rigor, upa! upa!

Aspectos da cegueira em Rui Rio

O presidente da autarquia portuense lançou segunda-feira à noite um ataque contra os indivíduos que, em sua opinião, fizeram do Porto «uma cidade borrada de grafitis», apelando à «indignação colectiva» contra a situação. aqui

Autor Desconhecido, Ensaio sobre a cegueira, Miguel Bombarda, Porto, fotografia de Sofia Romualdo

Sobre os professores: o cão de Pavlov

O pequeno mundo da defesa das ideias partidárias é de uma pobreza vocabular e de uma estreiteza argumentativa impressionantes, a ponto de ser possível assistir ao espectáculo de ver homens inteligentes reduzidos à emissão de simplismos, como já foi o caso de Pacheco Pereira ou Vasco Graça Moura nos tempos do cavaquismo, para escolher dois intelectuais de uma trincheira política que não frequento.

Nos dias de hoje, nesta espécie de reino do pensamento único em que querem obrigar-nos a viver, propagam-se algumas ideias igualmente básicas. Com o objectivo de anestesiar a populaça, o poder e respectivos seguidores e apoiantes tentam explicar que “vivemos uma situação extraordinária”, que “todos temos de fazer sacrifícios”, que “as coisas agora mudaram”. Tentam, no fundo, que nos conformemos, que aguentemos.

A opinião pública, mesmerizada pelas gravatas tecnocráticas dos governantes, prefere não pensar e lida mal com quem não se conforma. Diante dos que tentam pensar ou na presença dos que procuram argumentar, mandam-nos falar mais baixo, dizem-nos para ficarmos contentes porque há outros que estão piores e não faltará muito tempo para considerarem o acto de respirar como um privilégio. [Read more…]

Rui Rio só gosta de calhambeques

É o que dá eleger um analfabeto cultural para Presidente da Câmara.

Trabalho de Best Ever para a Visual Street Performance (VSP) , Porto. Retirado daqui, onde há mais imagens.

Do no evil?

A Google faz 13 anos. Desde o motor de busca à computação em rede e sem esquecer as assim chamadas redes sociais, vimos em 13 anos uma empresa nascer e tomar-se omnipresente. Repare-se na evolução da computação e do tempo que cada fase levou:

  • 60’s e 70’s: a distinção entre aplicação e sistema operativo era dúbia;
  • 80’s: as aplicações foram-se tornando autónomas do sistema operativo;
  • 90’s e 2000’s: as aplicações passaram a ter o mesmo aspecto dentro do mesmo sistema operativo;
  • 2000’s ~ 2011: a computação mudou-se para a rede, saído do escritório para estar acessível em qualquer esquina de café.

Na actual tendência, as aplicações estão a fugir ao sistema operativo, ficando para este reservado o papel de gerir o equipamento. Como se o computador passasse a um telemóvel com mais capacidade de processamento. Nem tudo são rosas nesta abordagem. Se por um lado o utilizador deixa de se preocupar com instalar e manter software, por outro perde o controlo sobre as suas aplicações já que estas passam a ser disponibilizadas nos termos (e preços) que o fornecedor entenda. E que o legislador autorize, já agora. Exagero? Repare-se então na fome de controlo que têm os EUA e a UE relativamente aos conteúdos audiovisuais. Tudo tem um preço. Veremos até onde vai o slogan da Google «Do no evil» ou quanto tempo demora até se tornar em mais uma monopolista como o foram, no seu tempo, a IBM ou a Microsoft.

Ólhó atestado médico, ólhó atestado, é para o profe, tá fresquinho

Deve estar a cair bordoada da grossa sobre os zecos (no acto de retenção do IRS para quem não se recorde designam-se por professores), tendo ontem o Diário de qualquer governo (não foi só o Saramago quando por lá passou, aquilo no DN não é estigma, é mesmo causa, um húmus onde todos os rotativos do poder plantam notícias) proclamado uns fantásticos números de atestados médicos.

Não tendo lido o jornal feito da mal arrancada árvore com que o imprimiram, crime para o qual não pago, nem ouvisto o posterior folhetim televisivo mas apenas a condensada versão online aproveito para recordar que atestado só é válido se confirmando na forma de Centro de Saúde ou Hospital.

Havendo processos de investigação sobre os médicos que atestam teriam de ser aos pares, ao que atestou, e ao que confirmou.

Força. Quando perceberem que essa duplicação idiota de gastos da anterior campanha para a domesticação do funcionário publico não serviu para nada vocês, os que vão comentar já a seguir repetindo que os zecos isto e aquilo, quando lá chegarem, talvez acordem.

Então vossas mercês pagais o atestado do médico via ADSE (não pagam nada, mas pensam que sim) e a confirmação noutro médico e os profes não deixam de estar doentes e as profes ainda por cima emprenham?

Pedro Noel da Luz e Gerard Castello Lopes

Esta fotografia de Pedro Noel da Luz (ou KameraEskura) trouxe-me à ideia Gerard Castello Lopes

fotografos portuguesesque tem, atualmente, uma exposição póstuma em Lisboa.

Bem sei que décadas separam os dois fotógrafos e que cada um carrega no olhar os signos do seu próprio tempo. No entanto fica-me a ideia que ambos comungam algumas particularidades, a mesma atenção aos detalhes, aos pormenores do quotidiano, a mesma poesia na fixação do momento.

É um luxo, digo eu, visitar a exposição “Aparições – A Fotografia de Gérard Castello-Lopes 1956-2006″, e acompanhar no Aventar – ou no KameraEskura – as fotografias contemporâneas do Pedro Noel da Luz. Digo eu, repito, que sou suspeito.

Candura desarmante

(Tradução do Aventar, desculpem as eventuais gralhas!)

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