O presente, essa grande mentira social. V – Socialismo heterogéneo. Engels

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Engels, homem de posse, tinha ideias para colaborar com a melhoria de vida do povo inglês. Ele não ignorava os esforços de David Ricardo – que, infelizmente, na apresentação do autor que faz a Gulbenkian, é denominado como filho de Holandeses, sendo, de facto, filho de portugueses fugidos para Amesterdão, terra de acolhimento de judeus – o caso exacto da sua família.
Este Ricardo tinha definido o valor do trabalho de forma diferente de Adam Smith e Marx. Este, em conjunto com Engels, teve o trabalho de transferir para o materialismo histórico, a frase da definição de Ricardo e usar a ideia para definir a mais-valia das empresas, inglesas, francesas ou, já na altura do texto, da Alemanha.
A frase abre o livro de Ricardo, na edição de Lisboa, e diz: “….a utilidade não serve de medidas de valor de troca [como definira Adam Smith no texto citado de 1776] (o parêntese é meu), embora lhe seja essencial. Se um bem fosse destituído de utilidade – por outras palavras, se não pudesse, de modo algum, contribuir para o nosso bem-estar – não possuiria valor de troca independentemente da sua escassez ou da quantidade de trabalho necessária para o produzir. Os bens que possuem utilidade vão buscar o valor de troca a duas fontes: à sua escassez e à quantidade de trabalho necessário para a sua obtenção[1]Engels sabia disto, porque sabia das actividades socialistas de David Ricardo.

[1] Ricardo, David, 1817, obra citada, páginas 31 e 32 da edição em formato de papel, Gulbenkian, Lisboa.

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Comments

  1. MAGRIÇO says:

    Ao ler este texto não pude deixar de fazer uma comparação entre o que se convencionou chamar de esquerda e de direita. Engels era oriundo de famílias ricas e a sua opção política ficou a dever-se à sua nobre noção de justiça social ao compreender o fosso existente que separava o seu próprio modo de vida e a vida miserável dos trabalhadores das fábricas do seu pai. Isso levou-o a debruçar-se sobre o assunto e a condenar o sistema vigente. Hoje, ao ver trabalhadores explorados que mal ganham para dar aos filhos uma vida condigna declarem-se de direita, não posso deixar de sentir alguma comiseração pela ignorância e falta de sentido de equidade que essa opção revela. Quem é de esquerda tem, por norma, uma nobreza de carácter que o leva a tomar a defesa do indivíduo contra os excessos do poder dominante, coisa que passa completamente ao lado dos que se proclamam de direita, incapazes de ver para além do seu próprio umbigo. E, ao contrário do que se diz, não é só uma questão cultural: é, sobretudo, uma questão de carácter.


    • Agradeço a sua paciência de ler e comentar o meu texto. Quer Engels, quer Marx, pertenciam a mesma classe social. Apenas que Engels teve uma herança, e não dedicaba o seu tempo ao estudo, como Marx, apoiado pela sua mulher e as suas filhas. Foram anos se fi que usiu no Museu Británico, até descobrir a fórmulla do Capital, mais-valia, alienação e lucro. Usou 20 anos do seu tempo comparando as diferentes formas de producção. Eram a sua mulher e a sua filha Eleanor, as que o apoiavam. É temperamento e saber.Lamento não saber com qum me correspondo, mas, obrigado
      RI
      lautaro@netcabo.pt