Série Maridos (VI)

MEU BEM

Chegaram à hora de almoço a casa do comandante, e lá estava o comandante, e lá estavam também outras pessoas, e os criados, e também alguém que lhe pareceu logo que era alguém importante. Começaram a beber vinho português e assim foi a tarde toda – lagostas, ostras, vinhos e outras iguarias portuguesas, enquanto os criados iam pondo discos de música africana para que todos pudessem dançar. Às tantas, o homem importante disse-lhe ordenando
– Vamos dançar!

Quando se sentaram de novo, o mesmo homem mandou-a ir buscar uma cerveja para ele beber, e foi aí que ela começou a ficar preocupada. Que fosse ele buscar a cerveja, respondeu-lhe. Que se despachasse a ir buscar o raio da cerveja, irritou-se ele, acrescentando que ela agora era a sua mulher. Alguém foi buscar essa cerveja, a que se seguiram muitas mais, e daí a umas horas já estavam todos mais para lá enquanto ele lhe repetia ao ouvido
– Meu bem, tu agora és minha mulher.
Ameaçou-a com um feitiço que encomendaria caso ela voltasse para Portugal, e embora ela fosse lembrando que já era casada com alguém que tinha ficado em Lisboa, e tentasse falar-lhe das conquistas da OMA (Organização da Mulher Africana), ele, obstinando-se naquela ideia, olhava para ela com compaixão e dizia-lhe
– Tu não estás a perceber meu bem: tu agora és minha mulher.
Após o que anunciou que a sua mulher só podia beber meio-copo de cerveja e também que só poderia fumar quando ele dissesse.

Eis senão quando tudo o que havia dentro daquela casa começou a ser levado para dentro de um jipe, e ela viu os criados a levarem a mesa, e as cadeiras, e as bebidas, e os copos. Alguém disse então
– Vamos à discoteca.
Levantaram-se todos e lá fora havia um outro jipe para os levar… até ao lado de lá da rua, que era onde ficava a discoteca. Quando entraram, ela viu a mesa, e as cadeiras, e as bebidas, e os copos que os criados haviam transportado num ápice. E viu também o seu marido, a dançar com as mulheres mais bonitas que lá estavam. De vez em quando, chegava-se ao pé dela e perguntava
– Meu bem, tem ciúme?

Foi então que o comandante se aproximou dela para lhe dizer discretamente que estava tudo controlado, e deu-lhe instruções para que seguisse os movimentos das outras pessoas, pois quando o seu marido estivesse distraído, todas deveriam sair da discoteca sem dar nas vistas e entrar no jipe que as esperava lá fora.

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