O estranho caso do Embaixador mal informado

Tenho para mim que o desempenho de altos cargos constitui uma responsabilidade e não propriamente um privilégio. É por isso que um ministro, um deputado ou um diplomata devem ter um cuidado acrescido quando tomam decisões, quando dão opiniões ou quando resolvem prestar esclarecimentos.

Mário Vilalva, Embaixador do Brasil em Portugal, tendo constatado que “em Portugal há algumas resistências ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, resolveu “proceder a um esclarecimento dos factos.” No entanto, decerto por estar mal informado, em lugar de esclarecer, publicou mistificações.

Aconselhá-lo-ia, antes de mais, a ler a carta aberta que lhe dirigiu Luís Canau. Encontrará aí informação abundante, esclarecida e, portanto, esclarecedora.

Tendo, ainda, em conta que o embaixador brasileiro parece acreditar que o chamado acordo ortográfico poderá contribuir para interligar “os nossos mercados editoriais sem custos adicionais” e que “livros, materiais didáticos e programas de educação à distância poderão ser reproduzidos sem os custos de adaptação do idioma a públicos diferentes”, atrevo-me a recomendar-lhe a leitura de dois textos publicados no Aventar: O mundo encantado das edições únicas e Editora Leya confirma inutilidade do acordo ortográfico.

A uniformização ortográfica e o consequente unicórnio das edições únicas correspondem a mitos que urge erradicar de vez. Esperamos contar com a ajuda do representante do Brasil em Portugal para que isso aconteça, agora que os factos ficaram esclarecidos.

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