Encerramento da MAC, crime do governo

A Taxa de Mortalidade de Menores de 5 anos em Portugal e no Mundo

O gráfico acessível através do ‘link’ anterior baseia-se em dados compilados e tratados pelo Banco Mundial. É bastante elucidativo.

Aos utilizadores do  ‘site’ é permitido fazer a selecção e análise dos países que entenderem; seja a nível global, seja optando por muitíssimas combinações parciais. Para efeitos deste ‘post’, e seguindo um critério de escolha de países mais desenvolvidos, realizei a comparação combinada de indicadores de 2010,  actualizados em Março último, adiante indicada:

Taxa de mortalidade de menores de 5 anos de idade em cada 1000 

1.º Portugal ……………………………… 3,7 / 1000

2.º França e Alemanha, ex-equos…….. 4,1 / 1000

3.º Espanha ………………………………4,8 / 1000

4.º EUA ………………………………….. 7,5 / 1000

(Obs.: A taxa mundial é de 57,89 / 1000).

Portugal, é inequívoco, atingiu um lugar de primeiro plano a nível mundial. O feito é mais meritório ainda, se for realizada a avaliação do histórico: taxa de 111,7 por 1000 em 1960, a qual, em 1995, no final do consulado de Cavaco, se fixava em 10 / 1000, ou seja, perto do triplo do índice de 3,7 /100 acima indicado.

Para o sucesso obtido, houve naturalmente contributos decisivos, a nível individual, colectivo e institucional. Será justo citar a figura do obstreta e ginecologista. Prof. Albino Aroso, Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde do XI Governo Constitucional, formado pelo PSD. Quando ainda havia alguma gente decente no topo do partido laranja.

Todavia, sem os saberes, dedicação e trabalho de equipas médicas de alta qualidade, os resultados obtidos por Portugal seriam de impossível alcance. Ao nível da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, conheci inúmeros médicos e médicas, sim sobretudo médicas, de entrega exclusiva à actividade pública, das mais diferentes especialidades: obstetrícia, ginecologia, pediatria, neonatologia, enfim … equipas inteiras que tornaram a MAC uma unidade de excelência de saúde materno-infantil e mundialmente prestigada. Como, de resto, outras unidades públicas do País.

Fui um dos muitos milhões de nascidos na MAC, mas não é por idiossincrasia que contesto o decisão criminosa do governo de encerrar aquela maternidade. Oponho-me e revolto-me contra a irracional destruição de um centro médico de qualidade.

Apenas um tecnocrata da banca, adversário de tudo o que seja unidade de saúde pública e motivado para favorecer os negócios privados de saúde do grupo BES em Loures, é capaz de se atrever a cometer tamanho desmando. Age sob o comando de um PM, social e geograficamente desenraizado, que bem poderia voltar para as colheitas de dedém e bananas, envergando a tanga que está a transformar em uniforme nacional.

Há, por aí, uns quantos que criticam e desancam a valer em quem se indigna; nunca contra quem indigna. Acredito que, no caso da MAC, e porque se trata de grave ofensa ao interesse público e nacional, essa parcela de gente tenha vergonha e se cale diante da manifestação de terceiros, por legítima revolta contra o fecho da Maternidade Alfredo da Costa.

Comments

  1. Tito Lívio Santos Mota says:

    a MAC e a Júlio Dinis foram marcos das conquistas dos direitos das mulheres e do esforço da República em matéria de sanidade pública, de par com a elevação das Escolas de Cirurgia de Lisboa e Porto ao grau de Faculdades de Medicina.
    Já nem para o Salazar voltamos, voltamos para antes da reforma pombalina.

  2. Tito Lívio Santos Mota says:

    éramos bons em alguma coisa?
    logo o governo tinha que acabar com isso !

  3. Tito Lívio Santos Mota says:

    Próxima etapa : de acordo com o Vaticano, passam a ser proibidas as aulas de anatomia com dissecação de corpos.

  4. maria celeste ramos says:

    ai meu querido pa+s e gente que o habita e dele fez o que era porque alguém só sabe, agora, destruir as conquistas de 30 anos – sim, parece que se voltou ao tempo em que nem antibióticos havia – como quando eu nasci e se tenho saúde porque nasci bem e bem vivi, sempre que precisei eu e a família, nada faltava por piuco dinheiro que houvesse mas até melhor trabalho e salário se conquistou – além de infraestruturas globais passando por hospitais centrais até em Abrantes e Santarém, ewxplosão da 2ª vaga industrial pois até aí só havia a de Marquês de Pombal – o que levou tantos anos a implantar e a fixar populações para que os 70% do litoral não aumentassem – agora nem o litoral aguenta e emigra-se como nos anos 60 – Mas agora o país está a ARDER na mata – na habitação urbana decrépita – na bolsa da maioria da classe média beixa e média-m,édia – na descoonstrução do humanisno, na desconstruçao mental – na desconstrução do ensino que era mais do que bom e chegava à aldeia – Mas quem são os que tanto odiavam os vários PS e agora destroem – vendem – alienam – desprezam – ignoram – ofendem – até ofendem os “monumentos” como a MAC – destroem as paisagens milenares como o TUA e o SABOR, destroem a agricultura com a PAC e importam os tomates duros que nem um corno de agroquímicos dos vizinhos – e ainda se tem afinal de ir a Madrid fazer certas operaçºoes que aqui eram piuoneiras mas já não há – mas que autarcas temos que nada defendem ?? e que tanta culpa têm no cartório ?? chegar ao ponto de ter de convidar para EXPORTAR famílias para Bragança depois de as terem despejado – mas os governantes todos não deveriam entrar no Júlio de Matos ou também já foi extinto ??? como se chama a patologia que atingiu os governantes ?? grave – e depois cnhamam PIG aos portuguses – deviam mimar os governantes mas até os levam para o Parlemento – para mim era para o Aljube

  5. Cícero Catilinária says:

    Bom, pode ser que no fim, o parque residencial ou o hotel a nascer(em) venham a ter o nome de Alfredo da Costa. Já agora, já transpira alguma coisa a respeito do(s) eventuais interessado(s) nos terrenos da maternidade? Ou será que …. chineses, árabes, etc. e tal?

  6. Carlos Fonseca says:

    #!
    Foquei mais o ‘post’ na MAC, porque é o encerramento desta que está em causa. A Júlio Dinis é uma instituição com um histórico de prestígio e com papel indispensável ao sucesso das políticas de saúde materno-infantil.

  7. Gajo Republicano Laico e Mação... says:

    10 /1000 é a mortalidade média …nunca em 1990 ou 1995 morreram 10 em cada nado-vivos antes dos 5 de idade

    a mortalidade neonatal que é a que interessa era de 2,8/1000 em 2001
    e foi de 1,3 em 1000 em 2007

    isso é o que interessa numa maternidade

    e não a mortalidade antes dos 5 anos…basta uma gripe ou uma epidemia de sarampo para quinarem às dúzias putos de 1 a 3 anos…e elevarem a mortalidade

    resumindo:não misturar coisas distintas

  8. Gajo Republicano Laico e Mação... says:

    e o valor mais baixo da UE era em 2007 (1,3 em 1000)e continua a ser o da Finlândia

    logo pôr putucale em 1º é ….coiso

  9. Carlos Fonseca says:

    #8 e#9
    Tipos da sua laia, merecem-me desprezo. Desconversar pode ser fruto de várias patologias ou hábitos. Não sou psiquiatra.

  10. João Paz says:

    Esta posição no “ranking”faz inveja e furor em todos os “masters of the universe”. Como se atreve um país pequenitates quie gasta MUITO MENOS que os USA por ex em saúde por mil habitantes e que se atreve a contRariar os canones neoliberais vigentes através de um SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE, como se atreve dizia a ter O MELHOR INDICE MUNDIAL?
    A única posição que resta a esses “masters” só pode ser ” TEMOS DE ACABAR COM ESTA POUCA VERGONHA ANTES QUE MAIS PAÍSES COMPREENDAM QUE O SISTEMA PÚBLICO É MELHOR QUE A ROUBALHEIRA PRIVADA.

    • Tito Lívio Santos Mota says:

      Até o meu médico de família, que até votava no CDS, achava as parcerias publico-privadas na saúde, a maior roubalheira e parvoíce.
      Mas era médico, antes de mais, e bom, ainda por cima.

  11. Carlos Fonseca says:

    #11
    Caro João Paz, nem mais nem menos. Eu não diria melhor.

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