Uma questão de baixeza

O Secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, terá dito hoje que “em termos relativos, o salário mínimo não é realmente baixo em Portugal”.

Nem me importa saber quais são os estudos em que se baseia semelhante afirmação. Nem sequer a valia académica ou certeza objectiva dos mesmos.

O que eu valorizo mais é a pena que tenho de não se poder conceder, a quem afirma tal coisa, a oportunidade de provar no plano real as afirmações que faz. Ou seja, dar a oportunidade a Pedro Martins de viver com o salário mínimo.

Não tardaria que fizesse de tais estudos o uso reciclado de papel higiénico. Até mesmo por necessidade.

Já agora, a notícia era comentada com o facto de ter havido deputados que deram gargalhadas perante tal afirmação. É espelho de quem se diz representante do povo na casa da democracia: não deviam ter rido, mas, sim, vaiado. Porque a miséria não admite graças.

Imposto de circulação: as distracções pagam-se caro

Em Fevereiro de 2008, a cobrança mensal do imposto único de circulação, antigo imposto de selo, foi adiada pelo Governo devido a problemas informáticos. Milhares de contribuintes acotovelavam-se então nas Repartições de Finanças para tentar, sem sucesso, efectuar o pagamento.

Três anos depois, o Fisco está a intimar toda essa gente a pagar 15 euros de multa pelo pagamento fora do prazo.

É curioso: o Ministério das Finanças adiou o prazo de pagamento, mas agora quer cobrar multa a quem pagou dentro do novo prazo. Como dizia aqui no Aventar o Jorge Fliscorno, as datas de pagamento estão informatizadas mas a informação de quem pagou a multa, não.

Das duas, uma: as Finanças têm razão e houve contribuintes que se esqueceram de pagar na devida altura ou as Finanças distraíram-se e não inseriram nos computadores os nomes dos que pagaram quando deviam. Partindo da segunda hipótese, podem as Finanças ter caído na tentação de cobrar mais uns dinheiros a alguns contribuintes distraídos ou suficientemente desorganizados para não saberem onde deixaram a porcaria do comprovativo.

 Leituras adicionais:

Prorrogado pagamento do imposto único de circulação até 25 de Fevereiro

Ministro das Finanças nega novo adiamento para o imposto de circulação automóvel

Imposto automóvel adiado

 

Era uma vez um país muito muito pobre

Há muito pouco tempo, num país muito muito perto, os governantes disseram que o país só ficaria rico se os seus habitantes ficassem cada vez mais pobres, tal como já tinha feito um outro governante do mesmo país que andava sempre de botas e que acabou por cair de uma cadeira.

Esses governantes já tinham sido governantes e eram amigos de outros que também já tinham sido governantes. Como eram muito comilões, passaram anos a comer o que era deles e, sobretudo, o que era dos outros. Também deram de comer aos amigos e aos amigos dos amigos. Um dia, descobriram que a comida tinha acabado e puseram a culpa nos habitantes.

Os governantes começaram, então, a tirar tudo aos habitantes do país, e disseram que os habitantes tinham sido uns privilegiados e que, agora, precisavam de aprender a viver com menos ou que até deviam pensar em ir para outros países ou que era uma sorte perderem apenas quase tudo o que tinham, porque é melhor do que perder tudo o que tinham.

Como os habitantes não estavam habituados a contrariar governantes, vieram grandes fomes e doenças. Os habitantes que se revoltaram não eram ouvidos ou eram calados. Muitos habitantes morreram, porque os médicos deixaram de tratar os que não tinham dinheiro para pagar os tratamentos. Outros habitantes passavam tanta fome que chegaram a beatificar o bolor de um pão encontrado no lixo. Outros fugiram para países distantes, onde aprenderam a ler de tal maneira que perceberam que não podiam voltar para o país deles.

Ao fim de alguns anos, deu-se o milagre: os habitantes que ainda estavam no país ficaram muito pobres e agradecidos. O país estava, agora, muito muito rico.

O amor não tem idades, nem limites

Nesta novela de quem ganha mais, público ou privado, e perante o remorso do Tomás Belchior por me ter empurrado para os braços de Manuela Ferreira Leite, confesso que não reparei e sinceramente a senhora não faz o meu género por razões que me abstenho de divagar mas em nada se prendem com a idade. Digamos que foi apenas um beijinho.

Mas como troquei com o Tomás umas ideias sobre um célebre estudo da Capgemini, do qual só se conheceria uma nota do Correio da Manhã, lamento pela minha parte se o vejo muito enleado com o ex-ministro Teixeira dos Santos. É que nos idos de 2006 houve uma troca de palavras entre o ele e o então deputado Eugénio Rosa, que o Diário de Notícias narrou assim: [Read more…]

Que é da Democracia?

Um Primeiro-Ministro de um país declara, talvez demasiado tarde, provavelmente sem convicção, quase certamente por calculismo, que é necessário fazer um referendo para que os cidadãos desse país, independente, possam decidir sobre a sua vida, exercendo o conteúdo de uma palavra inventada pelos seus antepassados.

Num outro país com quem a Europa tem dívidas que nunca poderá pagar, um Primeiro-Ministro, que sempre preferiu ser Bórgia a ser Cícero, foi obrigado a sair do poder, após anos de escândalos, como, por exemplo, o de ser dono de jornais e de televisões e de um clube de futebol.

Um terceiro país desperdiçou a oportunidade da Democracia para se transformar numa pátria, depois de ter desperdiçado meio século a acentuar um atraso que ainda está a pagar.

A Europa, que já foi raptada por um deus grego, está hoje sujeita a gentinha sinistra como Merkel, Sarkozy ou Barroso, gente para quem a Democracia é um adorno, ou seja: pode-se usar, desde que não atrapalhe. Percebe-se, então, por que tanto aplaudem Primeiros-Ministros que não foram eleitos. Provavelmente, aplaudem porque não foram eleitos.

Os governos desses três países procuram cumprir à risca as ordens da gentinha sinistra, ignorando, naturalmente, os interesses dos cidadãos do seu próprio país, até ao dia em que estes acordem e se lembrem do verdadeiro significado de uma palavra inventada há mais de dois mil anos.

Empresas sociopatas

Público on-line - clique na imagem para obter o artigo

Esta história da engenharia financeira usada como forma de fugir aos impostos afigura-se-me como qualquer coisa fundamentalmente injusta. Afinal, se os lucros são obtidos num determinado local, sob um conjunto de regras de negócio previamente estabelecidas, usufruindo dos recursos humanos e materiais desse local, apenas seria justo que esses impostos fossem pagos no sitio onde os lucros são gerados.

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A Vítor Gaspar soletrado em três palavras: filho da puta

Trata-se de intervenção do ministro da Economia, que estaria a submeter ao colectivo medidas de intervenção na economia. Terminada a exposição, o ministro Vítor Gaspar afirmou seca e cortantemente: “Não há dinheiro”. Mas Santos Pereira insistiu; e então o ministro das Finanças retorquiu-lhe apenas: “Qual das três palavras é que não percebeu?”. É, efectivamente, um bom número, mas que revela três coisas inquietantes: a pesporrência de Vítor Gaspar, a falta de respeito dele para com o PM e a incapacidade deste para meter na ordem o seu ministro das Finanças.

Magalhães e Silva citando Maria João Avillez

E em filho da puta, qual será a palavra que Vítor Gaspar não percebe?

A epistemologia da infância: ensaio de Antropologia da Educação

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O falecimento de Celso Costa, em 18 de Outubro deste ano, fez-me lembrar das nossas conversas e dos trabalhos partilhados com a sua mulher, Maria Luiza Cortesão, desde 1984, em Alfândega da fé. Este original ensaio, é dedicado a ela dedicado a ela, Luiza. Entre os Zuzarte Cortesão, se escreve de forma tradicional.

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Com Monti no governo italiano, a música será outra?

Mário Monti e o governo italiano
Vittorio Monti e as Csárdás
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