‘Sor Maria’ e a relação da igreja com as crianças

Sor MariaSabemos do requinte e da suavidade utilizados pelo Vaticano nas abordagens da pedofilia e  de outros crimes de eclesiásticos contra crianças. Todavia, os pecadores internos da ICAR, contra a família e as crianças, reproduzem-se como mosquitos em estábulo de animais. Agora,  de Espanha, pelo El País e La Vanguardia, chegam-nos notícias da ‘Sor Maria’, uma freira quase octogenária, considerada a primeira acusada de 1.500 denúncias de roubo de crianças, em todo o país.

A  religiosa compareceu ontem perante um juiz de instrução em Madrid e recusou-se a prestar declarações, conforme nos relata este trecho o ‘El País’:

Sor María Gómez Valbuena recusou-se, hoje, a depor perante o juiz por suposto envolvimento no caso de crianças roubadas e, portanto, continua a ser acusada pelo crime de detenção ilegal que originou a ordem de comparecer em tribunal. O Juiz Adolfo Carretero citou a depor como testemunhas os pais adoptivos da menina alegadamente roubada…

[…]

O caso para o qual o juiz citou como acusada esta freira partiu de María Luísa Torres, que deu à luz em 1982 na clínica de Santa Cristina de Madrid uma menina, Pilar, que garante ter sido arrebatada por sor María, sob a ameaça de lhe tirar também a sua outra filha “de adúltera”, de acordo com a denúncia. Com a ajuda do pai adoptivo de Pilar, mãe e filha foram reunidas no ano passado, 29 anos após o parto. Na semana passada ambas declararam ante o mesmo juiz que hoje tentou interrogar sor María. “Se você não pagar aqui, pagará lá em cima”, disse Pilar referindo-se à religiosa, antes de entrar no Tribunal de Justiça. “Merece o maior dos castigos”, acrescentou a mãe.

A impetuosa torrente de denúncias de crimes contra famílias e crianças continua a obumbrar a ICAR em vários quadrantes geográficos do globo. Sem a pretensão de ser exaustivo, cito que EUA, Bélgica, Holanda, Irlanda e Bélgica foram dos países mais falados.

A ICAR portuguesa também não pode declarar-se inocente. Traga-se à memória, por exemplo, o abominável assassínio de um jovem, perpetrado pelo padre Frederico no Funchal. O nefasto padre desempenhava, então, funções de secretário-particular do bispo local, D. Teodoro Faria; bispo que, passados nove anos, reconheceu finalmente que o padre, foragido da justiça, cometeu actos de pedofilia.

De facto, a abominável relação que  homens e mulheres da igreja mantêm com o mundo das famílias e das crianças pode classificar-se de tudo, menos de cristã e humana.

Comments


  1. Qualquer ser humano forçado a comportamentos contra-natura terá, mais cedo ou mais tarde acções/reacções desviantes. Privados de determinadas necessidades, que, segundo a própria igreja, são naturais e humanas para todos menos para os seus servidores, certo será que estes últimos tenderão a desenvolver comportamentos anormais e totalmente inaceitáveis.

    E a igreja sabe disto. Sabe que ao coibir certas funções do organismo nos seus servidores está a gerar-lhes disfunções na mente comportamental. Sabe-o até bem melhor do que eu que sou leiga e ignorante.

    Mas a igreja vive de regras. Não importa quão absurdas ou quão cruéis. E porque é tão vilmente inflexível nessas suas regras absurdas, prefere o martírio e o silêncio dos inocentes à assunção de culpa e à eliminação das torturas infligidas por essas mesmas regras aos seus cegos servidores!

  2. alexandra says:

    E o que não haverá por aí,de “desastres cristianos”…

  3. MAGRIÇO says:

    Mas como aqui já pôde ver, Isabel, há sempre “fiéis” ovelhas do divino rebanho a sair em defesa do seu redil, talvez para os defender da imoralidade dos não iluminados.

  4. Carlos Fonseca says:

    Nuno Resende,
    Para escrever o que escreveu, seria melhor estar quieto. Factos são factos e, neste tipo de actos, o que é lamentável é que a falsa superioridade moral da ICAR é equivalente àquela de quem tenha cometido os crimes contra Luís Pedro e Madeleine. Independentemente de se ignorar a crença religiosa dos criminosos.
    A ‘Sor Maria’, Irmã da Caridade, é acusada de crimes horrendos. O resto é conversa de um aldeão, tipo padre reaccionário de paróquia.

  5. palavrossavrvs says:

    Vamos a factos que se podem distorcer à vontade do freguês:

    a) todos os católicos são cretinos e primários, propensos à pedofilia e a toda a espécie de ilícitos desde pelo menos há dois mil anos;

    b) todos os comunistas são torcionários, adeptos do partido único e bastante achacados ao dogmatismo ideológico, pelo menos desde a morte de Lenine;

    c) todos os norte-americanos são imperialistas, autocentrados e ignorantes relativamente ao resto do mundo, paisagem.

    O Carlos é inteligente e sensível, mas creio que desde há muito atirou o menino com a água do banho. Ser católico é bom. Ser comunista sincero é bom. Ser norte-americano não pode estigmatizar ninguém.

    Portanto, Carlos, não me estigmatize porque se fui e sou feliz deve-se ao inefável de uma missa bem celebrada, ao amor fraterno em Cristo experimentado. Quem vive pelo ressentimento, morrerá pelo ressentimento.

    Abraço.
    Sempre a considerá-lo [também nas minhas orações de pecador humilde e falhento que sou].

  6. maria celeste ramos says:

    Tráfego de crianças também não é ignorado por certas pias religiosas – Tam tráfego até é conhecido pelos smples programas alta madrugada de TV como já vi – e que foi descoberto – senão eu não teria a notícia e eu não teria tido acesso – Nasci em santarém onde há muitos conventos e no restauro de um deles, mais famoso, quando do restauro e escavação, foram encontrados esqueletos de bebés – Apenas que não estará escrito e divulgado como conviria – Mas se freiras matam os seus bebés – acho pior o governo vigente – se é que comparar serve de alguma coisa – De repente recordo que até vivi em local onde alguém era conhecido como “o filho do padre” – antes isso mas eu era tão jovem que nao tinha a menor capacidade para pensar como seria a vida e as emoções desse menino -Também o Padre da Igreja onde eu ía à missa, um dia teve de vir para Lisboa para a Igreja São João de Deus do Arieiro e passeva-se no seu carro – dos poucos da altura e que até podia ser reconhecido, se passeva com a sua família – Já não recordo o nome dele nem sei se ainda está entre os vivos – Já em lisboa e ainda adolescente e “filiada na JUC, deixei todas as práticas religiosas, não por estas situações anteriormente citadas, mas pela lavagem cerebral a que era sujeita – O que não me faz, porém, renegar a Igreja em geral, nem um Governo também – Tudo é informação sobre a condição humana e tudo existe e me permite opções pessoais e apenas saio dos circuitos que não me interessam e quem é que seja e quem está que esteja e reconheço melhor o meu lugar


  7. Ó caro Palavrossavrvs, com o respeito que se impõe, o caro amigo não expôs factos, enunciou demagogias!

    E além disso, por que é que se há-de ser alguma coisa? Se acaso o ser humano tivesse tido, desde o início, a inteligência de não se deixar enredar por “uns” que se dizem melhores que “outros” e por “outros” que se dizem melhor que “aqueloutros”, muitas das desgraças e vilezas até agora sucedidas não teriam sequer existido!

    Mas enfim, o Homem gosta de rótulos, gosta de ser isto e aquilo, gosta de pertencer…

    http://facedaletra.blogspot.pt/2012/04/da-necessidade-de-se-vir-ser-alguma.html

  8. albanocoelho says:
  9. Isabel G says:

    Caro Nuno, obviamente que não posso falar pelo Carlos, mas no que me diz respeito, posso garantir-lhe que as minhas apreciações são absolutamente globais no que a religiões concerne: não há nenhuma boa e isenta! E é evidente que os crimes a que nos referimos são do mesmo modo reprováveis e hediondos tanto se cometidos por “religiosos” como se por laicos!

  10. Maquiavel says:

    Jesus disse “deixai vir a mim as criancinhas” mas näo disse “à força”. Gente nojenta!

  11. Carlos Fonseca says:

    Nuno Resende,
    Nunca comentei ‘posts’ seus. Agradeço que siga o exemplo. Com 67 anos de idade, não tenho paciência para aturar garotos.
    Escreva o que quiser, onde quiser, excepto comentários dos meus textos.
    O que denunciei da Sor María, aplica-se a todos fundamentalistas. Sejam de que religião ou seita religiosa forem.
    Entendido ou é necessário desenho?

  12. Tito Lívio Santos Mota says:

    Também em França e nos outros países ocupados pelos Nazis, instituições católicas se aproveitaram da deportação para roubar crianças que depois recusaram restituir às famílias, o que originou longos anos de processos e sofrimento tanto para as crianças como para as famílias.
    Para esta gente, não há “pequenos benefícios” e uma “alminha” a mais na paróquia nunca é para desprezar. Pouco importa os meios.

  13. Tito Lívio Santos Mota says:

    passo sobre o argumento “os outros também fazem”, porque nem merece comentários.

    Tem toda a razão, cara Isabel, onde há religião organizada, há germe de fanatismo e de guerra.
    Crer, ter fé, são do domínio da consciência de cada um, tal como o seu contrário.
    O problema é que desde que a fé se torna religião organizada, nunca é para “maior glória de Deus”, mas para maior proveito da camarilha que a organiza e serviço de quem manda, de preferência de quem oprime.
    Sempre assim foi. é a razão de ser de tais instituições.
    O que desespera hoje em dia as religiões organizadas é que o número de crentes que se passa dos seus serviços já ultrapassa em muito o número dos que recorrem a eles (mediante devido pagamento e subserviência, claro).
    Não são apenas os católicos que são maioritariamente “não praticantes”, o mesmo se passa entre os muçulmanos (mesmo se os Sunitas não têm clero), protestantes etc.

    São gente que pensa, e por isso mesmo constituem o maior perigo para esta gente.

    Os integristas muçulmanos, por exemplo, compreenderam já muito bem que são estes “não praticantes” o maior perigo para a sua casta e por isso são os primeiros visados pelo seu terrorismo.
    Aih do Judeu que diga mal de Israel, etc.

    Tudo farinha do mesmo saco.

  14. Tito Lívio Santos Mota says:

    ps: os massacres no Ceilão são feitos pelos monges budistas e os massacrados são os indus. Na índia são os indus que massacram muçulmanos e no Paquistão os muçulmanos que massacram indus no Cachemira…. etc.


  15. Subscrevo, caro Tito, subscrevo!

  16. alexandra says:

    …”que os detractores da Igreja Católica usam e abusam como sinal da sua raiva”….Uf, que forte e encima terminante. Ë chato meter aqui a raiva. Séria indignação não é raiva.

  17. Carlos Fonseca says:

    ESCLARECIMENTO

    O insólito sucedeu. Os comentários a que principalmente eu e Isabel G. respondemos em #4, #6, #8 e #10, apareceram apagados. Certamente que não é difícil de imaginar quem foram os autores da indecorosa atitude.
    Este esclarecimento é feito com o objectivo de se explicar a razão por que os mais atentos notarão um fenómeno de estranha desconexão, que deste modo fica minimamente esclarecido.
    Na vida, de volta e meia, cruzamo-nos com gente que se quer promover como gente de bem.
    No fundo, não prestam..

    • Tito Lívio Santos Mota says:

      caro Carlos, creio que certas pessoas pensam como os Católicos integristas da defunta “Action Française” : “tolerância? há casas para isso”.
      (sendo que “casas de tolerância” era, nesse tempo, o nome francês de “casa de alterne”).


  18. Pois é, caro Carlos, na realidade requere-se uma boa dose de carácter e de integridade para assumir, sob qualquer circunstância, o que se pensa, o que se diz, o que se escreve, o que se opina!

    Fugir com o rabinho à seringa demonstra bem a ligeireza e a insustentabilidade das “convicções”!

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