Acordo Ortográfico: o que nasce torto nem a CPLP endireita

No dia 30 de Março, os Ministros da Educação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniram-se e, entre outros assuntos, abordaram, também, a questão do Acordo Ortográfico de 1990. A Declaração Final pode ser lida aqui.

O primeiro aspecto a merecer destaque é o facto de o texto respeitar a ortografia portuguesa de 1945, talvez por vontade das representações angolana e moçambicana.

No que respeita à secção relativa à questão ortográfica, para além de declarações vagas sobre a “promoção e defesa da Língua Portuguesa no espaço da CPLP e no Mundo”, os presentes reconheceram que a “aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 no processo de ensino e aprendizagem revelou a existência de constrangimentos que podem, no futuro, dificultar a boa aplicação do Acordo”. [Read more…]

O combate à corrupção e o enriquecimento ilícito

O TC chumbou o diploma que criaria o crime de enriquecimento ilícito. Alguns que tenham feito fortuna por formas ilegais poderão ter esboçado um sorriso. Sim, um sorriso. Esses têm os meios para escaparem a diplomas como este (contas no estrangeiro, recursos judiciais em cima de recursos, …) pelo que se isto tivesse ido avante nem uma mossa lhes causaria.

Mas eu, cidadão pagador de impostos e que não tenho fortuna obtida por meios ilegais (aliás, não tenho fortuna), suspirei de alívio. [Read more…]

Delikatessen pascais


O Coelho da Páscoa anunciou-nos o “adiamento” do pagamento do 13º e 14º salário para 2015. Desconfia-se que chegada a data, chegar-nos-á um “logo se verá”. Isto é mesmo a terra do nunca.
Também ontem, Mário Soares protagonizou um daqueles episódios em que fez valer pela praxis, o seu pensamento acerca do que devem ser as funções do Estado regulador e das obrigações a assumir pelas imprescindíveis funções dos presidentes passivos em exercício. Pois, pelo que parece, as viaturas do Estado servem para tudo e se ainda nos lembramos daquele acidente ocorrido na Avenida da Liberdade, onde um parlamentar bólide de “trinta mil contos” foi para sucata, agora ficámos a saber que o Estado – quem é esse fulano? – também vai pagar a multa de Mário Soares.
Façam as contas: mais de dezassete milhões anuais para Belém, aos quais se acrescentam viagens, paradas de limusinas de Praga até Barcelona onde espera um Falcon, Comissões celebratórias do Grande Nada, enxames de assessores que aparentemente não aconselham, três passivos no activo e também… multas por excesso de velocidade? Para cúmulo, o oficial da GNR diz que Mário Soares foi “bastante malcriado”. Terá metido “carvalhos e o orifício reprodutor da mãe” na gritaria?
Esta gente enlouqueceu.

Novo aeroporto em Elvas para aerocomboios em bitola europeia

Ícaro, o comboio alado
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Após ter fracassado o projecto do TGV, Passos Coelho já colocou a hipótese de se construir uma linha de bitola europeia para mercadorias, até Badajoz. Uma vez que a referida bitola europeia só recomeça em Barcelona, a cidade de Elvas irá ser dotada da primeira aeroestação de comboios do mundo. Quando as composições saídas de Sines chegarem àquela cidade alentejana, ser-lhes-ão acopladas asas que lhes permitirão percorrer pelo ar os mil quilómetros até regressarem à linha férrea. Trata-se de um projecto absolutamente pioneiro cujo estudo ficará a cargo de uma comissão de especialistas.

Para a construção da nova linha aéreo-férrea, da aeroestação e dos aerocomboios será aberto um concurso público de ajuste directo. Ciente dos problemas criados pelas Parcerias Público-Privadas, Miguel Relvas já veio declarar que “todo este processo terá como base um novo instrumento jurídico-financeiro, as Sociedades Estatais Particulares.”

Professores: exame para ficar desempregado

Os leitores mais atentos ao aventar terão reparado numa série de posts sobre as questões do desemprego docente como consequência das medidas da TROIKA e do MEC: os mega – agrupamentos e as alterações do currículo são as mais visíveis.

E agora surge Nuno Crato a falar de uma prova de acesso: “para entrar na profissão, em termos definitivos, vai haver uma prova de acesso.”

Cá está, mais uma promessa que vai ficar por cumprir.

E porquê? [Read more…]

O Almoço dos Senadores

O ardina ficou aprisionado no lar. Teso, sem vintém para o transporte, nem estatuto para  integrar o núcleo de membros ilustres da Câmara Alta; núcleo que se  reunirá na Invicta, Capital do Trabalho, para a pitança. Ao acto, alguém chamou ‘O Almoço dos Senadores’. Com o mar no horizonte, as elevadíssimas figuras destacar-se-ão num restaurante conhecido por ‘Transparente’. Nunca poderia ser no escuro. Para mais, no Porto, como no País, não há opacidades. E até a Noite é Branca.

Os senadores, a partir da hora combinada, começam a reunir-se. Uns vêm das cercanias, outros de mais longe. O senador ferroviário chegará em viatura própria. Compreende-se. Com tanto ‘grafitti’, extinguiram-se os comboios de verdadeiro luxo; do género do Expresso do Oriente, esse sim, recomendado a nobres e à alta burguesia. No meio dos senadores, haverá uma senadora. Sim, apenas um elemento feminino. Mas porque é citada em grupo e até a gramática é machista, o género, no colectivo, muda para o masculino.

O que comerão eles? Alguns possivelmente francesinhas. Arreigados às tradições portuenses, não as dispensam. [Read more…]

Casa Pia: a outra versão

O Sol volta hoje ao ataque. Fica aqui o contraditório: entrevista a uma testemunha ao jornalista Carlos Tomás. Duvido que passem no telejornal. Pode ver mais depoimentos aqui.

Passos e Portas, o governo dos trapaceiros

Ainda no Domingo último, vi na TVI Ângelo Correia, com o ar mais embevecido do mundo, a adular o Pedro. Assim, intima e carinhosamente. Depois lá se lembrava de que estava a falar em público e emendava para Dr. Pedro Passos Coelho ou Primeiro Ministro. Sempre a exaltar as virtudes do cidadão honesto, íntegro e sem máculas no comportamento político e cívico.

Abominei e pensei: “O País contínua entregue a vil gente, sem ética, ignóbil e  que se aglutina em grupos sem limites na vergonha…estão feitos uns com os outros”.

A despeito do meu companheiro Nabais já ter escrito sobre o tema, dada a gravidade do comportamento de trapaceiro de Passos, de que Portas não pode isentar-se, não posso deixar de juntar a minha voz contra a golpada do governo, desferida com ímpeto e sem piedade sobre os trabalhadores e reformados da função pública e pensionistas do sector privado: Subsídios só voltam a partir de 2015 e não será por inteiro. [Read more…]

Ressurreição

Na sequência de algumas crónicas sobre as minhas vivências na guerra colonial da Guiné, publicadas no Aventar e no Estrolábio, recebi um mail de um amigo que não vejo há quarenta e cinco anos. Por mero acaso, este amigo, o alferes Ruca, leu os meus textos e enviou-me esse mail dizendo: você é que é o médico da minha companhia, o Adão Cruz?! Vou mandar-lhe uma foto em que estamos os dois à porta de uma Dornier. Com efeito lá estávamos, a entrar ou a sair, não me lembro bem, da avioneta [Read more…]

Na morte de Agostinho da Silva (3-4-1994).

Passou discreto o aniversário sobre a morte de Agostinho da Silva (Porto, 13-2-1906 – Lisboa, 3-4-1994) talvez porque este filósofo, ensaísta e pedagogo pretendia mudar o mundo a partir de dentro, pelo espírito e não por fora, com retórica política ou cocktails molotov. Agostinho da Silva nasceu, viveu e morreu como os da sua espécie, desde o padre António Vieira, passando por Sebastião da Gama ou Sophia de Mello Breyner: discretamente arrumados para um canto, ofuscados por conveniências do politicamente oportuno e do pretenso discurso renovador dos Espertos, essa classe transversal à sociedade portuguesa. Ele, que não era do Heterodoxo, nem do Ortodoxo, mas do Paradoxo devia estar mais perto da Certeza. Nós, humildes aprendizes ou convictos ignorantes, achamos que não. Em todo o caso, neste tempo convulsivo convém reler algumas das suas obras e reflectir sobre as suas palavras, como as que se seguem, retiradas da biografia sobre Frederick William Sanderson (1857-1922):

A revolução obriga a um dispêndio de energias que não estão de modo algum em relação com os resultados obtidos; a ilusão de todos os revolucionários da história tem sido a de que, depois do movimento, se encontrariam num mundo perfeito, absolutamente de acordo com a construção teórica ou respondendo ao impulso de generosidade que os levou à acção; o estudo da história mostra, segundo Sanderson, o contrário: depois de todo o tumulto em que os melhores se perdem, depois de toda a confusão das derrocadas, verifica-se que foi mínimo o progresso e que os homens que atingem um nível de repouso não estão na realidade, muito longe do ponto de partida. [Read more…]

Deputados para quê?

Não é nada de novo e, ainda recentemente, o Jorge abordou, com a lucidez que se impõe, este assunto: os deputados servem para quê?

Sendo certo que só se pode ser deputado, tanto quanto sei, estando inscrito nas listas de um partido político e aceitando que não vivemos num conto de fadas, sempre considerei a “disciplina de voto” como uma perversão da função de um deputado, que, de acordo com o Estatuto, representa “todo o País”, entidade que não se confunde com chefes de bancada ou com presidentes de partido.

Isto seria, a meu ver, suficiente para que não fosse aceitável a simples verbalização de uma expressão como “disciplina de voto”. No máximo, a existir, que fosse uma prática clandestina e que a referência ou a simples desconfiança da existência daquilo que é, afinal, a institucionalização da chantagem desse direito a averiguações e a eventuais processos disciplinares. [Read more…]

Hoje dá na net: Rui Veloso – concerto acústico

Rui Veloso, ao vivo. Acústico. A banda sonora do almoço de hoje dos aventadores, onde quer que estejam.

Arménio Carlos adere (?) a posições da Causa Real

Isto, a propósito da questão dos limites ao défice a colocar na Constituição.
Colocar qualquer tipo de limites na Constituição, é por si só, um abuso de poder e um despautério de arrogância que roça o insuportável, pois até pode ser apontado o facto de existirem países onde nem sequer existe um texto constitucional e que para azar da gente da toga, são democracias muito mais refinadas que este simulacro vigente. Ora, os constituintes de 1976 assim o fizeram sem pejo e ainda hoje esses limites de implícita aura pretensamente divina, são o produto de aturada defesa por parte de Jorge Miranda e anexos. São os chamados Limites Materiais que pelos vistos, a Intersindical indirectamente acaba de reconhecer serem monstruosos. São-no de facto e a sua pura e simples eliminação é uma das exigências da Causa Real. Decerto todos percebem porquê, embora haja um ou outro estarola da mesa do Estado que pretenda o contrário, recorrendo aos habituais rodriguinhos jurídicos. Aliás, a existência do Artigo 288, é um convite à ruptura, ao recurso à força. Como em 1910, 1926 e 1974, por exemplo. Para ficarmos por aqui.

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