O Ensino da História entre nabos e abóboras (1)

o ensino da historiaUma imperiosa e dominical necessidade de nabos e abóboras cá em casa forçou-me a frequentar uma mercearia do político Soares dos Santos, quando a caminho da caixa (sem bicha, estas mercearias são caras para o pessoal aqui do bairro) me deparo com um escaparate onde se encontrava  O Ensino da História, um livro de Gabriel Mithá Ribeiro.

Nunca li nada do autor, meu colega de profissão, sabia que tinha sido lançado com apresentação pelo normalizador Rui Ramos, é barato e pequeno, ocupou-me parte da tarde de Domingo.

Isto é um bocado complicado: profissionalmente tendo a concordar com o meu colega em grande parte do que critica no ensino em geral, desde a predominância e tolices das supostas ciências da educação em geral até alguns aspectos da metodologia ora dominante sobre o que deve ser o ensino da História, muito em particular.

O assunto merece mais que umas linhas a correr, que o trabalho está-me a chamar aos gritos dentro uma mochila com um maço de testes.

Fiquemos por este palpite: estando para sair uma alteração aos programas de História, sobre o eufemismo de novas metas de aprendizagem, cheira-me, mais intensamente que os nabos, a isto: a refundação vai passar pelo óbvio, a I República em versão monárquica, esse regime de desigualdade natural que alguns acham compatível com a democracia plena e os Direitos do Homem (ou Humanos, como agora se diz naquela mania do linguisticamente correcto), e já agora uma revisão ao colonialismo dos sécs. XIX e XX, na versão relativista em que até deixámos obra. Como escreve Gabriel Mithá Ribeiro “são assuntos de elevada sensibilidade“. Pois são.  Voltarei ao assunto, detesto testes aos berros.