Estive na manifestação do Porto…


Estive na manifestação de ontem no Porto, com convicção, com orgulho e com confiança de que é possível mudar as coisas.
O que não quer dizer que concorde com alguns dos “gritos de ordem” que se ouviram, com algumas das frases que se leram ou com alguns dos sentimentos que se evidenciaram.
Para mim, “mudar as coisas” nem sequer passa por mudar este governo. Não porque seja bom, mas porque não vejo qualquer alternativa melhor. Não tenho um partido, tenho um cérebro. E ele diz-me que, entre “mais do mesmo” ou um vazio de poder, o mais sensato será mantermos o governo que temos, desde que o governo se mantenha sensato…
Para mim, “mudar as coisas” também não passa por ignorar ou expulsar a troika. Temos problemas financeiros graves. Precisamos dessas instituições. Precisamos também de ser sérios e honrarmos os nossos compromissos. Não concordo, por princípio, pela atitude de “cuspir no prato em que se comeu”.
Afinal, será que não se “mudam as coisas”? Claro que sim!
Haja responsabilização criminal de quem gere, de forma danosa e culposa, os destinos do país.
Haja resolução (legal e clara) das PPPs feitas não para servir os interesses do país mas apenas os de alguns.
Haja uma maior aproximação da classe política aos cidadãos, acabando o seu “endeusamento”, as suas regalias e, principalmente, a sua impunidade!
Haja debate, sério e aberto, sobre que medidas adoptar para ajudar o país a sair da crise, para fomentar o emprego, para dinamizar a economia. São e serão precisos sacrifícios? Claro que sim. E estou/estarei disposto a fazê-los, desde que sejam sensatos, dignos, equitativos e com o objectivo claro e (minimamente) expectável de que servirão para resolver efectivamente os nossos problemas.
Talvez nada disto seja possível com os políticos que temos, nem sequer com os partidos que temos. Se assim for, será talvez altura de pensarmos a sério em “expandir os nossos horizontes” e agir em conformidade: vamos libertar-nos da nossa “fidelização” laranja, cor-de-rosa, azul, vermelha, o que for! Vamos criar um ou mais partidos (quantos menos, melhor, para evitar a dispersão e consequente enfraquecimento).
Foram mais de 500 mil portugueses hoje nas ruas? A existir o “partido dos cidadãos”, esclarecidos, patrióticos, lutadores, empreendedores, proactivos e, muito importante, fartos dos políticos actuais e do seu “ecossistema” de tachos e poleiros, e talvez esse “partido dos cidadãos” tivesse já hoje mais de 500 mil votos… O meu, pelo menos, teria de certeza!

Comments


  1. Tenho algumas fotos de Lisboa no facebook. É só seguir o link do nome.


  2. Concordo com tudo o que foi dito aqui.
    Sem dúvida! O povo é que manda… Basta fazermos como na Islândia, em que o povo mandou tudo o que era lixo (políticos = aldrabões) para os tribunais!
    Isto de se votar em partidos é ridículo. Vota-se em Pessoas, em Homens!

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