Infiltrados, invasões e propaganda

POLAND-US-UKRAINE-POLITICS-CRISIS-OBAMA

No inicio deste mês, o irresponsável e patético mordomo-fantoche Barroso fez correr um boato que dava conta de uma conversa telefónica tida com Vladimir Putin, na qual o presidente russo teria referido, em tom de ameaça, que poderia tomar Kiev em duas semanas. O boato do cherne deu imediatamente origem a manifestações de reprovação por parte dos moralistas ocidentais que também gostam de invadir estados soberanos e os seus soldadinhos de chumbo na comunicação social fizeram o resto do trabalho. De um momento para o outro, Putin preparava-se para tomar Kiev em duas semanas. Era dado adquirido.

Claro que brincar com Putin não é tão fácil como brincar com as ovelhas deste mundo. Com a mesma velocidade com que a propaganda ocidental sobre este tema se espalhou, o presidente russo não teve meias medidas e deu 2 dias ao mordomo para que este se retractasse publicamente, caso contrário revelaria a gravação da conversa em questão. De um momento para o outro, o mesmo Durão Barroso que até ali não tinha sentido necessidade de contrariar ou esclarecer aquilo que estava a ser veiculado pelos media e a alimentar declarações de ódio da parte de dirigentes americanos e europeus, correu a avisar todos os seus amigos do Clube de que, afinal, as declarações tinham sido tiradas de contexto mas não se alargou muito nas explicações. Já os imperialistas americanos e europeus nada disseram sobre este desfecho humilhante, mais um, para a diplomacia europeia e para o seu dono, o tio Sam Obama.

Ontem ficamos a saber que o império soviético se prepara para renascer das cinzas e ocupar a Polónia, a Roménia e os estados Bálticos. Quem nos diz é outro mordomo americano, Petro Poroshenko, actual presidente da Ucrânia e infiltrado de Washington de longa data, facto exposto pelo Wikileaks. Não vou perder tempo com Poroshenko, apenas mais uma prostituta política do bordel da “terra da liberdade”. Interessa-me antes chamar a atenção para a forma como este possível embuste está já a ser disseminado pelos media e a criar pânicos artificiais entre os menos atentos, enquanto Kiev permanece nas mãos de marionetas de extrema-direita controladas por Washington. Será que alguém no seu perfeito juízo acredita que Putin teria coragem de invadir 5 estados-membros da NATO e oferecer de bandeja aos EUA o melhor pretexto para que os senhores da guerra iniciem mais um lucrativo conflito? Só mesmo quem se alimenta de propaganda e está a leste do que realmente se passa nesta crise é que pode acreditar num absurdo desta dimensão.

Comments

  1. Américo Montez says:

    “Será que alguém no seu perfeito juízo acredita que Putin teria coragem de invadir 5 estados-membros da NATO … ? ”
    Se ainda fosse a Chechénia ou a Geórgia, dava para acreditar. Assim não.


  2. Independentemente da azia que possa causar ao autor do post o mesmo olhar crítico que lança aos EUA e à UE devia também ser aplicado à Rússia. O jogo geoestratégico é o mesmo para todos. Com a agravante da Rússia não primar (aberta e orgulhosamente) pela consideração pelos direitos individuais dos seus próprios cidadãos quanto mais dos de outros territórios.


    • não causa qualquer azia no autor porque o autor não paga cotas a partidos ou ideologias ultrapassadas. O que o Harmódio tem que perceber é que este texto trata uma questão na qual o embuste é ocidental. Claro que o jogo geoestratégico é o mesmo para todos mas nenhum abusa dele como os EUA, o maior agressor mundial. Já agora, os EUA e os seus lacaios são alguns paladinos dos direitos humanos de quem quer que seja? Quer mesmo falar de atrocidades cometidas por um lado e pelo outro? Quer falar nos terroristas, agora sob o comando do ISIS, que foram armados e treinados pelos EUA? Quer falar do Iraque, do Afeganistão ou da Siria? Enfim…


      • Cada um joga com as cartas que tem. O que há que entender no jogo é a sua natureza amoral. Por isso, para responder à sua pergunta, qual seria a utilidade de um debate sobre ética neste contexto?


        • Seria útil que o Ocidente se demarcasse do papel de terrorista para que existisse um consenso mais alargado quando estão em causa milhares de seres humanos. Armar e infiltrar terroristas para em seguida acenar com bandeiras de direitos humanos e autodeterminação dos povos serve a estratégia de Moscovo na perfeição.


          • Continua a projectar uma grelha moral que é totalmente imaginária (ambos os lados estão conscientes, e exploram, as realidades da realpolitik). Esse debate serve apenas para encher jornais, para consumo interno de um lado e outro, e não determina o curso dos eventos.

        • Nightwish says:

          Sei lá, se se discutisse mais podia-se acabar com o estado securitário que tanto tem destruído as liberdades no ocidente e tem permito aos estados tornarem-se mais totalitários, à espera de um qualquer populista que repita o passado.


          • Entrando um pouco na realidade nacional, se queremos culpados pelo rumo que os eventos têm tomado comecemos por olhar para o espelho. Haverá outros agentes com responsabilidades (com interesses diversos) mas as falhas começam com o eleitor que rejeita a cidadania plena ao recusar complexidade, situações desagradáveis ou encarar os problemas de frente. Regra geral temos optado pela fuga e isso tem dado espaço de manobra para que outros ocupem o espaço que antes era público. Quebrar este padrão não exige mais debate, exige acção e compromisso com determinadas coisas. Até ao momento em Portugal os cidadãos têm-se recusado a sair da sua área de conforto e como tal as coisas prosseguem. Repito, quem quiser apurar responsabilidades comece por uma grande dose de análise do próprio comportamento nas últimas décadas.

          • Nightwish says:

            Um mentira dita muitas vezes não passa a realidade. O problema português em 2010 nada teve a ver com a dívida nem com o défice.


          • Nightwish,

            Não me referia à dívida – essa não passa de um instrumento de poder ideológico quer para elites internas e externas para contornar a vontade popular. Falo de uma situação política e social mais vasta que se tem vindo a degenerar por inépcia e inacção dos cidadãos. E aí há responsabilidades pessoais de todos nós – não confundir o que digo com o discurso vil dos comentadores de serviço que acusam a população de ser irresponsável porque queriam comprar uma casa própria, como se tal fosse um luxo. O sistema político é o que é porque as pessoas o permitiram. A economia (privada e pública) funciona como funciona porque os cidadãos foram laxos durante décadas. Assumir uma cidadania plena envolve mais do que votar nos senhores do costume de 4 em 4 anos. Podia alongar-me mas enfim, eu próprio já escrevi longamente sobre este tema no meu espaço.


  3. Reblogged this on O Retiro do Sossego.

  4. joao lopes says:

    a russia é tão má que vai cortar o gás à alemanha…durante o próximo inverno.parece que já estou a vêr a merkl a tremer de frio…


    • já a Exxon Mobil continua a explorar petróleo com a Rosneft como se nada fosse. Que isto das sanções tem muito que se lhe diga…

      • coelhopereira says:

        O que só mostra o papel de lacaio dos EUA e, desculpe-me o Português grosso, de corno-manso que a UE tem demonstrado em toda esta lamentável questão: enquanto a Europa se arrisca a, se chegar verdadeiramente a mostarda ao nariz dos Russos, ver a sua economia ir, de vez, pelo cano, para os ianques a política é a de sempre – consolem-se com o osso, que a febra é nossa. Somos governados por génios que se preocupam muitíssimo com os interesses dos povos que lideram, disso não haja qualquer dúvida.

    • Nightwish says:

      Para não variar, a China agradece ao ocidente.

  5. coelhopereira says:

    Se há coisa que caracteriza a política dos EUA/NATO/UE ela é a esquizófrenia. A família do primeiro jornalista norte-americano a ser barbaramente decapitado afirmou que ele foi raptado na Síria por islamitas “moderados”, e por eles foi entregue ao ISIS. Os tais islamitas “moderados” que Obama, o capataz-mor da psicopata tríade atlântica, vai treinar e armar até aos dentes para combaterem o… ISIS. Genial.
    Quanto ao Excelentíssimo Senhor Cherne (ou será Alforreca?), o que eu gostaria de saber aquilo que ele disse a Putin naquela conversa telefónica que o terá levado a vir, a mata-cavalos, retractar-se face à ameaça do Governo Russo de tornar a conversinha pública. Alguma facadinha nas costas dos “amigos” ucranianos? Mistério…
    No que diz respeito às sandices daquele fantoche que passa por Presidente da Ucrânia, um conselho se impõe: que ponha menos droga no chocolate que produz e que o consuma com mais moderação. Invadir e anexar o quê?!!! Os Russos estão mortinhos, mas mortinhos, por anexar a Polónia ( esse grande país que fornece fartamente o Reino Unido de mão-de-obra miseravelmente paga), a Roménia (aqui, até me faltam as palavras para comentar a alarvidade) e, sobretudo, os falidos Estados Bálticos. É mesmo isso que todos os Russos e o seu Presidente Vladimir Putin ardentemente desejam. Isso e mais duas coisinhas: uma camada de sarna e um tumor nas partes baixas. Deve ser uma vontade premente de expandir o diminutíssimo espaço territorial da Federação Russa (a coitada daquela gente vive mais amontoada que os Palestinianos na Faixa de Gaza) ou de procurar nesses vastíssimos e riquíssimos países a invadir e a anexar as matérias-primas e os recursos naturais de que os Russos (coitadinhos!!!…) tanto carecem… É tudo isto fruto de estupidez natural ou será o resultado da aturada e competentíssima frequência por muitíssima gente de algum doutoramento em “Imbecilidade Aplicada às Relações Internacionais”?

  6. Nightwish says:

    ” anexar as matérias-primas e os recursos naturais de que os Russos (coitadinhos!!!…) tanto carecem”
    Quais?

    • coelhopereira says:

      Sabe a definição de “ironia”? Se sabe, e não duvido que saiba, a sua pergunta é completamente excusada. Tomo-a, à sua pergunta, como um desculpável e involuntário lapso seu, coisa
      de pouquíssima monta: afinal de contas, quem os nunca teve?
      Os meus sinceros cumprimentos.

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