ensino recorrente (por módulos capitalizáveis) entraram em Medicina, e faz disso quase um escândalo. Antes de as Novas Oportunidades terem chegado trabalhei no recorrente durante três anos. É um modelo que facilita a vida a adultos trabalhadores-estudantes (e assim deve ser) mas sem comparação com os EFA’s que o substituíram: os programas são os mesmos do ensino diurno, e na prática apenas se permite que cada módulo (correspondente a cada período) seja feito por exame. Ao contrário do que ali se escreve é impossível fazer o secundário num ano, e os exames são tão válidos como os nacionais.

A bem dizer pensava que esta modalidade estava extinta, assassinada pelas Novas Oportunidades, embora na altura tenha estranhado o aparecimento de aúnuncios de abertura destes cursos no ensino privado.

E esse é o escândalo que agora se revela. Parece que médias de 20 por aqueles lados vão nascendo, já que tal como no ensino regular um tolinho qualquer deu a estas escolas autonomia para a realização de exames. Não sei se estão a ver o filme: sou cliente de uma empresa que me examina. Em última análise se a coisa não correr bem posso pedir o livro de reclamações (estou a exagerar, mas a lógica é essa).
Quando agora lemos isto: [Read more…]

Cavaco poupado nas preposições e despesista nas redundâncias

Em visita aos Açores, de passagem pela Ilha do Corvo, Cavaco Silva declarou, referindo-se à pista do aeródromo: “Sinto que a pista é a melhor que aquela que eu aterrei há vinte anos atrás.” Ao princípio, ainda pensei que o terror sentido pelas pistas de aterragem seria um estranho fenómeno açoriano comparável ao sorriso das vacas. Depois de alguma investigação, fiquei a saber que há instruções na Casa Civil da Presidência para poupar nas preposições, o que explica que o Presidente não tenha dito “aquela em que eu aterrei”. Futuramente, Cavaco passará a dizer à mulher “Vou mercearia comprar fruta nossos netinhos.”, o que lhe permitirá poupar milhares de milhões de preposições até ao final do mandato.

Estranhamente, o Presidente não conseguiu evitar algum despesismo nas redundâncias, ao usar um “eu” dispensável e ao insistir na expressão pleonástica “há vinte anos atrás”, o que se pode explicar pelo pendor excessivamente didáctico de Cavaco.

Entretanto, comentando esta situação, uma fonte ligada à candidatura de Manuel Alegre terá afirmado que não sabe se “Cavaco será o Presidente de todos os portugueses, mas não é, com certeza, o Presidente do Português.”

Pais e filhos – Um rascunho

Pais e Filhos

 Parece-me impossível falar de pais e filhos sem acrescentar o complemento do sujeito um rascunho. Infelizmente nas línguas latinas, as palavras têm género ou subentendidos. Género, por existirem palavras masculinas e femininas que definem a relação. Bem como plural e singular, porque se falarmos de pai, falamos do género masculino, enquanto pais abrange aos dois géneros. O filho é o rascunho do pai, por outras palavras, a cópia do que a paternidade do bebé rapaz seria se tem um pai disciplinado e ordeiro. Diferente a maternidade e a filha.
No entanto, no género feminino a maternidade é mais ampla que o de paternidade: abrange filhos e filhas, por serem as mães as que suportam o peso da criança que tem sido engendrada, os amamenta, toma conta deles durante os seus primeiros anos da sua vida, ensinam a andar e até têm licença no seu trabalho para ficar com os bebés, até eles aprenderem a andar, comer sem apoio, serem limpos e mudados para estarem limpos e não ferir a pele do seu corpo com humores azedos, que ferem.
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Governo vai eliminar 50 mil funcionários

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Só falta conhecer o método de execução. Parece que no Texas os condenados já não têm direito a última refeição, e cá? Com um título destes, não percebo como falharam estas informações.

Associação de Extorquidos* Para Pagar Cenas

Li hoje no Público sobre uma tal Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Tive que ler duas vezes mas percebi.

Esta inesperada Associação deu-me uma ideia: acho que vou também criar uma associação.

Associação de Extorquidos* Para Pagar Cenas

Estatutos

1. Admissão de novos sócios: feita pelo acto de berrar ao nascer, sendo essa a forma de manifestar vontade de aderir à AEPPC.

2. Deixa de ser sócio quem, querendo, preencha um dos seguintes requisitos:
2.1 atingir a idade de 99 anos depois da idade adulta;
2.2 ou seja capaz lamber o seu próprio cotovelo.

nota: o ponto 2.2 não se aplica aos vivos.

3. Todos os bens do sócio poderão ser-lhe temporariamente retirados, passando a pertencer ao Estado.

nota: o sócio pode pedir os seus bens de volta se optar por cancelar a sua inscrição nesta associação, o que terá de ser feito nos termos do ponto 2.

* chamam-lhes Contribuintes, como se fossem os próprios a quererem, de livre vontade, ver-se livres dos seus rendimentos

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