Com recurso ao PIB, hoje conhecido indicador dos portugueses, programam-se estratégias e estabelecem-se objectivos que, na maioria dos casos, conduzem a visões e práticas tecnocráticas e economicistas, em sacrifício da qualidade de vida dos povos. De resto, é este o fenómeno a que assistimos no mundo, em especial na Europa.
Usado como parâmetro de aferição polivalente, o PIB serve também para avaliar a qualidade de vida relativa entre nações, como demonstra o quadro seguinte, construído a partir de documento do Eurostat.
PIB per capita em unidades PPS (Poder de Compra Padrão)
|
Posição |
País |
2008 |
2009 |
2010 |
| UE (27) |
100 |
100 |
100 |
|
| Z.Euro(17) |
109 |
109 |
108 |
|
|
1.º |
Luxemburgo |
279 |
266 |
271 |
|
2.º |
Holanda |
134 |
132 |
133 |
|
3.º |
Irlanda |
133 |
128 |
128 |
|
4.º |
Áustria |
124 |
125 |
126 |
|
5.º |
Bélgica |
116 |
118 |
119 |
|
6.º |
Alemanha |
116 |
116 |
118 |
|
7.º |
Finlândia |
119 |
115 |
115 |
|
8.º |
França |
107 |
108 |
108 |
|
9.º |
Itália |
104 |
104 |
101 |
|
10.º |
Espanha |
104 |
103 |
100 |
|
11.º |
Chipre |
99 |
100 |
99 |
|
12.º |
Grécia |
92 |
94 |
90 |
|
13.º |
Eslovénia |
91 |
87 |
85 |
|
14.º |
Malta |
79 |
82 |
83 |
|
15.º |
Portugal |
79 |
80 |
80 |
|
16.º |
Eslováquia |
73 |
73 |
74 |
|
17.º |
Estónia |
69 |
64 |
64 |
O quadro mostra que, na Zona Euro, Portugal está no 15.º lugar no índice de PIB per ‘capita’. Superamos, apenas, a Eslováquia e a Estónia; esta última aderiu ao Euro em 1 de Janeiro de 2011.
Somos um País que, por políticas erráticas em mais de 3 décadas, desde Cavaco como PM, desprezámos a agricultura, a pesca, a indústria e os serviços que solidificariam uma economia estruturada, robusta e socialmente capaz na produção e distribuição de riqueza.
Não fizemos nada disso. Preferiu-se privilegiar certas infra-estruturas, como vias rodoviárias, equipamentos sociais e de saúde, a pedido de autarcas dos partidos do poder – o chamado triângulo dourado dos Hospitais de Torres Novas, Abrantes e Tomar é apenas um exemplo. As obras de fachada, e algumas onde é possível imaginar interesses ocultos e espúrios, como o CCB, a Expo 98 e os 10 Estádios do ‘Europeu 2004’ também ajudaram ao descalabro.
As PPP’s promovidas por consórcios e bancos, por sua vez, impulsionaram-nos para a hora actual e amarga da troika. E a troika e a UE da Sra. Merkel, é claro, obrigam-nos a viver – até quando? – nas órbitas mais nefastas em torno do PIB, ou seja:
- Temos o programa do défice para atingir o máximo de 3% do PIB até 2013;
- Os resultados da cimeira da UE de 9 de Dezembro apontam para a inscrição dos limites de –0,5% do PIB de défice nominal e de 60% do PIB para o endividamento público.
Com um PIB que, entre 2008 e 2010, variou de 169.305 milhões para 170.834 milhões de euros, i.e., crescimento praticamente nulo e uma quebra para 166.981 milhões de permeio (2009) e, sem dinheiro nem projecto capaz, dificilmente Portugal entrará numa rota de desenvolvimento no sentido de deixar o ante-penúltimo lugar da tabela antes exibida.
Ainda a propósito do PIB. Ainda agora o PM, Passos Coelho, se anda a ufanar de atingir um défice de 4,5% do PIB, abaixo, portanto, dos 5,9% negociados com a ‘troika’. À imagem do que o PS fez o ano passado com os fundos da PT, também a coligação governamental, PSD+CDS, se valeu de receitas extraordinárias dos Fundos de Pensões da Banca para equilibrar contas. Engenharias financeiras ou pesadas heranças que o ‘arco do poder’ deixa às gerações futuras.






Quem não sabe é como quem não vê