Um campo de concentração

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É bem sabido o que é um campo de concentração: os prisioneiros de uma guerra injusta, são fechados num recinto em que são torturados, a electricidade é aplicada como parte do tormento, uma comida apenas por dia, podre e seca. A ameaça sistemática da vida, a sobrevivência se formos aguerridos, o inimigo sempre a guardar o prisioneiro para não fugir, as simulações de fuzilamento se 40 carabinas são endereçadas para o corpo do prisioneiro, que acabam por disparar ao ar, o pior dos tormentos: nunca se sabe se é hoje o dia da morte, ou amanhã, um dia qualquer, estar sempre em pé sem mexer nem desmaiar. Lentamente a fraqueza da fome aparecesse, retirando as forças do corpo. Há quem resista, há quem acaba mal, há quem morre nos tormentos. O meu Catedrático britânico sobreviveu quatro anos de Auschwitz,

os portugueses, os da PIDE de Salazar, os galegos, os de Franco, eu tive a sorte de ultrapassar o do ditador do Chile, quando o Presidente Allende foi derrubado e eu visitava o país para entender o socialismo em liberdade, os judeus dos tempos tzaristas, os da Sibéria, os do holocausto todos os da Polónia e outros. O hoje etólogo Boris Cyrulnik, os de Perth. Seis milhões no foram capazes e morreram gaseados e cremados. Outros,  como Max Chagall, Hannah Arendt, Sigmund Freud, Mélanie Klein, Albert Einstein, por se refugiarem em países democratas que lhe deram trabalho, acolhimento, cuidados, casa e um sítio digno para desenvolver essa inaudita capacidade de reconstrução humana, frase do livro de Cyrulnik de 2001: Les villanes petit canards, Odile Jacob, Paris, traduzido por Piaget 2003, Lisboa: Resiliência.

E nós? Santana já mandou que o governo e a oposição fossem trabalhar e falassem menos, Cavaco Silva promulgou uma lei inconstitucional e enviou o orçamento de Estado de 2013 para o tribunal Constitucional após promulgação, com argumentos como este: a 11 de Janeiro o Presidente da República enviou para o Tribunal Constitucional, e cujas principais conclusões o Sol divulga esta sexta-feira, Cavaco Silva sublinha que há normas no OE2013 “que enfermam de inconstitucionalidade”.

Dividido em duas partes, o texto do chefe de Estado refere-se, na primeira delas, ao corte de um subsídio na Função Pública, sublinhando que a Constituição “não autoriza discriminações assentes na divisão de cidadãos em diferentes categorias sociais e profissionais”.

Contraponto o argumento do Governo, de que o corte nos subsídios ajuda a reduzir a despesa, Cavaco afirma que esta é uma “distinção contabilística (…) que consistirá num verdadeiro imposto”.

Se era esta a opinião do PR, porque promulgou uma lei que se desencontra com a Carta Magna? Ou devemo-nos habituar às formas ilegais de governo? E às doenças do Passos Coelhos? Porque Freitas do Amaral afirmou na terça-feira 16 de Janeiro à noite na TVI24, que o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado na semana passada, com um menu de sugestões para cortar na despesa do Estado, foi “um frete feito ao Governo”?

Será este o nosso novo campo de concentração? O 25 de Abril de 1974 feneceu? A nossa Constituição não é legal para o Governo?

Pensava termos todos escapado do holocausto, mas os novos verdugos circulam entre nós livres, em quanto o povo mora na prisão do campo de Concentração denominado República de Portugal. Ainda os que migraram para encontrar utilidade a sua profissão, tiveram que voltar: não há trabalho para os portugueses sem destino….

Digo isto após um largo silêncio. Preferi escrever um livro em outra língua, que saber mais das ilegalidades dos nossos governantes. A Assembleia é um sítio de debate político e não legislativo. A lei não tem força em Portugal enquanto este governo tentar governar…

Raúl Iturra

17 de Janeiro de 2013-01-17

lautaro@netcabo.pt

Comments

  1. Raul Iturra says:

    Escrevi este texto sem nenhuma esperança de ser publicado, como tantos outros meus que estão ainda pendentes de revisão. Eram e são textos promontórios. Se o coordenador do blogue quiser ver, pode constatar a veracidade do meu comentário. Mas, nunca tem tempo! É pena. À beira de entrar nos meus 70 e 1 anos, com filhos e netos a filhos a visitar o Avô, será apenas uma prenda de anos esta publicação? O Aventar faz troça de mim como melhor entende, como as operadoras telefónicas! O Aventar tem o hábito de fazer que nós desconfiemos de nós próprios. Emotividade que, como analista, denominaria atrevida.
    O segundo motivo do texto, é a frase do El País de Madrid, Janeiro 17 2013,: CDS tem colocado a Portugal à venda! Esta frase colmatou a minha promessa de silêncio. Pode ser lido em
    http://www.noticiasaominuto.com/politica/30072/el-pa%C3%ADs-diz-que-governo-colocou-portugal-%C3%A0-venda. O meu país é uma realidade de cidadãos sem emprego, comemos como conseguimos quando o dinheiro aparece… raramente. Se o nosso fundador afonso Henriques já era alma penada pelo ultraliberalismo do Cohelho, deve ter saído de Coimbra com as suas hostes para correr,mais uma vez, com os inimigos: O CDS, o PSD-PP e a classe política que gastam o nosso dinheiro em debates sem sentido, enquanto o MSE continua a enfiar fileiras!
    Raul Iturra
    lautaro@netcabo.pt

  2. piet says:

    Vocé está a comparar a situação em Portugal de hoje em dia com um campo de concentração, até com os campos assassino como a Auschwitz? Tenha vergonha! isto já não è só o estilo pseudo-histórico que se conhece do senhor, mas simplesmente mete nojo.

    • Raul Iturra says:

      Não sei com quem falo, escrever baixo pseudónimo facilita os enganos. Primeiro, é Auschwitz, ainda que não é pecado não saber alemão, mas a história do campo é da História. Se pensa que os meus textos são pseudo histórico, grande erro introduzido no Aventar por um grande mentiroso do Aventar. Ou o senhor não sabe o que acontece no nosso país, nunca andou num campo de concentração como as figuras proeminentes que cito e foram libertadas. Leia o meu colega de Paris, Boris Cyrulnik, apenas uma recomendação, para adquirir essa inaudita capacidade de construção humana, que bem precisa! Comentários positivos, como os da Maria Celeste Oliveira, são sempre um apoio. O senhor fala de uma ferida de ver o nosso país em venda! Quando Passos Coelhos diz não, é por ser um sim, como comenta hoje José Maria Carrilho. Não é preciso responder, não perca o seu tempo com quem mete-lhe nojo. Fale com o nosso coordenador e solicite o meu abandono do Aventar.
      Deixe-me a paz do meu aniversário e da visita de filhos e netos britânicos. Sim, tenho-me enganado em citações históricas, corrigidas em textos bem baseados e com fontes. Todo nasceu de uma má leitura de um texto meu: O manifesto Comunista foi criado por Karl Marx e Fredrich Engels, mas foi redigido pela mulher da Corte do Império da Prússia, Johanna von Westphalen. Marx era um sábio com má literatura. A sua católica mulher sabia redigir| Denomina-se por Durkheim divisão do trabalho social
      Cumprimentos
      Raul Iturra


      • Caro Raul Iturra, pareceu-me entender que é hoje o seu aniversário. Assim sendo, faço votos para que tenha um dia muito feliz na companhia dos seus!

        Quanto aos comentários infelizes e mal-educados que lhe dirigem, a minha opinião é que “a palavras loucas, orelhas moucas”! Não lhes ligue! Afinal, bem pior do que a ignorância e a estupidez é a cegueira do autoconvencimento!

        Feliz cumpleaños!

        • Mauro Fereira says:

          Insultos e ofensas é para os fracos de ideias e pobres de espírito!

          Abraço

        • Raul Iturra says:

          Para Isabel G e Mauro Ferreira,
          Não se importem, eu não oiço esses comenários. Um blog é para coentar o texto com racionalidade, sabedoria e ciência, como os que recebo de dois Ministros da Ciência de países Europeus. Nota-se bem que nunca estiveram em campo de concentração, como Sir Jack Goody em Auscchwitz e eu quando fui para o Chile e ver o socialismo votado em liberdade. O mais duro é a ameaça de fuzilamento, sem morte, por ser socialista! Nunca sabemos se vamos continuar a viver! E 40 anos de exílio! O Jack entendeu e me resgatou mais rápido que a correr, junto com o meu amigo o Bispo González Cruchaga. Ganhei tempo para escrever os meus 75 livros esscritos em quato línguas diferentes.
          O triste é que não é comentado a miséria que causa pobreza. Escrevi um texto ainda sob revisão!
          E agora, os meus netos britânicos que apareceram com os seus pais para comemorar os meus anos!
          Abraço
          Raaúl Iturra
          lautaro@netcabo.pt


      • A ensinar alemão a um alemão, e a fazer do Manifesto Comunista um texto póstumo. Haja pachorra Raul. Tem vergonha.

  3. MAGRIÇO says:

    Tem razão, R.I. Não se deixe impressionar por comentários tendenciosos. Mesmo os piores regimes têm os seus defensores de serviço. Este governo, apesar de não ter mandado (ainda!) ninguém para fornos crematórios, já conta com a sua quota-parte
    de vítimas. Os fornos estão a ser subtilmente substituídos pela fome e pela miséria.

    • Raul Iturra says:

      Caro Magriço, o seu comentário deixa o ânimo leve e lembra-nos dos comentários tendenciosos que, eu, na minha angústia pelo que acontece no nosso país, tinha esquecido que era tendencioso. Importo-me mais pelo MSE, pelo recorte de pensões pequenas e pela fome do nosso povo. Como membro ativo de Amnistia Internacional, tenho já andado a partilhar a minha miséria com os mais miseráveis, esses de Vítor Hugo. Escrevi um texto sobre Da fome à Miséria em Dezembro, ainda submetido a revisão. Doe-me ver essas tendências que tentam reenviar o olhar para outros sítios. Sim, ainda não temos fornos crematórios, mas como analista, já salvei vários do suicídio por causa de não terem pão nem futuro para os seus descendentes.
      Obrigado
      Raul Iturra
      lautaro@netcabo.pt

  4. João Riqueto says:

    “As pedras do caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo!”
    .
    E que castelo “Fernando Pessoa construiu!

  5. João Riqueto says:

    Nunca perguntes por que é a gravata preta; a gravata preta é por ti!
    .

  6. Paulo Sarnada says:

    Caro Prof. Raúl Iturra,
    Feliz aniversário.
    Muitos falam de Liberdade e de Ética, mas os seus actos são reveladores de insanidade e de inveja. É a inveja que sustenta os manipuladores e os orquestadores de ódios.

    • Raul Iturra says:

      Caro Paulo Sarnada! Muito obrigado pelo seu comentário. Vamos esquecer esses orquestradores, en quanto aparecem meus filho e netos, que têm preparado uma festa para mim na casa alugada por quatro dias, apenas para comemorar os meus anos oiço as suites de Bach, com Heirich Schiff no violoncelo. As sua palavra são de um aventador, como os anteriores, que sabem que um blog é para o debate de ideias.
      Abraço agradecido
      Raúl Iturra
      lautaro@netcabo.pt

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