70 virgens à espera no céu

Confesso que já tinha pensado nisso, mas achei a ideia, especialmente por ser minha, uma perfeita estupidez.

Até ler o Pacheco Pereira:

E se o governo estivesse deliberadamente, com mais ou menos consciência do que está a fazer, a suicidar-se para fugir à sua incapacidade em governar? É que há aspectos neste Orçamento de Estado que são tão grosseiramente errados, que podem apontar para outra intenção.

Do ponto de vista meramente partidário poderia ser uma excelente iniciativa e, sabemos todos, o problema dos boys é que só pensam neles e, em alguns casos no partido – nunca no país.

Esta estratégia tinha duas vantagens: por um lado poderiam sempre dizer que tinham sido as vítimas, que até tinham tentado. Por outro amarravam Cavaco e o PS a uma solução, que teria apenas o risco de reforçar o BE e o PCP – nada de muito grave.

Ir para eleições, poderia ser muito penalizador para o PSD.

E se o Cavaco quiser alinhar nesta ideia e partilhar parte das 70 virgens a que um bombista suicida tem direito.

Francisco Louçã entende o que é ser deputado

É uma cara familiar. Todo o mundo o conhece. Tive a sorte de ser uma das primeiras pessoas que de quem me fiz amigo quando apareci em Portugal a Convite do Instituto da Ciências da Fundação Gulbenkian. Mal soube o ISCTE que estava cá, convidou-me para proferir conferências que não podiam pagar. Reparei que em Cambridge, a minha alma mater, estava todo feito, mas em Portugal estava todo para ser feito. Fiquei em Portugal, essa semana passou a ser 37 anos. Foi Francisco Louçã, Presidente do, nesses tempos, PSR ou Partido Socialista Revolucionário, mais tarde Bloco de Esquerda, quem me explicara que em Portugal havia um forte domínio das forças políticas de direita sobre o povo trabalhador. A história do PSR é conhecida em Portugal, não vou sobrecarregar ao leitor com o que é sabido.

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Campeonato Nacional de Voleibol Feminino

A tribo do Volei é uma tribo especial!

Há duas marcas que distinguem o ambiente do Voleibol daquele que eu conhecia melhor, o do futebol: a relação entre adversários, seja ao nível das atletas, das equipas técnicas, seja ao nível dos adeptos. Até a cumplicidade entre os atletas e as equipas de arbitragem é diferente.

E a segunda marca é o fair play, a capacidade de apreciar o jogo pelo jogo, a cumplicidade com o jogo no que ele tem de mais verdadeiro.

Fiquei fã e por isso tenho seguido com atenção os últimos campeonatos nacionais de voleibol feminino.

Em Portugal, a I divisão tem 10 equipas: o Sporting Clube de Braga, o Castêlo da Maia e o Gueifães, ambas da Maia, o Belenenses e a Lusófona de Lisboa, o Ginásio de Santo Tirso, o Leixões de Matosinhos, dos Açores, o Ribeirense (bi-campeão nacional) e da Madeira duas equipas: o Câmara de Lobos e o Madeira. Continuar a ler “Campeonato Nacional de Voleibol Feminino”

Windows 8 ou já tenho idade para ter juízo

Há regras básicas de sobrevivência no mundo dos sistemas operativos. A primeira é a de que nunca, mas mesmo nunca, se instala um quando ainda está fresco, em particular se vier da casa Microsoft. Dali, onde vender a preços estupidamente caros sempre foi norma só ultrapassada pela concorrente das macieiras, surpreendeu-me estarem a vender por um preço digamos que razoável, 30 aéreos. E cai na esparrela.

A ideia é tão tola como isto: meter em cima do windows 7 um formato de tablet ou de smartphone. Não é bem em cima, é ao lado, mas vai dar ao mesmo. É verdade que à primeira vista ficou tudo mais leve, mas a irresistível tentação de experimentar fez-me regressar ao sempre admirável mundo visto de Redmond: configurações do Facebook e do Skipe mandadas às malvas, tudo de chat aberto e muito online, definições de privacidade escondidas algures nem quero saber onde, que eliminei as aplicações, mandando-as, e a mim, a outra parte. Continuar a ler “Windows 8 ou já tenho idade para ter juízo”

Refundar o governo

Confesso que tinha o governo de Santana Lopes como um exemplo.

Sim, admito!

Pensei que não seria possível fazer pior. Enganei-me – acontece.

E Relvas é apenas uma parte da questão. Sabemos agora que teve equivalências a disciplinas que nem existiam. Um visionário, este boy! Sempre à frente do seu tempo

Do que se diz por aí, parece que é brilhante na gestão do aparelho, das secções, das distritais e nessas áreas nublososas da sociedade portuguesa – mas está agora visto que a excelência defendida por Nuno Crato é, na verdade, uma realidade na pessoa do sr. Ministro Relvas, o licenciado.

Mas, o problema do governo é o Relvas? Continuar a ler “Refundar o governo”

O mau spinner e o bom Squealer

Desde que o Sr. Jones se exilou na Lutetia Parisiorum e que o Napoleon das finanças passou a governar Portucale, dá o Squealer o timbre de tenor a uma propaganda de segunda categoria, muito distante daquela do seu antecessor. A última metáfora deste spinner de serviço foi a do carro usado. A tese centrou-se na ideia de quem vender um carro usado também dever certificá-lo como não tendo problemas. Uma óbvia inversão de papéis, já que quem compra é que deve atentar no estado da mercadoria. Mas o que torna a comparação de facto má é que um país não é um bem que se gasta e que se troca por outro novo. Não o é, pelo menos, para a maioria dos portugueses, os quais não usam o país em seu proveito para o deitar fora quando vão para os paraísos da impunidade fiscal.

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“O Medo”, por Manuel António Pina

O Medo

Ninguém me roubará algumas coisas,
nem acerca de elas saberei transigir;
um pequeno morto morre eternamente
em qualquer sítio de tudo isto.

É a sua morte que eu vivo eternamente
quem quer que eu seja e ele seja.
As minhas palavras voltam eternamente a essa morte
como, imóvel, ao coração de um fruto.

Serei capaz
de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?

Manuel António Pina, “Nenhum sítio”

Censura Atira Semanário Angolense para a Fogueira

Por Maka Angola

A Media Investe retirou da gráfica, na manhã de hoje, a edição de 27 de Outubro do Semanário Angolense, por incluir, uma versão quase integral do discurso do presidente da UNITA, Isaías Samakuva, sobre o estado da Nação.

Segundo apurou o Maka Angola junto da redação, a empresa proprietária, controlada por altas figuras dos Serviços de Segurança e Informação do Estado (SINSE), retirou os exemplares impressos do jornal para serem queimados. Maka Angola obteve uma cópia digital do jornal censurado, cujas páginas 8, 9 e 10 reproduzem, com tratamento gráfico, o discurso de Samakuva, de 23 de Outubro.

O discurso do líder do maior partido da oposição Samakuva foi uma réplica à recusa do Presidente José Eduardo dos Santos em proferir o discurso sobre o Estado da Nação, na abertura da terceira legislatura, conforme exigência constitucional.

José Eduardo dos Santos mandou distribuir aos deputados, como alternativa, cópias do seu discurso de tomada de posse, feito a 26 de Setembro passado. A oposição criticou o acto como inconstitucional, enquanto vários sectores da sociedade interpretaram o gesto do Presidente como uma atitude de arrogância e um acto de desrespeito ao próprio cargo que ocupa, aos deputados e à Nação.

Para melhor informação dos leitores, Maka Angola dissemina a edição censurada do Semanário Angolense e o discurso integral de Isaías Samakuva.

Publicação original.

De TEIP para autonomia

O Ministério da Educação criou em 1996 (Despacho n.º 147-B/ME/96) um programa que procurava responder às necessidades de escolas inseridas em meios mais complicados – os Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Na gíria dos profs, os TEIP. Era Ministro da Educação Marçal Grilo e Secretária de Estado, Ana Benavente.

Mais tarde, em 2008/09 foi lançada a segunda fase deste projecto (Despacho Normativo 55/2008, de 23 de Outubro), novamente por iniciativa de um governo socialista.

Esta segunda vida dos TEIP continua até aos dias de hoje e tendo sido uma oportunidade para muitas escolas desenvolverem práticas educativas para reduzir parte dos seus problemas mais delicados. As escolas TEIP têm sido financiadas por fundos europeus (POPH) e têm conseguido contratar técnicos da área social (Educadores sociais, mediadores de conflitos, por exemplo), têm conseguido desenvolver assessorias (nas aulas de matemática e de língua portuguesa) e tutorias, têm criado e dinamizado clubes (música, desporto, ciências), têm, no fundo, a capacidade de escapar da crise no meio da miséria em que vivem as escolas públicas. Diria que o projecto TEIP tem sido um bom negócio para as Escolas e para quem lá estuda.

Nuno Crato viu nos TEIP uma oportunidade.

Infelizmente!

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Tiradentes, o Mártir da Independência do Brasil

Filme de 1977 dirigido por Geraldo Vietri. A mítica figura do Tiradentes como antecedente importante da independência do Brasil.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 7 – O arranque da Revolução Industrial e o triunfo das Revoluções Liberais
Unidade 7.2. – As revoluções liberais