Hoje subscrevo Alberto Gonçalves


«Por um lado, é tudo verdade [estarmos perante um saque fiscal], incluindo a deprimente falta de originalidade da retórica partidária. Por outro, é aborrecido que nenhum dos opositores do saque (a palavra é adequada) dos cidadãos se tenha em tempos distinguido na batalha que agora finge travar.» [no DN]

A seguir, o resto do comentário.

«Para António José Seguro, a subida de impostos é uma “bomba atómica fiscal”. Para o PCP, é um “maremoto fiscal”. Para Bagão Félix, trata-se de um “terramoto fiscal”. Para Francisco Louçã, a coisa atinge o “bombardeamento fiscal”. Um antigo secretário de Estado de António Guterres refere-se ao “massacre fiscal”. E pelo menos um comentador usou um estrangeirismo em voga e falou em “tsunami fiscal”. Se alguém quiser continuar a comparar as mudanças no IRS a calamidades, naturais ou não, lembro que ainda estão livres os termos “ciclone fiscal”, “raide fiscal”, “furacão fiscal”, “pandemia fiscal” e “chacina fiscal”.

Por um lado, é tudo verdade, incluindo a deprimente falta de originalidade da retórica partidária. Por outro, é aborrecido que nenhum dos opositores do saque (a palavra é adequada) dos cidadãos se tenha em tempos distinguido na batalha que agora finge travar. Pelo contrário. Os socialistas, entre o amor ao “investimento” público e a paixão pelas negociatas que esse “investimento” proporcionava, promoveram e apressaram a ruína do País. Os comunistas de ambas as facções, que aplaudiram aberrações como o TGV, incentivaram a ruína. E juro não recordar o contributo do dr. Bagão, ex-ministro das Finanças, para a redução dos gastos estatais. Em suma, e mantendo as alusões a desastres, aqueles que passaram a vida a provocar incêndios mostram-se escandalizadíssimos com a ineficácia dos bombeiros. Nos casos mais delirantes, os pirómanos querem liderar o combate aos fogos, exigem que a Alemanha volte a plantar a nossa floresta e já armazenam fósforos e combustível.

Fora dos delírios mas ainda dentro da metáfora, é evidente que os bombeiros em causa são um monumento ao desconchavo. O Governo entrou em funções cheio de ideais nobres e dedicado a tarefas urgentes: ameaça sair de funções sem aplicar um único dos primeiros e resolver qualquer das segundas. Desde o início que o séquito do dr. Passos Coelho é, essencialmente, uma máquina de transigir ou, se preferirem, um especialista em cedências. O estilo ficou logo demonstrado na novela das autarquias e continuou a desfilar em novelas diversas, de que a da RTP e a das fundações são pequenos, e por isso mesmo reveladores, exemplos: um Governo em teoria eleito para reformar o Estado é na prática incapaz de realizar uma singela reforma digna do nome.
É sabido que, por cá, cada ensaio de reforma desenterra um lóbi empenhado em sabotá-lo, e um estadista decidido a abandoná-lo. A ingenuidade, e uma ingenuidade terminal, levou uns tantos a acreditar que desta vez seria diferente. Não foi. O Governo cedeu com galhardia em todas as tentativas de diminuir a despesa. Em abono da coerência, convém notar que o Governo também cede em múltiplas tentativas de aumentar a receita, logo que estas produzam suficiente contestação nas ruas.

Devoto do método de navegação à vista – à vista do protesto seguinte, que o convence a inverter a marcha -, o Governo só não cede perante o vago grupo de interesses a que se chama contribuintes. São pouco organizados, pouco barulhentos e, apesar das aparências, são de facto poucos. Quinze por cento dos contribuintes pagam 85% do IRS, ou 9% pagam 70%. E pagam calados até ao dia em que, sempre em silêncio, por isto ou por aquilo, deixarão de pagar: os impostos, a crise, uma classe política sem vergonha e um país sem esperança.» [no DN]

Já era sabido mas não deixa de ser oportuno recordar. 15% dos contribuintes pagam 85% do IRS! Os impostos são duros mas para alguns, poucos, são mais duros. São os ricos a pagarem a crise? Não me parece.

Comments

  1. Sempre os grandes governantes carrascos depois de sair dos governos foram às TV dizer o oposto do que fizeram – o das OP foi (é) dos que mais me impressiona (ferreira do amaral) que até já arranjou taxo para o irmão economista que faz mais uns tostões em comentador TV – a 1ª vez que ouvi Ferreira do Amaral das IP fiquei estarrecida – continuo por masoquismo a ouví-los + aquele insuportável virado politólogo residente – o não sei quê Marques MENDES que até à laia de Medina Carreira apresenta quadros e gráficos e fala a correr e tem um ar ODIOSO e me faz vómitos – um pequenote – Não me lembro de um só de que tenha gostado ou percebido – talvez o Ferro Gomes que, creio, foi o primeiro a expor-se e explicar o sistema de segurança social mas já não sei pormenores mas entretanto houve aqula história pedofilista e foi uma xatice – e os que estão me Bruxelas são tanto ou mais carrascos que que estes – são todos serviçais – a RUA que o diga – e escolher quem ?? não há até ao PR – a putreafacção é total e esparrama-se pelas autarquias – e fundir freguesias é pior do que o acordo ortográfico que, igualmnte, destrói lingua e cultura – Gostei de ver ontema a manif pela CULTURA – há muitas pessoas neste país que querem reduzir a escravos – são os escavos que não querendo ficar “desamcompanhados” lançam lérias e pilérias – “o Povo não dorme – Deus não dorme” (começo a odiar o termo “povo”) como odeio o termo cadáver quando falam de alguém que morre – até o léxico é odioso

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