Eu não tenho nada a dizer

Como nunca me manifestei contra as relações económicas entre Portugal e a Venezuela (que está muito mais longe de ser uma ditadura do que a Colômbia ou as Honduras) nem contra que um primeiro-ministro promova netbooks assamblados em Portugal (ou se quiserem, Magalhães aqui montados), não tenho nada a dizer sobre o que Passos Coelho andou a falar com o governo do México ou sobre a visita de Paulo Portas à Venezuela. No caso deste último sempre ficamos a saber onde anda durante três dias, não tendo de fazer prova de vida, como o sr. Piça.

Mas isto sou eu. A direita que na oposição andou a fazer tiro ao alvo com metralhadoras pesadas é que deve estar furiosa. Já faltou mais para o governo cair nas sondagens.

Papandreou quer referendar plano

Há poucos minutos a Bloomberg noticiou que George Papandreou, primeiro ministro grego, defende que o novo empréstimo e o default controlado de 50%, terão de ser submetidos a um referendo.

Parece que as horas extraordinárias da última Quarta poderão não ter servido para nada.

Aguardam-se desenvolvimentos.

Piça não morreu e quer trabalhar

Já Mark Twain tinha considerado a notícia da sua morte um exagero, dado que estava bem vivo quando a notícia saiu num jornal. Também em Portugal foi declarado um óbito um pouco apressado: um membro da nossa sociedade continua, afinal, activo.

Outro Hipócrita

Ângelo Correia sobre os “Direitos Adquiridos”, os dele, sagrados, os dos outros, nem tanto.

Pode ler a biografia deste grade estadista aqui. Infelizmente não nos faltam homens desta estatura na vida política nacional.

Acertar ponteiros

Neste passado Domingo perdeu-se mais uma oportunidade de melhorar a coesão nacional: os Açores foram obrigados a atrasar uma hora tal como Portugal continental e a Madeira. Ou seja continuam atrasados uma hora em relação ao resto do país. Não é justo.

Claro que pode usar-se o argumento dos meridianos e tal e coisa, mas não deixa de ser uma oportunidade perdida.

Esses liberais, neo-liberais e ultra-liberais portugueses

A esquerda e o intermitente PS de direita ou esquerda conforme é governo ou oposição têm bramado com considerável insistência que o país padece dos males trazidos pelo neo-liberalismo. E que até há políticas ultra-liberais.

Confesso que não sei muito bem do que estarão a falar, já que liberalismo implica que o Estado tenha um papel não intervencionista na economia e na sociedade em geral. Como todos sabemos, não há negócio neste país que não precise do encosto estatal e não há porcaria de aspecto da nossa vida que não mereça um decreto parlamentar. Portanto, liberalismo em Portugal? Será melhor ler algo pronto a clicar, como a Wikipédia, por exemplo.

Vem isto a propósito destes partidos praticamente reclamarem que o PSD e Pedro Passos Coelho personificam o liberalismo. Mas então, o que terão a dizer das declarações que PPC ontem fez sobre a necessidade de criar condições de financiamento das empresas públicas junto da banca? Será isto liberalismo?

Se o intervencionismo que tem ditado o rumo da nossa economia, quase sem excepção, tem ponta de liberalismo, então o melhor será eu dedicar-me à pesca (depois de pedido o adequado subsídio, perdão, incentivo).

O pior do Crato

Só quem andar muito distraído – e Portugal é um país essencialmente distraído – é que pode negar o péssimo estado da Educação em Portugal. Não se pode negar, evidentemente, que houve avanços assinaláveis, se olharmos para a herança do Estado Novo, que nos deixou um país analfabeto e ignorante, com os cofres cheios de dinheiro. A democracia trouxe a massificação do acesso à escola. Ainda não trouxe a qualidade legitimamente esperada.

Nos últimos 37 anos, a Educação não tem sido uma prioridade dos cidadãos e, portanto, não foi uma prioridade dos governantes, a quem tem bastado distribuir uns subsídios europeus e inaugurar umas obras para irem alternando confortavelmente no poder. Pelo meio, a Educação tem sido um adorno, um campo para experiências, sempre em prejuízo dos alunos.

Nuno Crato, ao longo dos últimos anos, produziu um discurso interessante, mesmo se demasiado conservador, sobre Educação, pondo em evidência muitos dos erros cometidos, como a falta de rigor, o excesso do lúdico ou a preponderância da pedagogia sobre os conteúdos. Como ministro, seria lógico que tentasse uma viragem, usando de um discurso que iniciasse uma alteração de paradigma acerca de todos os intervenientes no processo altamente complexo que é a Educação, chamando a atenção para valores como a responsabilidade dos encarregados de educação, a aprendizagem como esforço, a escola como comunidade, a revalorização de todos os funcionários que trabalham nas escolas, sempre partindo do princípio de que vivemos, ainda, uma situação de subdesenvolvimento educacional, pelo que há ainda muito investimento por fazer, nomeadamente no que respeita aos recursos humanos necessários.

Em vez disso, o ministro da Educação dá uma entrevista ao Público em que se limita a falar de cortes, confessando que vão muito além do exigido pela troika e caindo no ridículo de insistir na ideia de que é possível fazer mais com menos. Hilariante, como é costume, Ramiro Marques limita-se a realçar a ideia de que os professores dos quadros não serão despedidos. Para uma visão mais crítica – ou seja, com lugar à utilização do espírito crítico – da entrevista, leiam o que escrevem Paulo Guinote, Manuel António Pina e, evidentemente, o nosso Jorge Fliscorno.

Liberdade de escolha – mais um embuste na Educação

Este texto do Fernando Moreira de Sá é elucidativo do modo de pensar de alguns (muitos?) empresários portugueses: o Estado deve estar ao serviço das empresas e não ao serviço do país. Nada que a prática governativa desminta.

Curiosamente, Pinto Balsemão frequenta um campo ideológico que defende a concorrência como uma solução absolutamente virtuosa. Para os sucedâneos portugueses do neoliberalismo, na esteira dos simplórios da direita americana, é o mercado que tudo resolve, com os consumidores a escolherem o melhor produto, obrigando as empresas a melhorarem continuamente ou a morrerem.

Não interessa muito saber se os simplórios são necessariamente mal-intencionados, mas são demasiado simplórios para que as propostas que apresentam – ou as decisões que tomam – se possam constituir como soluções aceitáveis, porque se limitam a impor ideias sem se preocuparem em analisar a realidade.

Atente-se no caso das televisões generalistas. Será que a concorrência introduzida pela chegada das privadas trouxe consigo um aumento da qualidade do produto? A verdade é que a televisão só poderia aumentar as audiências à custa de um abaixamento da qualidade, como se pôde verificar pela introdução dos reality shows ou pela telenovelização do horário nobre. A própria televisão pública, com a chegada das privadas, entrou na caça ao espectador e tornou-se numa coisa indecisa, sem ser serviço público de qualidade nem empresa de sucesso (embora, para isso, tenha contribuído, também, o facto de ser uma das muitas entidades para uso das clientelas partidárias). [Read more…]

O Eduquês não gosta de informatiquês

Nuno Crato diz que a informática no 9º ano é para acabar, já que, afirma, os alunos quando chegam a este nível de escolaridade já a dominam. Depois de me ter sobressaltado, reflecti e concluo que o autor do termo “eduquês” tem toda a razão. Como todos saberão, a informática corresponde, na sua essência a uns e zeros. Como 1 tende a ser uma nota frequente entre os alunos e 0 começa a ser o dinheiro disponível nas carteiras dos respectivos pais, que aluno não dominará ainda a informática aos 15 anos? Os ricos, claro, e esses que paguem as suas lições de Facebook.

Soube também, de fonte segura, que as software houses já aplaudiram a medida. Depois de terem começado a pagar 500 euros a recém licenciados, vêem nesta medida a oportunidade de finalmente serem competitivos com a China e com a Índia, indo buscar os seus IT expert saídinhos do 9º ano.

Finalmente, quanto aos que passaram anos a dizer que o programa e-escola, e-escolinha  em nada contribuiria para desenvolver competência tecnológicas nos alunos e que os Magalhães não passavam de brindes eleitorais, espero que mordam a língua e reconheçam o seu colossal erro. Que outro país consegue à saída do ensino básico fornadas de Steve Jobs, de Bill Gates e de Linus Torvalds? Aprendam, seus velho-restelianos.

A impossível subordinação

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Ártemis é para mim, uma das figuras mitológicas mais interessantes. O seu carácter indomável, insubordinado e vingativo a diferencia de outras divindades, como Afrodite, por exemplo, a deusa do Amor, que lhe o oposto.
Ártemis é também chamada Diana, seu nome latino. É a deusa das florestas virgens, habita a natureza selvagem, os lugares ermos e dificilmente desce aos lugares civilizados.

1. A ideia

Vivemos numa sociedade que grita, ao borde da bancarrota. A sociedade dos irrequietos, dos que protestam. Uma sociedade que precisa de resiliência, conceito criado por Boris Cyrulnik: essa inaudita capacidade de reconstrução humana. [Read more…]

Ser ou não ser pobre

Parabéns Diego Armando

Faz hoje 51 anos, parabéns Maradona, os melhores 20 golos do melhor avançado de sempre. De vez em quando…

Sócrates, Seguro, Passos Coelho & Cia. SA

Se se tratasse de empresa cotada na Bolsa de Lisboa e integrasse o PSI 20, e se fosse apostador dessa e de outras bolsas, garanto que nem uma acção, ou fracção desta, compraria. Os gestores de topo, identificados no nome da empresa, constituiem uma espécie de enxame de vespas capaz de afugentar o mais corajoso.

A despeito da falta de confiança, tais accionistas existem como políticos, andaram ou andam por aí com outros que tais, tramaram e continuam a tramar a vida a centenas de milhar de cidadãos.

Segundo o ‘Público’, Sócrates pediu ao PS que vote contra o OGE 2012. Por outro lado, o jornal adianta que Seguro, um penitente da insegurança, está a congeminar a hipótese de se abster, a troco da eliminação do aumento do IVA da restauração e, mais timidamente, tentando evitar corte tão drástico nos subsídios de Natal e de férias dos funcionários públicos no activo e aposentados, bem como como dos pensionistas do regime geral da Segurança Social (sector privado).

O semanário ‘Expresso’, por sua vez, dá conta de que Sócrates desmente o anunciado pelo ‘Público’, através de Teresa Pina, ex-jornalista da SIC e ex-assessora de imprensa do ex-primeiro ministro (ex, ex, ex…).

Toda esta trapalhada nutritiva para os ‘media’, do diz que disse mas final não disse, é também fenómeno comum dos políticos da era actual. Os ‘ex-jotinhas’ Sócrates, Seguro e Passos Coelho são exemplares paradigmáticos da mentira, da sobreposição de oportunismos sobre o interesse geral, da irresponsabilidade político-social, da incompetência e de muitas outras incapacidades que os portugueses estão e vão pagar duramente – Cavaco e Guterres, cujas características genético-políticas têm origem diferente, foram os fundadores do pantanoso terreiro, onde os jovens sucessores se alimentam insaciavelmente.

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Desprofissionalização corporativa

Quando o Miguel Abrantes de serviço confunde um sindicato da FNE (ou seja da UGT) com um sindicato da FENPROF, pode dizer-se que o nível começa a ficar à altura do buraco da Madeira.

Ontem, no Correio da Manhã, leilões offline

Com o CM de ontem, a minha imprescindível referência diária em assuntos de faca e alguidar, veio um bónus de 44 páginas em forma de suplemento.

Era um caderno editado pelas finanças, repleto de anúncios de execuções fiscais por falta de pagamento de IRS, IVA, segurança social e muito outras formas de rendimento que permitem que, por exemplo, alguns continuem a acumular salários com pensões. Porque, como muito bem lembrou esta semana Ângelo Correia, há direitos adquiridos. Os dele, especificamente, pois queixava-se da possibilidade de lhe cortarem a subvenção vitalícia.

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Viva a crise

Parece que a mama se está a esgotar para a Microsoft: o governo decidiu poupar no software, optando por sistemas baseados em Linux nas escolas. Foi preciso uma crise económica internacional para o bom senso prevalecer.

Falamos do que se poupa em sistemas operativos, suites de escritório e antivirus, e depois se ganha em estabilidade e facilidade de instalação e actualização.

Nunca entendi como é possível uma escola utilizar produtos comerciais que pode trocar por sistemas abertos, gratuitos, e onde a cooperação entre os utilizadores é a regra.

Claro que isto vai ser o bom e o bonito. Em primeiro lugar porque, mal habituados, os professores temem o Linux. Depois porque as empresas de software (e hardware) educativo se vão queixar, não falando nas pequenas empresas que têm prestado serviços inúteis às escolas. Tudo treta: faz-se exactamente o mesmo num pc com software livre. Habituem-se, vão ver que não dói nada.

Ainda a casa de Duarte Lima

Não li a reportagem do Expresso mas vi a reportagem da SIC e, sobre a transacção desta casa para a Birdwell há uma questão interessante. Ouvi que foi feita em 2003, mas ou não ouvi ou não foi referido o mês e o dia. A importância da coisa?

A 12 de Novembro de 2003 foi aprovada a reforma de tributação do património de Manuela Ferreira Leite e apesar de há muito ser conhecida a intenção, o Dec. Lei andava a ser negociado e a sua aprovação apanhou quase todos de surpresa, mesmo quem tinha ouvidos nas salas da senhora só soube um ou dois dias antes, sendo que a maior parte das novas regras entrava em vigor vinte e poucos dias depois, a 1 de Dezembro. [Read more…]

Stôr público

Relvas e Passos: maquiavélicos

Salários Médios Anuais na OCDE

USD Euros
1 EUA 37.351 26.519
2 Luxemburgo 35.365 25.109
3 Suíça 35.365 25.109
4 Irlanda 34.617 24.578
5 Holanda 32.426 23.022
6 Noruega 31.356 22.263
7 Reino Unido 31.246 22.185
8 OCDE 31.192 22.146
9 Dinamarca 30.665 21.772
10 Bélgica 30.546 21.688
11 Austrália 30.211 21.450
12 Áustria 29.824 21.175
13 Canadá 29.792 21.152
14 França 27.068 19.218
15 Suécia 26.146 18.564
16 Finlândia 25.352 18.000
17 Japão 24.069 17.089
18 Espanha 23.896 16.966
19 Coreia do Sul 23.587 16.747
20 Itália 23.186 16.462
21 Eslovénia 22.939 16.287
22 Grécia 19.514 13.855
23 Portugal 16.463 11.689
24 Rep. Checa 14.617 10.378
25 Eslováquia 13.290 9.436
26 Hungria 13.254 9.410
27 Polónia 13.050 9.266
28 Estónia 12.173 8.643

Em complemento e sintonia com outros ‘posts’ publicados no Aventar, aqui e aqui, parece-me oportuno reproduzir o Quadro de Salários Médios na OCDE, divulgado ontem no ‘Público’ (página 2).

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Ser professor

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…para mi Weñe, que será professor….esse meu mais recente neto…

Por falar assim, o pontapé de saída para a educação, foi dadas pelos gregos, na época clássica. Foram eles que criaram o Liceu, um sítio só para homens e para o debate entre os mais velhos e os jovens efebos, como eram denominados os estudantes. O Liceu foi uma escola fundada por Aristóteles em 335 a.C.. [Read more…]

Para o ano a hora muda à segunda-feira

É mais uma ideia para aumentar a produtividade: no próximo ano a hora de inverno mudará numa segunda-feira, pelas 11h os relógios voltam para as 10h, aproveitando-se desta  forma para festejar a chegada dos dias mais curtos trabalhando mais uma hora.

Duas idiotices podem ocorrer com sucesso no mesmo dia. O desemprego e as empresas agradecem.

Curioso… no Expresso

Eis aquilo que alguns têm andado a dizer há anos e que agora encontra eco, desta vez pela pena de Fernando Madrinha. Hoje mesmo, na sua coluna no Expresso.

O caduco traste “República” – ou melhor, a baderna em que se vegeta – que se cuide.

A Economia ainda é classificada como ciência?

Fotograma de um segmento noticioso do início da crise

Um perfeito imbecil

Miguel Relvas, o verdadeiro primeiro-ministro do governo do senhor Coelho, em entrevista à TVI, deu a entender que o corte dos subsídios de Natal e de férias pode ser estendido ao sector privado e vigorar, não por dois anos, mas para sempre. Adiantou que “muitos países da União Europeia só têm doze vencimentos”, e deu como exemplo a Holanda, a Inglaterra e a Noruega.

O senhor Relvas, ou é estúpido, ou quis fazer de nós estúpidos: ganhando 14 meses, o salário mínimo em Portugal rende anualmente 6.790 Euros; ganhando os tais 12 meses, em Inglaterra rende 11.692 Libras (13.296 Euros), e na Holanda 16.783 Euros (fonte: Wikipedia); na Noruega não há salário mínimo, os salários são fixados por negociações entre patrões e sindicatos, mas a remuneração média mínima era em 2010 de 354 mil Coroas, aproximadamente 46.138 Euros (Fonte: Statistisk sentralbyrå).

É de gente deste jaez que o governo da nação é servido. Não sabem do que falam, não sabem do que tratam, mas decidem. Sempre a favor dos negócios que os lá levaram, mesmo que isso signifique deixar os seus concidadãos na maior das misérias.

Carlos de Sá

A casa secreta de Duarte Lima ou de como eles escondem rendimentos

Uma offshore chamada Birdwells Ltd tem registada em seu nome uma casa avaliada em 5,8 milhões, na Quinta do Lago. O Expresso afirma que a casa pertence na realidade a Domingos Duarte Lima. Não consta das declarações de rendimentos que entregou quando foi deputado.

Como nem todos os ex-deputados ou ex-ministros são acusados de homicídio nunca saberemos quantos mais casos como este foram possíveis, num mundo onde esconder dinheiro ou propriedades é profissão legal: foi utilizada como testa de ferro uma empresa especializada, a Chettleburgh’s Limited, sedeada em Londres e que se apresenta assim: [Read more…]

Andas a desiludir-me, Álvaro

Ó ÁLVARO EU ATÉ GOSTAVA UM BOCADINHO DE TI, HOMEM!.

Das desilusões que a nível geral me tens provocado, talvez que por falta dos meios que não tens para gerir convenientemente tão grande Ministério, não vou falar agora.

Foste para mim, uma lufada de ar fresco na habitual politiquice Nacional, com aquela coisa de “chamem-me Álvaro, que eu gosto”.

Não é que eu entenda que os gajos todos te devam chamar assim, afinal sempre és Ministro e mereces um bocadinho de respeito, mas nós, os que em ti votamos e acreditamos (sim, que embora ninguém soubesse que irias ser tu o eleito na altura das votações, os votos devem ser-te extensivos à posteriori) podemos e devemos tratar-te como assim o queres. Somos uma espécie de amigos do peito. Os outros que te tratem por Senhor Ministro.

Mas hoje, Álvaro, meu amigo, fiquei a saber que tens desrespeitado os meus outros amigos e conterrâneos, e porque para além de amigos como tu, são conterrâneos, passam à tua frente, como facilmente entenderás. E, diga-se em abono da verdade, fiquei um bocadito aborrecido contigo. Fiquei sim, fiquei! [Read more…]

Roma só paga a quem a serve, pelos outros divide tostões

Aqui há dias, uma jovem empregada comentava, compreensiva, o roubo do 13º mês: “com o país em dificuldade todos temos de contribuir”.

Agora soube que vai ser despedida. Vou ser macabramente cínico: ainda não lhe perguntei se está feliz por contribuir tão intensamente.

O regime feudal do século XXI

Apesar da República, da igualdade e todas essas conquistas de Abril e não só, continuamos a viver num regime feudal. Tudo o que aparentemente possuímos apenas nos está temporariamente cedido até que o Estado o reclame de volta. Tal como os senhores feudais, também o Estado usufrui de nós sempre que precisa. Das expropriações aos salários, passando pelos impostos sobre impostos incidentes no que sobrou depois de pagos os impostos, sobra-nos o sol, o ar e a água que ninguém nos tirou. Ainda.

Evolução, uma ova.

O único Estado bom é um Estado morto

Pareceu-me ouvir, hoje, Miguel Relvas, a propósito da possibilidade de acabar definitivamente com os subsídios de férias e de Natal, afirmar que o “Estado não gera riqueza”, as empresas sim. Mais uma vez, confesso a minha ignorância acerca da Economia e respectiva terminologia, mas parece-me que estamos diante de uma noção absolutamente tacanha de riqueza.

A riqueza de um país não se mede apenas pelo equilíbrio das contas ou pelo recheio dos cofres do Estado, o que seria suficiente para considerarmos rico o Portugal salazarista, em que a pobreza era generalizada e escondida sob a capa da alegre casinha modesta. A riqueza de um país mede-se, também, por exemplo, pela qualidade da educação ou pelo funcionamento dos hospitais ou dos tribunais.

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III – Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx

O Manifesto do Partido Comunista combina a seriedade filosófica mais profunda com o talento mais mordaz. Imagine a Rousseau, Voltaire, Holbach, Lessing, Heine e Hegel fundidos numa só pessoa – digo fundidos e não confundidos num monte – e o meu amigo terá o Dr. Marx.

O Manifesto acaba com uma revisão da actividade política dos partidos comunistas e do socialismo em todos os países da Europa e com uma expressão de temor: Uma parte da burguesia procura remediar os males sociais com o fim de consolidar a sociedade burguesa. Nessa categoria enfileiram-se os economistas, os filantropos, os humanitários, os que se ocupam em melhorar a sorte da classe operária, os organizadores de beneficências, os protectores dos animais, os fundadores das sociedades de temperança, enfim os reformadores de gabinete de toda categoria. [Read more…]