A essay on the old Christmas values (and why the fuck hell is everybody expressing themselves in English!??!)

A véspera de natal chegou, a alegria e solidariedade pairam no ar, os filmes que ninguém vê, mas fazem uma boa banda sonora/som ambiente estão a dar na TV, as prendas vão para o carro na esperança (e exigência) de voltarem mais dos que as que vão, chegámos, toda a família reunida (e não é incrível como apenas com a promessa de bons presentes e algumas notas de valor significante é que aguentamos um dia inteiro de família com a conversa da treta, e as historias orgulhosamente contadas como se alguém realmente estivesse a ouvir (sejamos sinceros, não são sobre nós, não interessam, ponto); ou mesmo como se alguém lhes desse algum valor, desde que no fim acenemos com a cabeça e dê-mos uma ligeira gargalhada (e só depois nos apercebemos que era a sua triste e dolorosa historia sobre o seu tempo de tortura pela PIDE), as crianças correm e brincam (gritam, empurram, sujam), alegres pela casa (pudera, malditos roubaram-me as prendas, aqueles pequenos idiotas, que vieram ocupar o nosso lugar central como receptor central das prendas da família), os familiares mais idosos (e desdentados, o que estranhamente não os impede de teimosamente não desistirem de nos virem beijar) que passamos o ano inteiro a fingir estar interessados e a fingir ouvi-los (provavelmente naquelas duas vezes que os fomos ver ao lar) só pela promessa de vários notas de valor significante no dia 25 de Dezembro, o delicioso cheiro a fritos de natal pela casa (não são fritos são “gastronomia tradicional da época” e por isso não á problema enfardar daquilo aos quilos de cada prato), o bacalhau está na mesa (porque neste dia há que respeitar as tradições do país e comer o que é tradicional português e portanto peixe norueguês, acompanhados com as, muito, provavelmente, couves e batatas de origem espanholas, e o vinho do Porto feito em Inglaterra, na porcelana francesa, (Ah, que jantar tão nacional), o jantar acaba, pratos sujos, guardanapos e talheres sujos por todo o lado, pedaços e nódoas na zona daquelas pessoas que fazem mais sujeira (isto está a ficar nojento), que venha o açúcar das azevias, e dos filhoses, já só faltam poucas horas para o Pai natal chegar ou o menino Jesus (não quero discriminar entre aqueles entre aqueles que acham ridícula a ideia de um velho pançudo de barbas brancas e fato vermelho que vem pelo céus, a conduzir um trenó puxado por renas voadoras, a distribuir prendas de casa em casa, de chaminé em chaminé, prendas essas feitas por duendes de fatos, fechados numa fabrica no Pólo Norte, que só nós dá prendas se nós portarmos bem, e acham normal e evidente que esteja um velho pançudo de barbas brancas e fato/Túnica branca, a viver no “céu”, onde gere o mundo (e pelo bela e maravilhosa gestão que está a fazer presumo que seja mais um autocrata com estágio na administração da Golden Sachs) e decide o destino do mundo, menos aos domingos, 7º dia, que é o dia de folga do todo-poderoso, o omnipotente, que nos recompensa se nos portar-mos bem e nós deixa entrar no “céu”; e vice-versa), só falta um qualquer tio ou primo bêbado, um avozinho a resmungar com qualquer um (mas principalmente para a TV) que não seja da mesma geração que ele e portanto de um geração, pelos vistos, pobre, miserável, inútil e culpada por todos os males existentes no mundo, e que toda gente vai ignorar, as crianças brincam e correm e perguntam de dez em dez segundos se “já podemos abrir as prendas?” com aqueles ar maléfico de quem está prestes a começar um massacre sangrento (há quem veja um olhar amoroso, ansioso, infantil e ingénuo, bando de mariconços, é olhar maléfico), uma avô e uma tia qualquer (que não é solteirona encalhada, é solteira por opção, está sozinha por que quer), que falam mal (não é mal, é só falar deles, mas ninguém está a dizer mal de ninguém, apenas a salientar o lado negativo da vida das suas vidas) de todos os membros da família que não estão lá, tal como dos vizinhos que lhes falaram de uma maneira ligeiramente diferente da ideal e portanto são odiados para sempre, toda este entediante e pequeno sacrifício para a carnificina de papel e plástico rasgado, que agora chegou, mas vale a pena os gritos “ está é de …”, “está é para…” papeis a voar, caixas a um canto, obrigados e outros agradecimentos vagos para o ar, o estragar dos presentes começa, ao mesmo tempo que se cria o embaraçoso período em que “ bem já tenho todo o que vim buscar, mas não posso bem ir embora agora, ia parecer mal, vou ficar mais um pouco só para ser educado”.
Nota: Eu sei que estou a falhar partes mas o papel higiénico onde estava a escrever isto acabou e além disso eu tinha poucas prendas de maneira que os matei a todos o ano passado, só pelas prendas, afinal se não é este o verdadeiro espírito natalício, qual é?

Alexandre Teles

Comments

  1. Nome Obrigatório says:

    Porque é que nao dá mas é um tiro na cabeça em vez de escrever estas tretas ??

    • maria celeste d'oliveira ramos says:

      BOA – e com uma taser” para ser mais moderno

    • Alexandre Teles says:

      Tal como pode ver está com o tag HUMOR, não é preciso ser muito inteligente
      ( como claramente não o é) para verificar que é isso mesmo HUMOR, um exagero, com fins humorísticos, uma critica, a começar pelo titulo contraditório ao texto, e a acabar com uma critica á obsessão por prendas nesta época, por uma critica ao esquecimento da família durante onze meses e ás hipocrisias e cinismos das conversas familiares e muito mais, mas se é preciso ser eu a explicar isto talvez seja o “senhor” que deva “dá mas é um tiro na cabeça em vez de escrever estas tretas”.

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