Arredas Folk Fest

Sim, nas margens de um dos rios mais intocados de Portugal – o Neiva – , e a marcar a fronteira entre Barcelos e Viana do Castelo existe uma terra chamada Tregosa; a dois quilómetros fica a estação de comboios de Barroselas e lá desembarcaram uns quantos forasteiros a caminho da 3ª edição do Arredas Folk Fest. Foi este fim de semana, foi grátis, foi óptimo. Foi qualquer coisa

O abismo

Depois de ver na televisão e ler o artigo acerca da presença de Mário Soares na universidade de Verão do PSD, tirei algumas conclusões bem preocupantes e espero que Portugal não tombe da ponta do penhasco para o abismo.
Já disse que estamos na ponta do penhasco para cairmos de cabeça para o abismo e este sentimento leva-me a pensar que uma nova revolução não vai tardar e desta vez não vai ser com cravos e com os oculta-chamas das espingardas. Desta vez vai ser a doer. Acoitem-se, vem aí o inferno ao vivo.
Os governantes têm que assumir as suas responsabilidades nos erros que cometem. Ninguém os obriga a assumir as funções que desempenham, Não podem continuar a criar situações financeiras irresponsáveis e depois virem a obrigar pela força da Lei a pagarem as suas faltas sem termos culpa nenhuma. [Read more…]

O medo

Servem as crises para o exercício do jogo do medo pisando todos os limites. Com um milhão de desempregados pode a legislação laboral regressar 50 anos atrás que ninguém se espanta, e pode mesmo afirmar-se que o objectivo de facilitar os despedimentos é criar emprego que ninguém se ri.

Mas em contrapartida eles também têm medo. Os pirómanos da economia afligem-se com as potenciais chamas nas ruas que construíram. O discurso de Passos Coelho de hoje mistura uma narrativa desse medo com um hilariante anúncio do fim da crise, que até a Drª. Leite já explicou não ter ponta por onde se lhe pegue.

Nas crises ganha quem tiver menos medo, nos momentos decisivos. Ainda é cedo para contar gasolina e agulhetas, e nem dependemos das nossas ruas, mas das avenidas europeias. É um jogo perigoso, sobretudo quando levado ao extremo, como é o caso. Verdade se diga que vaticinei a este governo uma curta duração, e também armado em tarólogo achei que acabava na rua. Dois meses depois não me parece que seja bem assim: pode acabar mais prosaicamente por via das divisões internas da própria coligação, porque começam a ter medo das ruas: ainda ninguém saiu de casa e já se chamam os bombeiros. Em Outubro conversamos.

Louçã e os refrões mediáticos

Precisamos é de um país que fala por si, que mostra a democracia nas ruas.

Francisco Louçã, citado pelo Público

Esta frase é um programa político. Mas os dez milhões de pessoas deste país não falam por si. Há, isso sim, grupos com maior influência e que têm a arrogância de pretender falar por todos. E nas ruas não há democracia. Há pressão política, há violência, há material mediático. Mas confundir isso com democracia é mais do que um erro, é calculismo para ganhar o poder que os em vão evocados “trabalhadores” não deram a políticos como Louçã.