O Sonho e a Europa

A Alemanha liderada por A. Merkel anda a brincar com o fogo. O fogo, neste caso, é a União Europeia. É por isso que sou levado a concordar, em boa parte, com o que afirmou Mário Soares:

A Europa deixou de ter líderes”, disse Mário Soares – ele que foi também eurodeputado -, sustentando que Angela Merkel “é uma pessoa que tem grandes responsabilidades na decadência da Europa” e na situação vivida pela Grécia

Nos primórdios da nossa adesão à CEE torci o nariz. Talvez fruto da adolescência e, certamente, de muito desconhecimento da história e enorme falta de experiência de vida, aliada à natural irreverência da idade, navegava em águas de exagerado nacionalismo. O passar dos anos bastou para perceber o equívoco. A Europa “quase” sem fronteiras, a evolução das pátrias para as regiões e um maior conhecimento do passado e da realidade foram essenciais. Sem esquecer algo que considero fundamental: quanto mais “mundo” se conhece menos se gosta de fronteiras. Quem sabe se não será uma utopia mas, para mim, a Europa “continental” vai de Sagres até para lá dos Urais sem esquecer a Turquia. É essa a Europa que defendo. Uma utopia? Talvez. É a minha. E olho para ela como um primeiro passo para o fim global das fronteiras. Se os mercados são globais, podem as velhas pátrias sê-lo plenamente.

 

Somos a geração das redes sociais sem fronteiras. Somos a civilização que acompanha, a par e passo, a eleição de Obama como se fossem as nossas eleições presidenciais. Somos o planeta que pára para ver a final do campeonato do Mundo de Futebol ou o atentado terrorista nas Torres Gémeas. Somos os filhos do Live Aid, os netos dos jeans e, sobretudo, os herdeiros da Democracia, da Liberdade de Expressão e da Igualdade entre os Povos. Nós somos, todos e em toda a parte, o resultado das aventuras e desventuras do filho de Laertes.

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Stop Online Piracy Act ou Hoolywood a querer mandar na Internet

Era uma questão de tempo até que a maior invenção comunicacional da humanidade entrasse no circuito do controlo político. Até agora temos usufruído de uma liberdade ímpar para fazermos chegar o nosso ponto de vista, a nossa música, a nossa arte e tantas outras coisas – as nossas parvoíces incluídas – a uma audiência potencialmente global. E isto feito sem o controlo económico, político e de censura/edição a que os meios de comunicação social tradicionais estão sujeitos.

 

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O símbolo da ignorância dos jornalistas da Sábado

Disto se diz: ir buscar lã e sair tosquiado.

Para quem não estudou química: símbolos têm os elementos naturais, a água é composta por dois e portanto tem uma fórmula.

Numa reportagem falsificada sobre a ignorância dos estudantes universitários (que a há, e sempre houve), é obra. Com o mesmo rigor posso atestar que em 1985 dois finalistas de História escreveram numa frequência froid por Freud, é só um exemplo e se pegarem em livros de memórias de antigos estudantes de Coimbra encontrarão referências a várias patacoadas similares. Nisto discordo do Miguel Cardina: não é por se ter massificado que a universidade passou a ser frequentada por ignorantes (quanto muito há mais em termos absolutos), sempre uma houve uma boa percentagem que não lia, se limitava a marrar sebentas e a andar por aí. Alguns chegaram ao topo das suas profissões, ou por exemplo a deputado: a um vendedor de banha da cobra não se pedem conhecimentos de medicina…

A procura do luto

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Los fuzilamientos del 3 de Mayo no Madrid Bonapartista. Como os do Chile entre 1974 e 1989, que Sónia Ferreira estudou no sítio, orientada por mim.

Há lutos e lutos. Pela perda de um ser querido, por salvar à Pátria, por se rebelar contra militares assassínios, como no caso do Chile, que Sónia Ferreira estudou, com profunda tristeza, acompanhando as viúvas e mães que não conseguiam encontrar maridos e filhos. Tinham sido assassinados mas não perdiam a esperança… [Read more…]

Cromo do Dia: Ministério da Saúde e Hospitais

O cromo de hoje é triste e não adianta estar com trocadilhos humorísticos ou apontamentos caricatos. Seja porque houve desinvestimento nos transplantes (Paulo Macedo, ministro da saúde), seja porque os hospitais se consideram insuficientemente pagos, a lista de pacientes à espera de transplante de orgãos não pára de aumentar e estes não cessam de diminuir, com um número indeterminado de mortos por conta desta situação.transplantes.

Já não se trata de empobrecer o país em nome da “economia futura”, de emagrecer o nível de vida da população, ou de cortar no Natal e nas férias. Aqui a diferença é entre a vida e a morte. E isso povo nenhum devia tolerar.

Feriados: o 5 de Outubro e o tratado em Zamora que não é nenhum tratado

A importância de ter um feriado na data em que Portugal se refundou, deixando o medieval tempo dos soberanos por direito hereditário derivado da imprevidência divina, nem precisa de mais explicações. A I República teve os seus defeitos mas temos com ela a virtude de bem ou mal eleger quem nos governa, após 48 anos de interregno.

Há contudo outro 5 de Outubro, para quem tem da História a visão do Estado Novo: revisionismo, mentira e efabulação. É o caso dos que julgam comemorar nessa data o aforismo fascista do “quem não sabe a data de 1143 não é bom português” e dizem comemorar o “Tratado de Zamora“. Ora vamos lá ver, o Tratado de Zamora muito simplesmente não existe e nem é provável que tenha existido.

A 4 e 5 de Outubro de 1143 teve lugar em Zamora um encontro entre Afonso Henriques, Afonso VII e o Cardeal Guido de Vico, legado do papa Inocêncio II. Após o episódio de Arcos de Valdevez (1140) e mediado por João Peculiar “os dois primos assentaram na cessação das hostilidades“.

É este um episódio determinante na fundação de Portugal? nem por isso. [Read more…]

Comunicações sim, aquecimento não

Isabel Gonçalves

Ligações

Actualizada a página de ligações do Aventar, o que não era feito há muito tempo.

Como achamos justo retribuir a todos os blogues que nos fazem o favor de ter na sua listagem similar, também chamada de blogroll, e como se torna impossível assegurar que tal permuta é feita com justiça, agradecíamos que nesta caixa de comentários os injustiçados se manifestem. Obrigado.

Tentem agora tirar este


Fracos!

Versos anibais

Primeiro levaram o Oliveira e Costa
Mas eu não me importei,
porque não era presidente do BPN

 

Depois, apertaram com o Dias Loureiro
mas eu não me importei,
porque não era da SLN, nem tinha negócios offshore

 

Depois prenderam o Duarte Lima
mas eu não me importei,
porque nunca conheci a secretária do Tomé Feteira…
nem cometi (há o caso das acções e da Coelha… mas que diabo…) fraudes no BPN

 

Agora, estão a subir a escada…
estão a bater-me à porta…

 

E quando percebi
Já era tarde!

Da autoria do Samuel, que bem os podia cantar, embora não seja fadista.

meu, nosso? vosso?…

Acordo Ortográfico: a opinião de Fernando Venâncio

Vale a pena ler atentamente este texto de Fernando Venâncio sobre o Acordo Ortográfico. Para além da história e das histórias à volta do alegado acordo, estamos perante argumentos sólidos, irrefutáveis.

Ligação roubada do facebook de Francisco Miguel Valada

Da justiça no reino

“Como pode um cidadão comum compreender que um português acusado por um juiz, num tribunal de um país civilizado e nosso ‘irmão’, de matar uma portuguesa, além de outras práticas que serão crimes fiscais face à nossa lei, possa continuar a sua vida em Portugal, sem ser detido nem extraditado – enquanto o será se puser o pé logo aqui, em Badajoz…?”, interrogava-se José Carlos Vasconcelos num comentário publicado na revista Visão, a propósito de Duarte Lima.

Pode sim senhor, digo eu. Desde que conheça minimamente como funciona a justiça portuguesa. E digo-o por experiência própria, que, reconheço, poderá ser redutora porque se reporta apenas ao tribunal de Barcelos. Que em tempos do ancien regime, como diria o engº. Marinho, conheci bem. Já o afirmei aqui e repito-o agora, orgulhosamente, que cheguei a ter quatro TIR’s (Termo de Identidade e Residência), nos “gloriosos tempos” dos Reis e de Mário Constantino, essa inutilidade autárquica, talentoso supra-sumo da mediocridade política. Vi e ouvi de tudo. Uma juíza absurdamente ignorante que assinou um acórdão reconhecendo explicitamente que os conselheiros Acácio e Pacheco, caricaturas queirosianas que qualquer estudante medíocre do secundário conhece minimamente, eram nada mais nada menos que escritores consagrados ao nível do seu criador! Ouvi uma procuradora adjunta afirmar que eu deveria ser condenado porque manifestava “especial perversidade”, duvidando eu dos conhecimentos semânticos da douta magistrada, a quem antes tivera de, pacientemente, explicar a diferença entre uma notícia e uma crónica jornalística. Li um relambório embrulhado em citações várias num acórdão para disfarçar uma condenação que ainda hoje entendo pré-decidida, como se num prato qualquer, a diversidade dos molhos disfarçasse a má qualidade dos alimentos. Isto eu vi. Eu ouvi. Eu testemunhei. [Read more…]

Estou Cheio de Ser Roubado Por Filhos-da-Puta

De ontem. Transcrição de reclamação em Livro Amarelo n.º xxxxx49 de um município entre o Douro, o Sousa e o Leça.

“Serviço: Estacionamento CM_X – xxx

(…)

Motivo da reclamação: Dei entrada neste parque de estacionamento pelas 18h20, viatura xxxxx. – À entrada foi protelado o suposto pagamento de eur 0,15; como me demoraria cerca de uma hora, eu e o guarda acordámos que eu pagaria aquele valor à saída. – À hora da minha saída – 20h00 – foi-me exigida a quantia de 50 cêntimos. Paguei o valor. Guarda não entrega recibo. Volto a pedir a prova de pagamento. Guarda emite novo talão n.º xxx006 – com novo valor – 65 cent.- Estou em crer que o guarda desvia fundos porquanto não quis, de todo, receber os alegados 15 cent. em falta”.

[EU] – … mas, repare, eu só paguei 50 cêntimos, quero pagar o resto, os 65, tal como vem no recibo. [Guarda]– ah, não faz mal, não faz mal. [EU] – A ver se percebi: o sr. está-me a oferecer 15 cêntimos? [Guarda] – Está tudo bem, não há problema. (…) [EU] – o Livro Amarelo, por favor. [Guarda] – Mas o que é que o senhor quer escrever lá? (…)  Não sei se o tenho. [EU] – Não faz mal, se não o tiver resolve-se já o problema de outra forma. (…)