O Ensino da História entre nabos e abóboras (1)

o ensino da historiaUma imperiosa e dominical necessidade de nabos e abóboras cá em casa forçou-me a frequentar uma mercearia do político Soares dos Santos, quando a caminho da caixa (sem bicha, estas mercearias são caras para o pessoal aqui do bairro) me deparo com um escaparate onde se encontrava  O Ensino da História, um livro de Gabriel Mithá Ribeiro.

Nunca li nada do autor, meu colega de profissão, sabia que tinha sido lançado com apresentação pelo normalizador Rui Ramos, é barato e pequeno, ocupou-me parte da tarde de Domingo.

Isto é um bocado complicado: profissionalmente tendo a concordar com o meu colega em grande parte do que critica no ensino em geral, desde a predominância e tolices das supostas ciências da educação em geral até alguns aspectos da metodologia ora dominante sobre o que deve ser o ensino da História, muito em particular.

O assunto merece mais que umas linhas a correr, que o trabalho está-me a chamar aos gritos dentro uma mochila com um maço de testes.

Fiquemos por este palpite: estando para sair uma alteração aos programas de História, sobre o eufemismo de novas metas de aprendizagem, cheira-me, mais intensamente que os nabos, a isto: a refundação vai passar pelo óbvio, a I República em versão monárquica, esse regime de desigualdade natural que alguns acham compatível com a democracia plena e os Direitos do Homem (ou Humanos, como agora se diz naquela mania do linguisticamente correcto), e já agora uma revisão ao colonialismo dos sécs. XIX e XX, na versão relativista em que até deixámos obra. Como escreve Gabriel Mithá Ribeiro “são assuntos de elevada sensibilidade“. Pois são.  Voltarei ao assunto, detesto testes aos berros.

Comments

  1. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Estive hoje mais uma vez com uma amiga e vizinha professora de História que se chatiou tanto com as alterações sofridas de repente entre colegas e/ou direcções que resolver reformar-se antes do tempo que gostaria de ter completo – Falámos mais uma vez de história e até de Mattoso – e do que viveu (e sofreu) no seu tempo profissional – além de outras coisas claro do que “anda por aí” – É uma senhora gentil e serena e de grande cultura – O que a “escola” perde ao não ter estimado uma senhora como ela – que mais haverá – mas ?? não haverá cada vez menos ??
    Ensino e Educação – negócio e Sociedade – e não só
    Quando nos encontramos “perdemo-nos” a conversar – que bom

  2. Manuel Silva says:

    É verdade eu cada vez que olho para a Dinamarca, para a Noruega ou para a Inglaterra e Holanda (onde trabalhei muitos anos) vejo que aqueles países sao o oposto da democracia plena apesar das insituitçoes democraticas la funcionarem melhor que em qualquer republica que conheço! nem com os Direitos do Homem apesar de serem mais respeitados lá do que em outro lado qualquer. Até acho que dos indicies que apuram essas coisas a Noruega é sempre a primeira…mas pronto.
    São umas incompatibilidades mentais que na pratica nao se verificam mas que se deve sempre considerar…
    Continue a ensinar essas balelas cá na republica das bananas que eu cá por mim depois de muitos anos a dar o couro mas sendo sempre bem tratado, nao me interessa muito se o que encabeça um pais e uma coroa ou um tipo qualquer que faz a mesma figura durante 5 ou 7 anos, o que me interessa e a decencia e com que os paises tratam os cidadaos. Na Holanda fui bem tratado como aqui nao sou e respeitado apesar nao ter nada de meu a nao ser o meu trabalho…aqui nao vejo o mesmo para os meus filhos…

    • Maquiavel says:

      Entäo conhece pouco.
      Vá à Finlândia, Islândia, Alemanha, Áustria, e depois me conte se as instituições democráticas não funcionam melhor que nessas monarquias que conhece.
      Veja lá bem que nestes países que enumerei o povo é que escolhe o seu representante máximo, e pode até (pasme-se) apeá-lo! Vá lá fazer isso à Isabel 2, que anda no poleiro “só” há… 60 anos, sem que ninguém a tivesse escolhido!

      Mas há quem goste de canga… eu não!
      Sou cidadão, não súbdito!

      • Manuel Silva says:

        Eu como lhe disse conheço bem a Holanda onde vivi muitos anos a trabalhar…Não tenho cultura para estar a discutir consigo porque não tive grandes estudos por falta de oportunidades que nao me deram aqui em Portugal. Tento e estar informado e sei que a paises com coroa que funcionam tao bem ou melhor do que republicas mas tambem sei que esses paises que falou tambem funcionam muito bem. Pelo que vou vendo numas listas que aparecem as vezes nos jornais e tambem se podem consultar facilmente na internet nos 10 primeiros paises aparecem muitas monarquias e o primeiro ate e a Noruega! Isto para falar no funcionamento das instituições. Isto tudo para dizer que as coroas não sao incompatives com os Direitos do Homem ou com o funcionamento das instituições democraticas como disse o autor do texto. Era so isso que queria dizer.

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