Notas Soltas

A cinco mil quilómetros de distância, Portugal chega-me pela palavra escrita, pela televisão, pelos telefonemas e e-mails dos amigos. Tudo devoro com ansiedade e uma intensa preocupação.

Até ao dia 30 de Maio de 2012, vários me diziam que Passos Coelho é um “tipo sério”. Pela imagem, pela linguagem corporal, ele parecia-me sisudo, melancólico, com o olhar inteligente do pargo cozido. Como um jerico. A partir dessa data, seguindo o debate parlamentar sobre a convivência negada, e depois confirmada, entre Silva Carvalho, maneirinho e fino como Toni Soprano, e Miguel Relvas, físico e porte de açougeiro, ambos e dois tresandando a Loja, fiquei sem dúvidas acerca do Coelho que passou um cheque um branco de confiança a Relvas. A vantagem é irem os dois ao fundo ao mesmo tempo. Pena é se têm tempo de vender Portugal a retalho, e ao desbarato, RTP-1 incluida.

O coiso de Vancouver é um triste,coitado. Se não consegue a embaixada da UNESCO, o que porá Paris a rir, está feito ao bife com a universidade canadiana: não traz consigo uma estrelinha, ao menos uma, de brilho e justificação. É espantoso como a vaidade ou melhor, como a cagança provinciana, pode levar ao charco.

Quando se pede uma entrevista a uma pessoa é porque se considera importante o que ela tem para dizer. Portanto, é para deixar a pessoa falar. Não o entendeu assim José Rodrigues dos Santos, aquele que pisca o olho a despropósito, quando fez tudo para que Paulo Campos não falasse. Um festival de ignorância e mau jornalismo. O jornalista feito chico esperto. E eu a fazer minhas as palavras dum cartaz de rapaziada: O CHICO É ESPERTO MAS É MALCRIADO.

Já que estou com a mão na massa, pergunto porque é que os contribuintes têm de pagar a clamorosa má criação e ordinarice de Pedro Granger no concurso O ELO MAIS FRACO. Naquela casa náo há chefe,director, provedor?

Tudo somado, no que respeita a humor, salva-se o ESTADO DE GRAÇA, com sabor revisteiro e autêntico.

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    Também a mim me desagradou o comportamento de Rodrigo dos Santos na entrevista mencionada. Mas não foi um caso isolado: muitos jornalistas da TV não conseguem ultrapassar a sua ânsia de vedetismo, e esquecem-se que os entrevistados é que estão ali para explicar ou para dar a sua opinião. É certo que nalguns casos é necessário evitar que o entrevistado “fuja” às perguntas que não lhe agradam com manobras de diversão, mas não foi este caso. Quanto a Pedro Granger, estou também de acordo que deu uma imagem de puto mimado e mal educado que, embora possivelmente condicionado pelos produtores, devia ter evitado. Vi algumas versões britânicas e a apresentadora mantinha alguma dignidade no trato com os concorrentes, e não me pareceu que o concurso tenha perdido com isso. Felizmente Granger é passado. Sem saudades…

  2. Eu mesma says:

    O mister Pedro Granger? Aquele betinho filho-família que fazia pose de eu-sou-um-rapaz-simples-do-povo-gosto-de-toda-a-gente-tenho-sorte-na-vida-muito-obrigado-a-todos? Nâo me esqueço que ele só decidiu ir para a RTP na véspera de assinar com a SIC e depois de ter conseguido uma entrevista para se auto-promover no Alta Definição. Caiu brutalmente na minha consideração.

  3. Eu mesma says:

    E já que os meninos da Impresa, com medinho do que o patrão fizesse, evitaram ter de dar o tal Globo de Ouro aos bravos do Estado de Graça anulando a categoria de Televisão na gala de galinhas emproadas, proponho que o programa seja candidato a um Emmy. Mad Tv? 30 Rock? Conan O’Brien? Quem? Estado de Graça rules.

  4. Jonh says:

    Para quem posta e bloga sobre o mundo e a sociedade o amigo revela uma incrível falta de perspicácia e capacidade de interpretação: «clamorosa má criação e ordinarice de Pedro Granger no concurso O ELO MAIS FRACO» O apresentador do Weakest Link, Elo Mais Fraco ou qualquer que seja a versão do programa é sempre rude, seco e mal-criado p/ os concorrentes, está no guião! O rapaz só interpreta um personagem…

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