Fartos de queixumes…

kld

Não sou adepto do partido no poder em Angola, mas ainda me revejo menos no discurso truculento de algumas figuras da oposição. No entanto, enquanto cidadão estrangeiro, entendo não me dever imiscuir nos assuntos internos do país que me acolhe bem, onde conheci pessoas de quem me tornei amigo. Foi com tristeza que ouvi o discurso do Presidente de Angola. Mas compreendo a sua posição. Quando me desloco em férias a Portugal, constato que muitos pensam que enriqueci. Outros olham para mim de soslaio como se fosse um corrupto. Existe muita incompreensão e má vontade para com esta antiga colónia, outrora a jóia da coroa do império colonial.

Percebo que alguns aí no rectangulo, principalmente a malta mais à esquerda, não perdoe o abandono do marxismo e abertura do país à iniciativa privada. Já os angolanos agradecem, poderemos discutir a velocidade a que se resolvem os problemas, mas Angola melhora em todos os indicadores e dispensa lições de Portugal em matéria de endividamento público. Tão pouco em questões judiciais, um país que viu prescrever o Fax de Macau, hemofílicos, teve os problemas conhecidos no Casa Pia e mais recente BPN ou BPP, só para citar alguns, não tem autoridade para dar lições em matéria de combate à corrupção a quem quer que seja. Outros à direita, falam mal apenas por inveja ou mesquinhez, artes onde sempre fomos mestres. Claro que o Estado português tem todo o direito e legitimidade para investigar cidadãos angolanos suspeitos de cometer irregularidades em território nacional, sem atender à sua posição social ou cargo. O que já não há paciência é para a política portuguesa, ao passar a fronteira dá para perceber que tolerância tem limites. Essa coisa abjecta do segredo de Justiça, que permite a quem trabalha no sistema judicial atirar para a opinião pública informação por medida, enxovalhando na praça pública em vez de acusar no Tribunal, pessoas que não se conseguem defender. Sejam culpados ou inocentes. Querem dar lições? Pois reformem de uma vez esse monstro e mandem para a reforma muitos dos parasitas que por lá trabalham.

Ao contrário do que por aí se pensa, aqui sabem separar o trigo do joio e não confundem os portugueses ou mesmo Portugal, com a classe política. Não estamos aqui a passar férias, mas também não damos para o peditório dos queixumes. Os cães ladram, a caravana passa.

Comments

  1. nightwishpt says:

    E a liberdade de expressão, já chegou a Angola ou fica só para quem ama a família das lavandarias?


  2. Liberdade de expressão aqui é total. A folha 8 ou a Rádio Despertar dizem do Presidente, família e governo o que Maomé não disse do toucinho. Por vezes até utilizam palavras ofensivas e acusatórias, num tom que em Portugal só escutam em manifestações…

  3. Leandro Coutinho says:

    Há bastantes anos atrás, durante a guerra civil, existiu também polémica pública e clivagem diplomática com Angola devido à possível emissão pela RTP de uma reportagem efectuada nas zonas dominadas pela Unita. Valeu o bom senso do MNE de então (Victor Sá Machado do CDS) que afirmou «entre Portugal e Angola, existe excesso de afecto». É verdade. O que se passa agora confirma-o inteiramente. A opinião pública portuguesa despreza o Mensalão do Brasil, marimba-se para as contas de Pinochet, não quer saber das fortunas esconsas dos asiáticos de Moçambique, aceitou normalmente os cabedais dos “nossos sul africanos”… etc. Em todos estes casos houve protagonistas que tiveram e têm dinheiro depositado em bancos portugueses, investimentos em imóveis e no mercado de capitais.. Um dos “sul africanos” (o Horácio Roque) pegou mesmo na Caixa Económica do Funchal e criou o “seu” banco (o Banif). Nunca ninguém questionou a origem dos fundos do Roque (o joao soares até cultivou excelsa amizade com o comendador) nem houve bruáá público sobre o assunto..! Tal como as contas secretas de Pinochet no BES, tal como a razão de fortunas feitas em escassos anos por certos goeses de Moçambique, tal como envolvimento da PT nos relatórios brasileiros do mensalão.. Mas, se se tratar de alguma coisa referente a Angola, zás.. pumba…! Eis que temos imensos escribas a debitar postas de pescada e dar lições variadas..! O joaosinho soares e outros que andaram mudos e quedos em relação aos outros temas, permitem-se usar, em público, linguagem desbragada e ofensiva contra pessoas que exercem cargos de responsabilidade nas Instituições angolanas se o assunto é o governo de Luanda. Será isso uma demonstração de que “Old habits are hard to die” ? Isto é, uma certa elite em Lisboa continua apegada á ideia que “Angola é nossa” e pode expandir a mais tosca verborreia sendo sempre impune. Uma opinião publicada que, á falta de outros temas, dia sim dia não tem parangonas sobre Angola referindo os “casos da moda”. Vamos pois recordar as palavras sábias de Sá Machado e cortar com os diferentes excessos que se vão produzindo e têm alicerce no tal “excesso de afecto”.

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