Um dia na CP

Hoje tive a sorte de começar o dia a trabalhar na baixa lisboeta. Uma agradável surpresa que logo me convidou ao velho hábito de comprar o Público, apanhar o comboio da linha de Sintra e aproveitar para iniciar a manhã sem o stress automóvel.

Ouro sobre azul? Seria, não houvesse uma avaria em alguma coisa, não se sabe o quê, levando ao caos na estação. Problemas em todo o lado existem, a diferença está em saber a eles reagir ou não e  como pude verificar, a CP não sabe. Há painéis electrónicos para informação mas nada diziam; o sistema sonoro estava mudo; na bilheteira havia uma fila de pessoas a tentar obter uma resposta do funcionário, o qual não respondia porque estava ao telefone a tentar perceber o que é que se passava; clientes furiosos tentavam que lhe devolvessem o dinheiro pago pelo bilhete, mas sem sucesso porque o “sistema não deixa ver”. Desorganização total.

Mas voltemos um pouco atrás. Estava para sair de casa e peguei nos vários cartões recarregáveis de viagens. Um deles haveria de funcionar. Azar, alguns eram do metro e, apesar de serem teoricamente usáveis em todos os transportes de Lisboa, depois de usados num transporte já não funcionam nos outros. E os dois que foram estreados na CP tinham a validade expirada. Parece que só se podem usar durante um ano.

Acabei por comprar um novo cartão, lá apanhei um comboio e fui à minha vida. Ao regressar a casa, lembrei-me que podia tentar devolver o cartão expirado. Atendeu-me um cavalheiro, prestável e simpático, que lamentou nada poder fazer, já que os cartões só podem ser trocados nos cinco dias depois da compra. Mas foi uma boa notícia, pois antevi o plano de, à chegada, devolver o cartão na bilheteira. O plano só falhou por estar fechada  mas fora isso é perfeito.

Assim foi o meio dia na CP. Fui servido e, por bónus, ainda ganhei um cartão para a colecção. Quem sabe se isto não é como os selos e, daqui a uns anos, não terão valor para a troca?

E haverá interesse nacional?

Passos diz que “há muito interesse francês no processo” das privatizações

D. João II, o Príncipe Perfeito, terá declarado, acerca do reinado de seu pai, Afonso V, que este o deixou dono das estradas de Portugal, tais foram os favores com teria cumulado a aristocracia. D. Afonso V terá sido, portanto, um cultor do Estado mínimo, avant la lettre. Para corrigir aquilo que considerou erros macroeconomicopolíticos do pai, D. João chegou ao ponto de esfaquear um cunhado, entre outras medidas pouco simpáticas.

Os afonsos que nos governam já venderam as estradas e andam pelo mundo a oferecer o resto. Quando acabarem, o Estado será uma coisa tão mínima que acabará por fazer as delícias de todos os que sonham em viver num protectorado. Cá estaremos todos, à espera que os alemães ou os franceses façam o pedido que comunicaremos, pressurosos, às cozinhas. Que, ao menos, a gorjeta valha a pena.

Um endereço muito significativo

Já não é o que está na notícia, mas corre pelo facebook que já lá esteve. E se não aconteceu, bem podia ter acontecido…

 

Keynesianos e liberais, quando convém…

-Não me surpreende que os madeirenses possam eleger para novo mandato Alberto João Jardim. Eu próprio se trabalhasse na Madeira e pagasse lá os meus impostos, talvez votasse também no homem, afinal quem não gostaria que as medidas difíceis que todo o país tem de enfrentar, lhe passassem ao lado? Um político que afirma com o maior desplante, ir continuar a política despesista que conduziu a região ao desastre financeiro, com graves consequências para todo o país, só poderia ter uma resposta à altura do governo da República, isto se tivéssemos governantes à altura, que pelos visto não temos, era ver imediatamente fechada a torneira das transferências financeiras entre o Estado e a Região até que o resultado fosse 0 cumprimento das metas a que o governo regional está obrigado. Mas o PSD já se prepara para ajoelhar uma vez mais diante do mais despudorado caciquismo, procurando agora no governo justificar o que durante anos, com razão, criticou aos governos socialistas, a utilização de dinheiros públicos ao serviço do interesse partidário, sem atender à realidade do país. Estranho e lamento que alguns liberais, possam pactuar com políticas keynesianas no arquipélago, em tudo semelhantes às que combatem no continente. Ou será que para eles a opção pelo investimento público como modelo de desenvolvimento, indiferentes a derrapagens e compadrio é aceitável se o governo for da cor e beneficiar amigos?

Madeira, um caso de polícia

Mais um buraco nas contas do governo de Alberto João Jardim, desta vez  por dívidas que não foram registadas, pagas ou comunicadas às autoridades estatísticas. O bailinho leva a inscrever mais 1681,3 milhões de euros nos défices de 2008 a 2011.

Das duas uma: ou há leis em Portugal para estas coisas (e não sou defensor da penalização jurídica do que deve ser castigado politicamente, mas para tudo há fronteiras e limites), ou não havendo, tem de haver. Se somarmos a todo este regabofe o offshore madeirense, por onde se escoam milhões todos os dias, a solidariedade com o todo territorial de um país acaba aqui. O governo é de Portugal, o presidente da República é de Portugal, a Procuradoria Geral é de toda a República, ou actuam sobre a Madeira ou isto nunca mais pára.

Luigi Abbondanza e Pedro Ferreira em Avenida à Rasca 193

avenida à rasca 193

Para ver ao vivo, aqui

Homem Digital, no PortoCartoon

Encontram-se em votação as obras finalistas no XIII PortoCartoon.

Da lista faz parte a escultura intitulada “Homem Digital”, de Fernando Saraiva – que já publicou diversos cartoons aqui no Aventar: “A mudança“, “Euro crucificado” ou “Os tapados da troika” .

A votação decorre até 31 de Dezembro e pode ser feita no Museu Virtual. Vamos lá dar ao dedo!

Programa de merchandising eleitoral Magalhães suspenso

No TEK:

Os alunos do primeiro ciclo do ensino básico não vão este ano poder inscrever-se para ter acesso ao programa e-escolinha e ao computador Magalhães.

Limito-me a reproduzir o que havia escrito há dois anos e meio:

1. O Magalhães não se destina a permitir que os alunos tenho acesso à informática. Para isso criavam-se centros de cálculo nas escolas, garantindo em simultâneo que as gerações seguintes também pudessem usar estes recursos (alguém acredita que a fonte dos Magalhães ainda jorrará depois das eleições?). O Magalhães destina-se a comprar votos, os dos pais dos miúdos que recebem em casa uma pechincha. Nada que Valentim Loureiro não tenha já feito com frigoríficos. [Read more…]

Tudo ao corte:

•Integração do Instituto da Água IP, da Agência Portuguesa do Ambiente e de dois órgãos consultivos para as alterações climáticas na Agência Portuguesa para o Ambiente, Água e Acção Climática (DG)
•Extinção dos Controladores Financeiros
•Extinção de seis Caixas de Previdência
•Integração da Inspecção Geral da Administração Local na Inspeção Geral de Finanças
•Fusão da Inspecção Geral da Agricultura e Pescas com a Inspecção Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território
•Fusão da Inspecção Geral da Educação com a Inspecção Geral da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
E ainda:
Situação inicial Situação Final Variação global
Dirigentes Superiores Dirigentes Intermédios Dirigentes Superiores Dirigentes Intermédios Dirigentes Superiores Dirigentes Intermédios
715 5571 441 4133 -274 -1438
6286 4574 -1712
-38% -26%
-27%
E por fim:

 

O Compromisso Eficiência no domínio do sector público assumido por este Governo, terá continuidade em outras acções concretas, a desenvolver no curto/médio prazo, com referência especial para:

•Reestruturação do Sector Empresarial do Estado;
•Reforma da Administração Local Autárquica;
•Realização de censo e análise detalhada do custo/benefício de todas as Fundações;
•Reorganização dos serviços desconcentrados da Administração Central;
•Reforço da utilização de serviços partilhados na Administração Pública.