Outros tempos

Gostava de lembrar os mais jovens – ou os mais distraídos – que há um popular – sim, popular! – poeta português chamado Guerra Junqueiro que escreveu, entre outras obras, “A Velhice do Padre Eterno”. E que lhe fizeram os seus contemporâneos de há um século atrás? Sepultaram-no. No Panteão Nacional.

Comments


  1. isso foi antes de se gramar as homilias da Opus Dei na RTP de 13 de Maio a 13 de Outubro, anos a fio.


  2. Não é verdade. Foi durante o governo de Salazar que foi transladado para o panteão.

  3. António Duarte says:

    D’A velhice do Padre Eterno

    PARASITAS

    No meio d’uma feira, uns poucos de palhaços
    Andavam a mostrar em cima d’um jumento
    Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
    Aborto que lhes dava um grande rendimento.

    Os magros histriões, hypocritas, devassos,
    Exploravam assim a flor do sentimento,
    E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
    Uns olhos sem calor e sem intendimento.

    E toda a gente deu esmola aos taes ciganos;
    Deram esmola até mendigos quasi nùs.
    E eu, ao ver este quadro, apostolos romanos,

    Eu lembrei−me de vós, funambulos da Cruz.
    Que andaes pelo universo ha mil e tantos annos
    Exhibindo, explorando o corpo de Jesus.

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