Gostava de lembrar os mais jovens – ou os mais distraídos – que há um popular – sim, popular! – poeta português chamado Guerra Junqueiro que escreveu, entre outras obras, “A Velhice do Padre Eterno”. E que lhe fizeram os seus contemporâneos de há um século atrás? Sepultaram-no. No Panteão Nacional.






isso foi antes de se gramar as homilias da Opus Dei na RTP de 13 de Maio a 13 de Outubro, anos a fio.
Não é verdade. Foi durante o governo de Salazar que foi transladado para o panteão.
D’A velhice do Padre Eterno
PARASITAS
No meio d’uma feira, uns poucos de palhaços
Andavam a mostrar em cima d’um jumento
Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
Aborto que lhes dava um grande rendimento.
Os magros histriões, hypocritas, devassos,
Exploravam assim a flor do sentimento,
E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
Uns olhos sem calor e sem intendimento.
E toda a gente deu esmola aos taes ciganos;
Deram esmola até mendigos quasi nùs.
E eu, ao ver este quadro, apostolos romanos,
Eu lembrei−me de vós, funambulos da Cruz.
Que andaes pelo universo ha mil e tantos annos
Exhibindo, explorando o corpo de Jesus.