Shall we begin?

Há algum tempo que ganhei o hábito de fazer a uma viagem pelos blogs portugueses . Sózinho e aqui longe , sem bússula ou guia , vou à descoberta e noites tenho que quando chega a hora de terminar vejo com satisfação que a “pesca” foi boa , que li algo que valeu realmente a pena .
Inevitavelmente comecei a sentir a vontade de eu próprio “botar” palavra : Não sobre a politica em Portugal sobre a qual só tenho dúvidas e perplexidades , mas sobre o que se passa nesta minha pátria adoptiva , para onde ventos fortes e mar alteroso me fizeram arribar.
Eu, que fui nado e criado à beira-Tejo, penso que conservo apesar de tudo um certo olhar português sobre as coisas, e sinto muitas vezes um zelo missionário querendo que quem aí vive leia um livro que acho indispensável, veja um espectáculo ou programa que me parece imperdível ou simplesmente conheça melhor o que aqui realmente se passa . Continuo profundamente interessado pela politica daqui, talvez demasiadamente para o meu próprio sossego , pois na maior parte do tempo ela só me traz irritação e frustrações, fazendo com que a minha outra metade diga estar eu por vezes impossivel de aturar .
Também pensei maduramente em que língua escrever, mas rápidamente concluí que seria uma insuportável pesporrência não o fazer em Português. Porém desde já aviso os meus improváveis leitores que nesta língua tendo a ser prolixo e que o estilo me sai assim empiriquitado; bastantes vezes no passado escrevi páginas para no final tristemente concluir que não tinha dito nada do que queria. Será certamente uma prosa de emigrante: Uma mistura de palavras em português e inglês, no meu caso não por imodéstia, mas porque muita coisa já não sei como traduzir. Por exemplo gostaria que soubessem que eu sou “a bookish type of person”, mas como dizer em português? Que sou uma pessoa livresca, livreira ?
Sobretudo é muito importante para mim que aquilo que venha a escrever seja agradavel de ler, mas não demasiadamente agradável, pois não recuarei na confrontação com aqueles que acho que fazem o mundo ainda mais pobre do que já é e as pessoas mais tristes e sobretudo mais ignorantes sobre as maquinações de quem deveria agir para o bem comum.
Ter o meu próprio blog seria uma tarefa solitária a que não me sinto com forças para meter ombros: resta o abrigo que o esforço de outros me proporciona, mas não como o cuco que põe os ovos em ninho alheio para daí tirar vantagem; escrevendo deste canto do Middlesex, seria estultícia da minha parte procurar fama ou influência .
Falo para um leitor imaginário que tal como eu ache que um dos grandes prazeres da vida é uma boa conversa,despretensiosa e divertida, daquelas que só é verdadeiramente possivel entre duas pessoas que se levam muito a sério .
Há muito que é noite, e lá fora it’s bitterly cold. É só arredar um monte de papeis e livros e pode sentar-se aqui no cadeirão à minha frente; Eis o chá e espero que se sinta confortavel.

Shall we begin?

manuel.m

Comments


  1. Please do! Estou confortavelmente instalada e admito sentir já alguma curiosidade em “ouvi-lo”!


  2. Caro Middleseaxan lusitano,

    Empiriquitadas ou não, pouco importa…
    Por cá, há ainda uma míngua de esperança nas nossas palavras, que nunca nos abandonam…

    “Já murcharam tua (“nossa”) festa, pá
    mas, certamente
    Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim…”
    Chico Buarque

  3. kalidas says:

    “Cada qual procura,
    onde se sente perdido.
    Eu perdi-me em Portugal,
    e procuro-me nele”

    ” Miguel Torga

  4. kalidas says:

    O rio Ovelha, nado e criado no Marão, é um imponente obstáculo no caminho de Vila Real para o Porto.

    Um obstáculo é tanto mais fácil de ultrapassar, quanto menor for, daí Ovelhinha, lá naquele sítio da estalagem do Camilo, o rio é um riinho. Naquele tempo havia feras correndo a serra, agora há um túnel parado.

  5. Carlos II says:

    Por mim, também acho que o amigo pode, uma vez ou outra, sair do seu cantinho e vir dar dois dedos de conversa na praça pública, como fez hoje. Se assim fizer tem aqui um bom ouvinte.
    Bom 2012!

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