Mulher doa rim aos mercados

Despedida por faltar ao trabalho para doar rim a filho

A ser verdade esta notícia (porque verosímil é, com certeza), confirmamos que não há conquistas asseguradas. No mesmo mundo ocidental que comemora o Primeiro de Maio, a regressão contínua e frequente dos direitos dos trabalhadores é um facto lamentável e nada lamentado por um patronato em roda livre, apoiado em políticos encandeados com o brilho dos mercados e de um capitalismo que não é mais do que a suspensão de qualquer resquício de humanidade, uma lei da selva com aroma a perfumes caros.

Uma mãe que dá, pela segunda vez, vida a um filho é, para estes yuppies (ana)crónicos, um anacronismo que deve ser varrido. Nem será de admirar que os lusos seguidores desta seita de um capitalismo de rosto inumano venham a exigir aos assalariados a doação de órgãos, porque parece estar cada vez mais perto o dia em que já não será possível retirar-lhes direitos ou cortar-lhes salários.

Fernanda Policarpo em Avenida à Rasca 193

fernanda policarpo

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Quando menos por menos não dá mais

Santana Castilho *

Em Álgebra, menos por menos dá mais. Mas o sistema educativo não se gere com as leis algébricas. Fazer mais com menos, como pede o ministro, supunha saber. E ele não sabe. Sou precoce na sentença? Não, não sou. A emergência financeira que o país vive não se compadece com estados de graça. Quem criticou tanto (ele, Crato) e jurou que faria tanto (ele, Passos), não pode chegar e cortar, só, cegamente, erradamente. Não podem ser mais rápidos que a própria sombra para cortar e taxar e remeterem para decisão posterior o que deviam fazer no dia seguinte à tomada de posse. [Read more…]

A chapelada

Foram-se pondo cruzinhas em boletins de voto e descarregando nos cadernos eleitorais. (…) Temos uma absenção de 40% portanto é fácil. As pessoas que vão para as mesas residem na área territorial dos eleitores e facilmente sabem quem está e quem não está a votar, quem vota e quem não vota.
Em 1980 todas as mesas do concelho do Funchal alteraram a votação. Em todas as mesas Eanes tinha ganho e em todas as mesas Soares Carneiro passou a ganhar. E não estamos a brincar. A chapelada foi grande. Não foram 10 ou 15 votos por mesa; foram 300 a 400, preenchidos em nome de votantes que não foram votar.
Presenciou essas alegadas adulterações?
Presenciei.
Fazia parte de alguma mesa de voto?
Sim. Fazia.

António Fontes, na altura militante da JSD/Madeira, em entrevista ao DN de 13.09.2011.

Histórias das eleições na Madeira fui ouvindo ao longo de anos, até porque tive vários colegas madeirenses. Delegados de partidos afastados de mesas de voto com uma arma apontada à cabeça, por exemplo. Fica este registo, dirigido a quem insiste na bondade democrática das vitórias eleitorais sucessivas de Alberto João Jardim. As bruxas não existem, mas lá que votam, votam.

 

 

A galinha dos impostos de ouro


Retrato de Vítor Gaspar enquanto ministro. Do Kaos.

Eu gasto, vocês pagam

Cada madeirense deve 30 mil euros, o dobro da média nacional

Este título do Público (com ligação só para assinantes) faz lembrar a brincadeira que é costume fazer nos restaurantes, quando, na hora de pagar a conta, um grupo de, por exemplo, quatro convivas propõe ao criado de mesa que divida o total por cinco, sobrecarregando virtualmente o pobre assalariado e virtualmente aliviando as finanças dos pagantes. É igualmente costume que a brincadeira acabe com os cinco a rir e os quatro a pagar.

Transferindo a graçola para o país (e também para a Madeira), aquilo que não deveria passar de uma piada é uma ideia tão arreigada que nem sequer parece estranho a um jornalista dividir por todos os madeirenses uma dívida criada por uma minoria de senhores com obra feita e benefícios pessoais à custa de dinheiros públicos.

Vou dormir e sonhar com um mundo em que todos pagássemos as minhas férias ou as minhas cervejas. Todos, menos eu, claro.

Uma Casa de Putas

Portugal é uma casa de putas; senão vejamos:

Entre 22 de Maio e 31 de Julho deste ano desembarcaram no novo Mastodonte de Beja… 164 passageiros*, dos quais 41 responderam a um inquérito de satisfação. O grau de satisfação deste mar de gente – numa escala até 5 – é de 4,7!

A esta média espectacular de 2,3 passageiros por dia, ainda estou para perceber de que forma é que o Fóssil de Beja  “poderá complementar o Aeroporto da OTA”. Alcochete jamé. A lista das possibilidades é incrível, mesmo. E quem paga as contas?

* TANTA gente cabe em duas carruagens de 2ª Classe do Intercidades

ADENDA: segundo comentário de Luís Miguel Taborda (da ANA?), e recorrendo a esta notícia, o tráfego que eu citei (via imprensa local) de 164 passageiros em 71 dias foi, afinal, de 328 passageiros (embarques/desembarques). Notável média diária de 4,6 pax/dia.