25 Poemas de Abril (VII)


SEGREDO

Lá, na última das celas
nódoa negra de açoites,
não há dias, não há noites
porque as as noites têm estrelas.

Lá, só na sombra que dói.
Sombra e brancura de um osso
que o preso remói, remói
no fundo do seu poço.

Lá, quando o vierem buscar
amanhã, depois ou logo,
terá na alma mais um fogo,
mais uma chama no olhar.

Luís Veiga Leitão

Comments

  1. Associação Força Emergente says:

    Caro amigo Ricardo
    Desculpe o tratamento pois penso que não nos conhecemos, mas quem escolhe um poema destes merece a nossa amizade.
    Obrigado
    Carlos Luis

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    Obrigado.

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