Os Controladores do Ar Fazem Greve Geral à Portuguesa

Tenho de começar por dizer que não faço greve, nunca fiz e de certeza que nunca farei.

Não concordo com greves e não acho que resolvam seja o que for, ainda para mais em Portugal e numa altura em que é preciso produzir e gerar riqueza.

A greve, direito inalienável dos trabalhadores, nunca resolveu nada em Portugal, desde que após a revolução, a implementaram.

Tinha prometido a mim mesmo e a alguns dos meus próximos, que sobre este assunto iria escrever nada, mas voltei atrás com o que disse, e isto porque a Ryanair, decidiu cancelar vários voos, entre os quais um de Paris para o Porto, no dia 23 p.f. pelas 22h, hora local, e chegada às 23h50, hora do Porto, com a desculpa da greve dos Controladoresd Aéreos Portugueses.

Mas a greve anunciada é só no dia 24 de Novembro, GREVE GERAL EM PORTUGAL, pensei eu, e o voo efectuar-se -ia no dia 23.
Não entendi e dirigi-me ao Aeroporto de Pedras Rubras, ao balcão da Ryanair.

Aí, a muito simpática, e diga-se em abono da verdade, quase bonita funcionária, informou-me que a Companhia de Aviação, não poderia fazer de outra forma já que, a  

Greve dos Controladores Aéreos Portugueses marcada para o dia 24 de Novembro,

o dia da Greve Geral em Portugal, jornada de luta dos trabalhadores contra este Governo que os oprime,

começa às 22h do dia 23.

E assim se luta pela saída da crise em Portugal.

Noruega dá 58 milhões de euros a Portugal

A Noruega, um dos países mais ricos do mundo e que ocupa o 1º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, vai atribuir 58 milhões de euros a Portugal (o Lichtenstein e a Islândia contribuem com 5% desta verba).

Não deixa de ser irónico que seja um país que faz tudo ao contrário das teorias neoliberais a dar esta esmolinha aos defensores da tanga “menos estado, melhor estado”.

Vejamos: Na Noruega 95% das escolas são públicas e os bons estudantes recebem bolsas para se matricularem nas melhores universidades mundiais. O petróleo (o grande recurso nacional) é propriedade do estado. O estado-providência não é posto em causa, é alimentado com os lucros do petróleo estatal (fundo de 400 mil milhões de euros) e apenas 4% dos lucros de cada ano podem ser usados para equilibrar o orçamento do Estado. A consulta popular é prática comum quando se debatem questões importantes. Os rendimentos de todos os cidadãos são públicos e estão disponíveis para consulta na net. A paridade entre sexos é rigorosa, tanto no sector público como no privado. O fosso entre ricos e pobres é dos menores do mundo e os noruegueses acreditam que as desigualdades corrompem as sociedades e os estados. A redistribuição é regra e é fomentada pelo ministério da Infância, Igualdade e Inclusão Social que movimenta mais dinheiro (cinco mil milhões de euros) do que os min. da Pesca, Agricultura e Cultura todos juntos.

É, portanto, giro ver estes estatistas couraçados oferecer dinheiro aos nossos neoliberais iluminados e emproados que governam povos cada vez mais empobrecidos. Talvez aprendam (duvido) que a regra do futuro é mais estado, melhor estado.

Cromo do Dia: Vítor Gaspar

Ainda não tinha aparecido na caderneta apesar de o merecer há muito tempo. Mais troikista do que a troika, “bom aluno” para além do exigido, seguidor incondicional da cartilha dos mestres que escolheu como seus, foi atempadamente avisado por vozes mais críticas e atentas de que a implementação destas medidas conduziria inevitavelmente o país à recessão e ao empobrecimento forçado das classes médias. Agora Vítor Gaspar vem anunciar que 2012 será pior do que o previsto. Previsto? Assim de repente lembro-me de tantas personalidades a fazer essa mesma previsão, desde o início, que não tenho espaço para as elencar aqui. Cromo verdadeiro, está visto.

ministro das finanças

Dívida pública: um casamento de inconveniência

Para mim, que percebo tanto de Economia como muitos economistas, ou seja, nada, é aceitável a ideia de que os cidadãos de um país tenham de pagar as dívidas contraídas por esse mesmo país, tal como, de certo modo, deverá acontecer entre cônjuges num casamento com comunhão de adquiridos.

Recorrendo, ainda, à imagem do matrimónio, o modo como a história da dívida pública está a ser-nos contada pelos governantes poderia corresponder a qualquer coisa como um marido, depois de gastar o dinheiro comum em jogos de azar e em jantares com amigos, acusar a mulher de ter arruinado o casal por causa de um vestido que comprou há dois meses. O marido, representando, aqui, o governo, criticaria, então, a mulher, usando a frase da moda: “Tens andado a viver acima das nossas possibilidades.” Já se sabe que a pobre esposa será obrigada a contribuir para o pagamento da dívida, mas, a não ser que seja destituída, não admitirá que lhe atirem à cara culpas que não tem.

Tal como a esposa vilipendiada, até posso admitir que sou obrigado a pagar as asneiras de outros. Agradecia, no entanto, que não me dissessem que a gestão continuamente danosa de instituições como hospitais, meios de comunicação ou Segurança Social, a destruição sistemática do tecido produtivo ao longo de vários anos, as parcerias de lucros privados e prejuízos públicos, a nacionalização de um banco à custa dos contribuintes ou o desperdício sempre infindável e actual dos delírios madeirenses se devem ao facto de eu ter vivido acima das minhas possibilidades.

É claro que qualquer esposa tem, sobre mim, a grande vantagem de poder recorrer ao divórcio ou de usar uma frigideira como arma de arremesso. Mesmo não tendo escolhido o valdevinos com que me obrigam a viver, não só tenho de pagar o dinheiro que ele me gasta como ainda tenho de o ouvir dizer que a culpa é minha. Para além disso, não tenho força suficiente para atirar frigideiras para São Bento ou para Paris.

Um país doente e ignorante

Depois de, durante mais de trinta anos, os recursos do país terem sido ora mal geridos ora subaproveitados, o governo assumiu-se como mera comissão liquidatária do Estado, chegando ao ponto de usar o argumento de que devolver hospitais às misericórdias constitui um acto de justiça para com as instituições que foram prejudicadas pelas nacionalizações resultantes do 25 de Abril. É claro que Passos Coelho só quer acabar com o Estado e entregar aos privados negócios chorudos, como é o caso da Saúde, contribuindo para criar um país em que só os ricos poderão ter direito a bens que qualquer homem civilizado considera essenciais. É claro que Passos Coelho está a contribuir para que regressemos ao dia 24 de Abril.

No entanto, para manter aqui alguma abertura, proponho o seguinte: se se chegar à conclusão de que faz algum sentido devolver algo aos privados que tenham sido prejudicados pelas nacionalizações, que tal recuar mais um bocadinho e indemnizar as famílias de todos aqueles que o salazarismo privou de educação, de saúde, de dignidade, de pão, entre outras privações?

No Público de ontem, é possível ler um trabalho magnífico da Graça Barbosa Ribeiro (disponível em papel) em que ficamos a conhecer quatro casos de professores entre os 30 e os 41 anos, vivendo entre o desemprego e a incerteza, quatro casos de recursos desperdiçados, quatro vidas obrigadas a passar por dificuldades graças à incompetência de quem governa. Rita Vilas trabalha a 300 km do filho de seis anos, Cláudio Vieira está em casa, desempregado, com a mulher e um filho recém-nascido, Sandra Teixeira diz que está a adiar a grande desilusão da sua vida e Ana Teresa Morão declara que se sente traída pelo Estado. [Read more…]

Sobre a estratégia comercial de uma marca de camisolas

bento bosingwa

Uma marca de camisolas tornou-se conhecida devido às imagens chocantes que usa na sua estratégia de comunicação. Poderia ter usado as que ilustram as miseráveis condições das ocidentais-deslocalizadas fábricas orientais mas preferiram o choque do conforto. Eram imagens preparadas mas retratavam alguma realidade, nem que fosse a do estúdio de fotografia. Agora deram um passo na direcção da irrealidade. Pouco importa, o objectivo de chamar a atenção continua a funcionar e diverte-me imenso que até a esquerda, tão ciosa dos males do capitalismo selvagem e tal, opte por ser parte dessa campanha quando o tema chega à religião.

A ingratidão da tristeza

homem triste

Para esse pai que soube guardar as suas tristezas, Alfredo Moreira, meu discípulo.  

1. Não procuro um inimaginável mundo novo, como Aldous Huxley pretendeu em 1932. Quero lembrar uma espécie de código para a criança. E reconhecer a existência da tristeza no mundo em que vivemos para o que basta ouvir as notícias que nos atingem e nos deixam…tristes. Tristeza que a infância não compreende.

A criança usa outra epistemologia para classificar o mundo. Não há os de cima e os de baixo, os da direita e da esquerda. A criança está a aprender. Os conceitos não são um peso para elas. A criança é um conjunto de sentimentos. Se compararmos a sua atitude com a do adulto, entendemos a diferença: o adulto raciocina, escolhe, opta, respeita as hierarquias ditadas pela lei ou pelo costume. Ordem cultural para ser obedecida se quer interagir e ser aceite na sua interacção social. Como Adam Smith formulou em 1759 na sua teoria dos sentimentos morais: para sermos aceites, é preciso sermos simpáticos. Foi nesta base que organizou em 1777 a sua teoria da riqueza das nações. Teoria formulada para proveito pessoal, individual. Teoria que ainda hoje nos governa, mais depurada, apurada e selectiva. Por pretender proveito, fama, boa reputação, poder, hierarquia. Sem estas mais-valias, a alegria desaparece. É substituída pela tristeza. [Read more…]

Hoje dá na net: Robin Williams – Inside the Actor’s Studio

Robin Williams – Inside the Actor’s Studio: brilhante performance de Robin Williams, que quase se deixa entrevistar por James Lipton, em duas horas de improviso. Página no IMDB. Em inglês, sem legendas.

Faltou ao PSOE a ajuda do grande comunicador

Sem uma ajuda em espanhol técnico, viu-se no que deu.  E Paris tão perto…

Já agora, uma nota sobre as eleições espanholas. Ao passar os olhos nos comentários da esquerda, noto que o tom incide com frequência na suposta má escolha que os espanhóis fizeram. Se é boa ou má, não sei, já que nem sou espanhol nem tenho acompanhado a política espanhola. Mas eles lá devem saber e, mesmo que não saibam, o povo ainda é soberano. Ou só o será quando o resultado é o desejado?

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