Maria e o país das maravilhas: A primeira semana em S. Tomé e Príncipe

Praia de Água Izé - as roupas espalhadas pelo areal são de pessoas que não têm água canalizada em casa

Praia de Água Izé – as roupas espalhadas pelo areal são de pessoas que não têm água canalizada em casa

Maria Gomes Moreira*

Todas as pessoas novas que conhecemos, todas as pessoas de Portugal com quem falo, todas perguntam “e então as primeiras impressões de São Tomé”? A primeira memória é quando o avião começa a aterrar, e se começa a ver no meio do mar uma mancha verde. E depois, ao sair do avião, respirar pela primeira vez este ar, pesado, quente e com cheiro a terra molhada. Só o caminho do aeroporto até casa, sempre com o mar ao lado, já vale a pena uma visita a São Tomé.

O dia começou logo com uma ida ao centro da cidade. Se à primeira vista parece que estamos a aterrar em qualquer ilha deserta e paradisíaca, na cidade a agitação é mais que muita. Já não basta todas as motas, todas as bancas a vender comida na rua ou recargas para telemóvel (sim, é mais fácil carregar o telemóvel aqui do que em qualquer sítio em Portugal – em todas as esquinas há uma banquinha onde se pode comprar “saldo”), mas para além disso a presença de um branco não passa indiferente. Todas as pessoas nos chamam, mandam beijinhos, gritam “ééé brancaéé”.

No primeiro fim-de-semana fomos explorar as praias mais perto. Ao sair da cidade, vê-se cada vez mais paisagens incríveis, mas também mais casas/barracas de madeira (algumas bem giras, mas bastantes muito pobres). Deixa de haver lojas e supermercados para haver quitandas, barracas abertas para a rua que vendem meia dúzia de produtos, com nomes tão sugestivos como Continente Minipreço. E se pelo caminho se passa por qualquer ribeiro, é certo que vai estar coberto de roupa a lavar, porque a água canalizada é algo que falta nestas casas. No primeiro fim de semana fomos à praia ao club santana, a sete ondas e à praia pomba. Nem acreditei quando entrei no mar de água quente (ai ai nunca mais na vida me vou habituar à água de Moledo) em pleno Fevereiro.

Durante a semana já tivemos bastante trabalho! Para já, estou a acompanhar um costureiro a quem foi dado um microcrédito já há algum tempo (ainda não consegui que me pagasse nada da dívida, mas já comecei a comprar tecido africano e a mandar lhe encomendas de roupa, a ver se consigo que ele pague o empréstimo às minhas custas!!!), estou a ajudar na organização num concurso no Liceu Nacional, em que os miúdos tem que ter uma ideia de negócio para uma das roças de São Tomé, e também a ajudar uma cooperativa de mulheres duma comunidade do interior que produzem banana seca e compotas.

As principais aventuras da semana foram andar de táxi – aqui os táxis só partem quando têm 5 pessoas + motoristas, o que com calor e cheiros intensos não resulta muito bem!!! – e andar de hiace, uma espécie de táxi de 9 lugares, onde normalmente vão pelo menos 12 pessoas. Bom saber que cada viagem numa destas coisas custa 40 centimos… e que mesmo assim regateamos quando nos tentam aumentar o preço para 60 centimos por sermos brancos/turistas! O outro meio de transporte frequente é motoqueiro….é vê-los por todo o lado, a chamarem-nos para confirmar que não precisamos de uma boleia paga. Basicamente é um táxi formato mota, onde só andei uma vez e que vou evitar ao máximo andar!!! Posso também dizer que mais do que a praga dos mosquitos que tanto se fala na consulta do viajante, em nossa casa é mais frequente aparecerem caranguejos que entram pelo ar condicionado, e que também já matei uma barata (esta é para ti papá, que dizias que tinha medo de insectos!)

Mais uma coisa, pela primeira vez na vida, tenho um cão!!! Chama-se Sacaninha e foi adoptada pelos MOVE que tiveram em casa antes de nós. Apesar de ser preciso andar sempre a tomar conta dela, caso contrário rói sapatos e ataca sacos inteiros de pão, faz imensa companhia (como se isso fosse preciso numa casa com 5 pessoas……) . Estou a gostar muuuito de ter um cão!

As histórias deste ultimo fim de semana ficam para uma próxima oportunidade, mas deixo já a dica que fui para uma praia paradisíaca, apanhei um temporal, perdi 2 telemóveis no meio da areia e da chuva, quando fui procurá-los não só encontrei os meus dois telemóveis como ainda encontrei um terceiro, mas que infelizmente o telemóvel de São Tomé não sobreviveu e o de Portugal deixou de funcionar o microfone. O meu normal!!!

Acabo a pedir desculpa pela demora a dar notícias e por faltarem 50 000 coisas que não me lembrei de falar ainda, mas aqui a internet é IMPOSSIVEL e o tempo também não tem abundado! Isto aos pouquinhos vai lá…

Actualização 20:18: depois de 30 minutos a tentar publicar isto no blog começo a perder a esperança. Não contem com escritas muito frequentes!

* Voluntária em S. Tomé e Príncipe na área do Empreendedorismo.

Comments


  1. Já ando para dar um salto a S.Tomé faz algum tempo. Há 2 anos e meio que vivo em Angola, temos alguma semelhança, aqui os táxis individuais são mesmo individuais, mas as Hiace (candongueiros) andam sobrelotadas e cometem toda a série de atropelos possíveis às regras de trânsito, principalmente em Luanda, nas províncias a coisa muda um pouco de figura. Também temos os kupapata (moto-táxi). Ah! E quanto a temperatura da água, no passado mês de Agosto senti frio na Praia da Rocha. Quem se habitua a estas temperaturas, não quer outra coisa…


  2. Então uma das mais ricas e belas roças – a Água Izé – está assim ?? Está esquisita

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