Movimento pela extinção real dos PCT

No ad duo e nos Professores Lusos a questão já tem uns dias, mas meus caros colegas, o tema tem toda a actualidade.

A legislação que regulava o ensino básico era de 2001 (Dec. Lei 6/2001, de 18 de janeiro) e na sua introdução, a referência ao Projecto Curricular de Escola e ao Projecto Curricular de Turma (PCT) era evidente:

“No quadro do desenvolvimento da autonomia das escolas estabelece-se que as estratégias de desenvolvimento do currículo nacional, visando adequá-lo ao contexto de cada escola, deverão ser objecto de um projecto curricular de escola, concebido, aprovado e avaliado pelos respectivos órgãos de administração e gestão, o qual deverá ser desenvolvido, em função do contexto de cada turma, num projecto curricular de turma, concebido, aprovado e avaliado pelo professor titular de turma ou pelo conselho de turma, consoante os ciclos.”

No 2º artigo do mesmo documento podemos perceber melhor o que significava cada destes dois documentos:

– ponto 2: As estratégias de desenvolvimento do currículo nacional, visando adequá-lo ao contexto de cada escola, são objecto de um projecto curricular de escola (…)

-ponto 3: As estratégias de concretização e desenvolvimento do currículo nacional e do projecto curricular de escola, visando adequá-los ao contexto de cada turma, são objecto de um projecto curricular de turma (…)

Isto é, em bom português, o Ministério apresentava um currículo base para todas as escolas. Depois cada escola tinha um hipotético espaço de adaptação à sua realidade, espaço de criatividade que depois poderia também acontecer ao nível de cada uma das turmas. Seria um percurso deste tipo: currículo nacional – currículo de escola – currículo de turma.

Mas na prática, estes documentos foram sempre um excelente pretexto para complicar, para tornar burocrática uma função nobre, como era a função do Director de Turma. Com uma intencionalidade legislativa interessante, estes documentos foram perdendo sentido e hoje são uma imensa nódoa da vida das escolas.

Acontece que a Legislação que agora regula o currículo do ensino básico, como bem lembrou ad duo, não contempla a existência de tais porcarias.

Está na hora de o afirmar com toda a força porque a nossa sanidade mental não pode ser colocada em causa por coisas estúpidas, ainda por cima extintas.

E a minha sugestão é simples: passem palavra! Questionem as direcções e os coordenadores de Directores de Turma. Que nenhum Director de Turma faça o seu PCT!

Vamos fazer disto um símbolo da nossa luta contra a funcionalização da profissão!

Vamos fazer disto um símbolo da nossa luta contra a burocratização da profissão!

Vamos exigir que nos deixem ser professores!

Comments


  1. Esta minha energia gasta com tantos PCT´s elaborados,desde que foram implementados, e em tanta outra burocracia, (papelada absolutamente desnecessária), poderia ter sido canalizada para a investigação e alargamento de conhecimentos, úteis depois na minha prática pedagógica, sendo isto o que verdadeiramente me dá prazer fazer. Para cumprir leis ou legislação sempre elaborei PEI´s, planos de recuperação,relatórios… e continuarei a fazê-lo, no entanto, sem qualquer motivação ou satisfação. Quando penso que estou a avaliar papéis e que isso não causa absolutamente nenhum efeito no melhoramento das aprendizagens dos meus alunos fico frustrada. Pois, o que tenho sempre em mente é tentar arranjar as melhores estratégias e a incutir uma grande auto-estima na criança.
    Idália Mourão


  2. Acho muito bem desde que todos os docentes se envolvam verdadeiramente na elaboração do Projeto Escola. Que este se reflita efetivamente na ação de cada docente, independentemente do grau de ensino…


  3. Pela minha escola houve já esse esforço, houve já professores informados e expeditos a alertarem para essas dferenças, a apresentarem propostas… sem êxito. Quando ainda há tantos professores a idolatrar papelada é difícil levar a luz 🙂 Agora não é PCT, é PTT…

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  1. […] parte das escolas palpita-me que vamos ter um processo semelhante ao dos PCT’s: a lei acabou com os PCT (agora sem qualquer enquadramento legal), mas as escolas, quais cordeirinhos transformam os PCT em […]

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