Conversa de café

adão cruz

Estava eu no café e na mesa ao lado dois amigos conversavam. Um deles tinha o Jornal de Notícias aberto de par em par e dizia para o amigo:

-Já viste isto, pá, quatro ou cinco páginas sobre os pupilos do Cavaco? Este já foi dentro. Qualquer dia vai ele.

-Eh pá, não mandes bocas foleiras, porque o homem nem sequer foi acusado. [Read more…]

Vai ser um verdadeiro 31!

O 31 da Armada fez 5 anos. Resolveu festejar a 25 de Novembro no Campo Pequeno com a apresentação de uma curta-metragem (segundo sei já inscrita num festival internacional de curtas) chamada “O Jacaré” – A Vida e a Obra de José Pacheco Pereira.

Não lembra ao Diabo. Lembra a Deus! Aliás, só podia lembrar a Deus e aos seus companheiros do fabuloso 31 da Armada produzir e realizar uma curta metragem sobre Pacheco Pereira e lançar a dita num cinema, mais precisamente, numa das salas de cinema do Campo Pequeno em Lisboa (19h30 da próxima sexta-feira).

Se fico admirado? Não. É genial como só RMD sabe ser. Como é normal no 31 da Armada.

Meus caros(as), se vivem em Lisboa ou perto, não percam este momento histórico da blogosfera portuguesa.

FELICIDADE

Estou tão feliz que não caibo em mim. Silvio Berlusconi lançou um disco novo e eu ainda não o ouvi.

O vinho e o Direito do Consumo

O vinho, de harmonia com o Regulamento (CE) n° 1493/1999, do Conselho, de 17 de Maio de 1999, define-se como o produto obtido exclusivamente por fermentação parcial ou total de uvas frescas, inteiras ou esmagadas ou de mostos.

Cautelas peculiares se impõem no que tange ao consumo do vinho e demais bebidas alcoólicas por jovens, em natural processo de formação…

Já o DL 9/2002, de Janeiro, previne no seu preâmbulo: 

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Organizem-se!

Embora resista ao vocabulário obsceno – pelo menos quando escrevo – confesso que a vontade de publicar dois ou três palavrões começa a tomar conta de mim. Antes de me explicar, e cedendo já ao impulso, deixem-me só lembrar uma anedota alarve que me fazia rir na adolescência igualmente alarve durante a qual era preciosa qualquer ocasião que nos permitisse proferir palavreado mais forte. Rezava, então, assim a dita anedota: numa orgia sexual, para apimentar a coisa, resolveram apagar as luzes. Ao fim de meia hora, um homem gritou: “Ó pá, organizem-se! Já me foram três vezes ao cu e ainda não comi nada!”

A troiana Cassandra recebeu de Apolo a faculdade de adivinhar o futuro. Por se ter recusado a favorecer sexualmente o mesmo deus, foi amaldiçoada: ninguém acreditaria nas duas profecias.

Os economistas instalados no poder ou próximos do poder ou os poderosos que falam sobre economia andam há três ou quatro anos a explicar o que deveremos fazer para que os mercados acalmem e deixem de nos atazanar a vida. De cada vez que tomam uma decisão, afirmam que agora é que é, agora é que os mercados vão acalmar, agora vai tudo correr bem, de certeza absoluta.

Foi assim com os PECs socráticos, assim foi com a austeridade crescente do passismo cada vez mais passadista, tal como aconteceu com a Grécia. Com a eleição de Rajoy em Espanha, os entusiastas da seita ergueram as mãos para os céus em agradecimento. Agora é que os mercados iam, finalmente, mesmo, de certeza, acalmar. Surpreendentemente, para quem queira ser surpreendido, parece que não.

Pelo menos, a heroína troiana não cedeu aos apelos lascivos chegados do divino. Os poderosos economistas ou os economistas poderosos da actualidade comungam com Cassandra os discursos sobre o futuro. Ao contrário de Cassandra, não acertam uma e, para cúmulo, não passam de umas putas que dormem com os mercados e com os bancos e com os empresários, enfim, com quem lhes paga.

Pela minha parte, que não pedi para participar neste bacanal, gostaria muito que se organizassem.

PIIGS já se escreve com o agá de Hungria

Chegou (ou regressou) a Hungria, que acaba de pedir “ajuda” ao FMI. Com um governo de direita, fora do euro, a Hungria terá sido vítima de quê? dos mercados, da especulação e da crise internacional que provocaram, não foi que isso não existe. Deve ter sido bruxedo. Só pode.

Entretanto procurem bem pela notícia que encontrei por mero acaso. Está escondida, para ninguém saber. É segredo, tal como o facto de os mercados estarem a votar em Espanha desde ontem e Rajoy antes de tomar posse a ir da rajada.

Anonymous Portugal explicado a jornalistas

Esta é a resposta dos Anonymous Portugal a uma peça da SIC.

Ai Weiwei, o artista no bafo do dragão

Mesmo na China, Ai Weiwei viveu dias de glória. Quando os artistas chineses explodiram nos mercados internacionais de arte, o regime exultou ainda que não apreciasse sinceramente os seus trabalhos. A China impunha-se – para lá do milagre económico, da industrialização galopante, da revolução tecnológica – também como brilhante produtor de cultura contemporânea.

O pico do reconhecimento por parte do regime aconteceu quando Ai Weiwei se associou aos arquitectos Jacques Herzog e Pierre de Meuron no projecto do Ninho de Pássaro, o estádio nacional de Pequim. Depois foi o descalabro – Weiwei critica os jogos olímpicos e, sobre a cerimónia de abertura e as pretensamente artísticas coreografias, declara: ” É horrível. Eu não gosto de quem abusa desavergonhadamente da sua profissão, de quem não faz julgamento moral”.

Seguiu-se a investigação ao número de estudantes vítimas do terremoto de Sichuan e da deficiente construção das escolas. Ai recenceou 5.385 nomes de estudantes mortos e publicou a lista no seu blogue, assim como outros elementos recolhidos na sua investigação. O blogue foi fechado pelas autoridades. Ai escreveu os nomes no muro do seu conhecido atelier de Design, FAKE. As autoridades chinesas não podiam aceitar as críticas de Weiwei à falta de democracia, o seu apoio à dissidência, as suas posições políticas pró-transparência. A seguir Ai tentou testemunhar a favor de um inspector que investigara as condições de construção nas escolas. Foi espancado pela polícia e teve que ser operado na Alemanha para estancar uma hemorragia cerebral resultante da agressão.

Em 2010 foi colocado em prisão domiciliária. Em Janeiro de 2011 o seu estúdio foi demolido, acusado de ser ilegal. Dezenas de obras foram destruídas. Em Abril foi preso de facto e o seu paradeiro desconhecido durante meses.

Depois disso foi acusado de fuga aos impostos e tem vivido um processo kafkiano que parece não ter fim, com números exorbitantes envolvidos e quantias astronómicas exigidas por cada recurso ou contestação.

Agora uma inocente fotografia de Ai Weiwei nu, acompanhado por quatro mulheres igualmente nuas [Read more…]

Pois pois

IRS 2011, aviso muito importante

Não se esqueça de preencher em pessoas a cargo:

Mercados financeiros e outros especuladores, BPN em particular e banqueiros em geral, Alberto João Jardim e respectivo séquito, ex-titulares de cargos públicos na reforma, ex-ministros trabalhando em parcerias público privadas, EDP,  empresários contemplados com contratos de prestação de serviços ao estado que o estado deveria assegurar pelos seus próprios meios, escritórios de advocacia contratados pelo governo, hospitais privados, colégios com contratos de associação, transportes privados subsidiados, governantes actuais quando passarem a ex-governantes e outros assaltantes não identificados.

(versão minha a partir de uma ideia que circula no facebook)

…e rasgaram as minhas vestes…

rasgai.jpg

…para a camaradagem do Aventar….pensemos…

1. A memória social.

A memória não é apenas de cada indivíduo. Essa é a lembrança que o ser humano tem, ou os pensamentos que acarinha, ou, como já disse John Locke em 1695, a consciência que é formada em cada um de nós com a experiência. O saber pelo qual agimos acaba por estar no meio de todos os seres humanos que partilham a experiência quotidiana da vida.

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Hoje dá na net: “À Rasca – Retrato de uma Geração” e “Praça sem Sol”

Dois podcasts sobre os dias conturbados que vivemos. O primeiro saiu de um local inesperado, a Prova Oral, da Antena 3. Aquece após o minuto 12. O segundo, «Praça Sem Sol»,  é uma reportagem da TSF sobre a acampada na madrilena  Puerta del Sol.

Para ouvir e reflectir, até quando se fazem outras coisas, que nisso a rádio é imbatível.

Censura? Onde???

O Primeiro-ministro colocou ontem uma mensagem no seu facebook. Temos um PM que utiliza as redes sociais. Muito bem.

Sou um defensor da utilização das redes sociais e faço duplamente, a título pessoal e de modo profissional. Entendo que os políticos não são diferentes dos restantes e, por isso mesmo, devem marcar presença na web 2.0

Só acho, sinceramente, que não devia permitir comentários com insultos. Qualquer um de nós, na sua página do facebook ou no seu blogue, não tolera determinado tipo de insultos e isso não é censura, é higiene.

O JJC – com quem estou zangado pois não apareceu para tomar um copo e com quem estou grato por me ter dado uma ajuda preciosa – postou aqui em baixo sobre a mensagem do PM. Abordou ao de leve a questão da censura. Não concordo. Não existiu censura. Existiu, isso sim, limpeza de insultos inacreditáveis. Comentar discordando, tudo bem. E isso não foi censurado.

Passos Coelho foi ao Facebook

Deixar uma mensagem aos governados via Facebook, com os comentários mais ou menos abertos (há quem se queixe de ter sido apagado, mas pelo menos hoje não há lápis azul mais rápido do que a própria sombra) em princípio é uma boa ideia em termos de comunicação. O texto é um choradinho chovendo no húmido, uma tentativa pobrezinha de mostrar o lado humano do governador, no fundo o que interessa é que enquanto o pessoal comenta ocupa a raiva e não anda a partir montras.

Financeiramente falando isto vai implicar uns assessores a trabalhar por turnos pelo menos nos próximos dias. É caro, mas enquanto estão ali sempre ficam entretidos e não se metem na dróga.

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