A inexplorada riqueza do ser humano

                                                                                                                                            O Público de 25 de abril de 2011, Dia da Liberdade, agendava a publicação em Portugal, pela Dom Quixote, de E Agora, Zé Ninguém? escrita por Rudolf Wilhelm Ditzen (1893-1947) ou Hans Fallada em 1932.

Um ano antes da morte de Ditzen, um outro Wilhelm, W. Reich (1897-1957), médico psicanalista austríaco, escreveu Escuta, Zé Ninguém!, também da Dom Quixote e já com mais de 10 edições.

Ambas as obras se centram no homem comum, nas suas dificuldades. A primeira obra, sendo um romance, fala-nos de um problema contemporâneo, a história de homem que se vê, a dada altura da vida, entre os milhares de desempregados, “transformado num desesperado zé-ninguém”. A segunda, classificada como um documento humano, “representa uma resposta silenciosa à intriga e à difamação”. É um protesto contra a mentira sobre a verdade, contra a guerra sobre a vida. “Para o educador, para o médico, existe apenas uma fidelidade: ao que há de vivo na criança e no doente. Se esta fidelidade for estritamente respeitada, até os grandes problemas da «política externa» encontram uma solução simples”. Reich, sendo duro e crítico com o homem comum, o Zé Ninguém, pelas coisas que faz a si próprio, “de como sofre e se revolta, das honras que tributa aos seus inimigos e do modo como assassina os seus amigos”. Quando chega ao poder como «representante do povo» “aplica-o mal e transforma-o em qualquer coisa ainda mais cruel do que o sadismo que outrora suportava por parte dos elementos das classes anteriormente dominantes”. Mas Reich confia na “inexplorada riqueza que se oculta na «natureza humana», pronta a servir as esperanças do homem”. Acredita que o homem é o “inabalável senhor” dos seus destinos. E mais: “O futuro da raça humana depende, a partir de agora, da maneira como pensas e ages. (…) És livre apenas porque és livre da educação que te permitiria conduzires a tua vida como te aprouvesse”.

Duas obras intemporais que a Dom Quixote nos dá a conhecer.

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  1. […] ler em A inexplorada riqueza do ser humano Partilhe:Gostar disto:GostoBe the first to like this . 13/04/2012 by Carlos José Teixeira […]

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