O 18 de Agosto ou o 18 de Setembro

santigobebé

Para mi Weñe Javier Max Raúl Isley

Bem sabemos que no 18 de Setembro de 1810 o Reino do Chile ganhou a sua Independência da coroa da Espanha, como tenho explicado nos meus ensaios de Julho e Agosto deste ano. São 201 anos de autonomia, com um breve período de ditadura de 18 anos, que é melhor não lembrar.

Dois factos são importantes neste meu ensaio de hoje: a comemoração de 201 anos de construir uma República soberana, livre, com um desenvolvimento económico de mais-valia alta. É uma das poucas latinas, a seguir o Brasil, em que a miséria tem passado por fora de casa. Países que em tempos foram pobres e com ditadura, como a República Argentina, mas que souberam escolher partidos e governos para sarar as feridas da pobreza. Como o caso da República de Venezuela, com um petróleo que vende a alto preço.

No ano de 1810, no dia 18 de Setembro, o Governador do Reino convocou um Cabido Aberto das pessoas mais ricas e sábia do país. O Conde da Conquista, quem governava, por nome Mateo de Toro e Zambrtano, anunciou ao Cabido de notáveis, que na Espanha não havia Rei e não tinha coroa nenhuma para representar, preso como estava Fernando VII de Borbón e Orleáns, nos paços de Napoleão em Paris, quem tinha substituído o monarca pelo seu irmão José. A rei estrangeiro ele não servia e entregou as insígnias do mando aos espanhóis no Chile, ou seus descendentes. Foi eleito Presidente do Cabido para governar a República, mas velho e cansado como estava, entregou o mando um ano depois, dando a luz a um novo país livre, sendo eleito pelos cabidos, José Miguel Carrera como o primeiro Presidente do Chile, o primeiro em usar esse título, como explico no me ensaio citado antes. A tarefa era pesada: era necessário organizar o país com lei próprias, organizar um Congresso para controlar os actos do governo e inscrever a população como nascidos no Chile. O título de Chileno foi mais tarde decretado por Bernardo O´Higgins. Entretanto, eram espanhóis ou criollos. O Presidente foi subversivo, deposto do cargo, apesar dos conselhos do seu grande amigo Manuel Rodríguez, deputado por Santiago a pedido do Presidente do Cabido e substituído como presidente ao conselheiro Larra, graças a intervenção de Bernardo O´Higgins.

O tempo foi curto para tanto trabalho, o Cabido foi presidido por Bernardo O’Higgins, Brigadeiro que teve que fugir do Chile para Argentina com o Exército, por ter sido o país levado a uma feroz reconquista por Mariano Osório, a finais de 1813 e o Governador Casimimiro Marcot del Pont As tropas enviadas pelo vice-rei do Peru, José Fernando de Abascal y Sousa, junto aos apoiantes da Coroa que habitavam o território, finalmente derrotam as tropas patriotas na Batalha de Rancagua, em 2 de Outubro de 1814, dando início à Reconquista Espanhola. Neste momento se restauram as instituições coloniais, com os governos de Mariano Osorio e Casimiro Marcó del Pont.

Com o Desastre de Rancagua, a maioria dos líderes independentistas teve que fugir para Mendoza, na Argentina. Ali foi formado o Exército dos Andes, a cargo do general argentino José de San Martín, do qual participava Bernardo O’Higgins, líder das milícias chilenas. Este Exército Libertador, que inicialmente contava com 4.000 homens e 1.200 militantes da tropa de auxílio para condução de mantimentos e munições, cruzou a Cordilheira dos Andes e em 12 de fevereiro de 1817 derrota as tropas reais na Batalha de Chacabuco, dando início à Pátria Nova.

O’Higgins foi nomeado Director Supremo e, em 12 de Fevereiro de 1818, primeiro aniversário da Batalha de Chacabuco, declara formalmente a independência do Chile, que se confirmaria com a vitória do exército chileno na Batalha de Maipú, em 5 de Abril do mesmo ano.

 Segundo facto importante de um dia como hoje, é o aniversário do primeiro mês de vida do meu neto Javier Max Raúl Isley, filho de Felix e CamilaIsley, nascida Iturra González. Se o 18 de Setembro de 1810 foi o começo da liberdade do Chile, o 18 de Agosto foi o começo da liberdade da prisão do ventre materno do meu Weñe, como gosto denomina-lo. Como terceiro nome, foi-lhe entregue o meu e dos seus avôs maternos, o Engenheiro Raúl Iturra Merino e o General da Força Aérea Raúl González Nolle. Batalhas diferente, mas todas elas para libertar um corpo do outro e continuar com a vida.

Duas datas, importantes para a família, como começo da liberdade no desprendimento dos corpos, a vida autónoma e os sacrifícios que relacionam estes factos. Se o Chile começa a sua independência num 18 e Setembro de 1810, era apenas a preparação da autonomia,  201 anos depois, de um bebé que, por enquanto apenas sabe lutar pela sua comida e chora até estar satisfeito, como a História nos narra de libertação de una nova República.

Parecem factos diferentes, mas coordenados no decorrer da cronologia do tempo. Como metáfora, pode-se dizer que estes 201 anos de independência, são semelhantes a este mês do Weñe, a liberdade de vários e a escravidão de outros, como a República e as suas batalhas, como a da mãe que amamenta e ensina a confrontar a vida.

República que tem mulheres dar a luz, mulheres que apenas devem ensinar o seu crescimento aos mais novos. Motivo do título desta reflexão no 18 de Setembro de 1810, tão próximo nos factos, ao de Agosto de 2011, apenas um mês antes das independências e subordinações que dão a vida e ensinam a crescer: o primeiro, 201 anos, o segundo, mi Weñe começa os seus aniversários no calor do lar, o amor dos pais e nos debates que virão com a irmã… com muitos O´Higgins no meio para separar cães de gatos, como pais de filhos, como Forças Armadas, metáfora de pais e avôs, como este que escreve e adora aos seus descendentes. Especialmente ao Weñe…que foi galhardeado com o meu nome pelos seus pais, o que me comove… como qualquer 18 de Setembro, que bem podia ter sido num 18 de Agosto! Napoleão estava ai nas duas datas… em Agosto 18 e um mês depois.

Viva Chile, viva o Weñe

Abuelo, 18 de Setembro de2011.!