Aviso público ao serviço público

José Manuel Pureza e a peça do José Rodrigues dos Santos sobre a Grécia.

Já agora, sobre as mentiras repetidas da direita a propósito da Grécia.

Eleições na Grécia: Tsipras no dia depois da vitória do Syriza

eleições gregas

Com ou sem maioria absoluta, amanhã começará um período interessante na Grécia. Teremos em Tsipras uma segunda versão do flop Hollande? Ou, por outro lado, terá o novo governo uma boa mão de poker para negociar com os credores gregos? Da esquerda à direita, ninguém ficará indiferente.

Servem-se frias

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Antes nas urnas que nos estádios.

A esquerda portuguesa não é a grega, tem de encontrar o seu caminho

miguel tiago

O problema da esquerda portuguesa tem um nome: sectarismo. Tem outros, como dogmatismo, incapacidade de perceber que 100 anos depois nem o capitalismo é o mesmo nem combatê-lo pode ser de feito da mesma forma, mas esses são problemas de toda a esquerda europeia.

Se na Grécia temos outro caminho, a unidade entre forças que se degladiavam há meia-dúzia de anos, a capacidade de construir uma frente que ocupe o espaço da social-democracia ocupado pelo social-liberalismo, a aprendizagem com a queda do estalinismo, se no estado espanhol um outro surgiu, fora dos partidos tradicionais e contrariando a sua esclerose, em Portugal precisamos de outro ainda. [Read more…]

António Costa desaconselha voto no PS, no PSD e no CDS

O líder socialista afirma que há uma alternativa à política de austeridade.

Jihad socrática

PSP trava agressões numa manifestação por Sócrates em frente à cadeia

Portugal a fazer rir

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Partiu uma excursão da Covilhã para Évora com o mui nobre objectivo de ir visitar Sócrates. Foram três autocarros e numa bela proporção só poderão entrar três pessoas. A minha parte preferida foi quando uma das senhoras disse que José Sócrates “não pode provar a inocência porque foi preso logo à saída do avião, na manga” (deve ser da pressão do ar nos ouvidos) e a outra que afirmou que “Porque ainda não disseram o porquê dele estar preso, os jornais dizem o que querem, as pessoas dizem o que querem” (pois o que é preciso é um Salazar em cada estação da CARRIS para acabar de vez com o Correio da Manhã e a Manuela Moura Guedes). E por fim, a mesma senhora da manga do avião acha que Sócrates está na prisão para o silenciarem. O porquê de o quererem fazer não se sabe mas claramente não resultou porque nós continuamos a ouvi-lo.

Iogurte grego estragado

O deputado do KKE Miguel Tiago e o Rui Tavares estão com azia. A direita nem se  fala.

Não olhes para trás, Orfeu

Tem a mitologia grega tanto por onde escolher que cada um guarda para a vida uma que faz sua: calhou-me a do Orfeu, fixemos este instante, quando tudo se iria resolver a meio contento proibido estava de olhar para trás e ver Eurídice, olhou e  assim a deixou ficada em estátua de sal.

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Orfeu tirando Eurídice dos infernos, Corot, 1861

Serve perfeitamente para esta ida dos gregos a votos, uma cena que por acaso até foram eles que para nós, europeus, inventaram de forma primitiva e limitada, é certo, numa cidade-estado chamada Atenas. Não olhar para trás, seguir em frente, fugir dos infernos.

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Divisão dos Balcãs rascunhada em Moscovo entre Estaline e Churchill, 9 Out 1944

Teve a Grécia o azar de ficar no lado errado das contas de dividir entre Estaline e Churchill, e levou com outra invasão, a inglesa. A guerra civil, a primeira onde a guerra fria se joga nas guerras onde morrem os outros, a guerra civil da Grécia fecha o ciclo iniciado em 1936 pela de Espanha. Não é mera coincidência que agora seja na Grécia e na Espanha que a libertação pode começar, e não esqueçamos que as ditaduras onde os três povos sofreram (e os deixaram abertos à corrupção máxima e clientelismo das castas) iniciaram o seu fim em Portugal. Desta vez seremos os últimos, lá chegaremos. [Read more…]

Guia para as eleições na Grécia: poderá o Syriza obter a maioria absoluta?

Jorge Martins

Tudo indica que, hoje, será um dia histórico para a Grécia e para a Europa, com a muito provável a vitória do partido de esquerda SYRIZA nas eleições gerais. A dúvida que se coloca é se obterá uma maioria absoluta ou apenas relativa, o que o obrigará a fazer coligações com outras forças políticas.
Para percebermos as probabilidades de isso acontecer, há que atender a três particularidades do sistema eleitoral grego:
a) o partido vencedor tem um bónus maioritário, que lhe permite ocupar, automaticamente, 50 dos 300 lugares do Parlamento helénico;
b) existe uma cláusula-barreira de 3% dos votos validamente expressos, pelo que os partidos que não atinjam essa percentagem ficam sem representação parlamentar;
c) os restantes 250 lugares serão distribuídos a nível nacional, através de um quociente eleitoral simples, pelo partidos que ultrapassaram a cláusula-barreira, sendo, posteriormente, distribuídos pelos círculos regionais.
Daqui resulta que se o partido vencedor obtiver mais de 40% dos votos validamente expressos assegura uma maioria absoluta no Parlamento. Basta multiplicar 250 por 0,4, que será igual a 100. Somando os 50, ficaria com 150 (metade do hemiciclo). Mas, como há sempre partidos que não chegam aos 3% dos votos, aquela percentagem é suficiente. [Read more…]

O poder

power to the people

Imagine que há 16 anos lhe teriam dito que optar pelo euro significaria perda acentuada de rendimento, transferência de soberania para entidades não democráticas e destruição súbita de direitos lentamente conquistados. Resumindo, imagine que em 1999 lhe teriam dado um vislumbre de um futuro, que seria hoje, onde a aniquilação do controlo sobre a política monetária viria a ser uma arma de guerra capaz de subjugar nações inteiras com maior eficácia do que as bombas. Capaz de concentrar a riqueza num grupo restrito, graças ao desaparecimento do mecanismo de, equitativamente, distribuir os problemas do país por todos, via desvalorização da moeda.

Neste cenário, teria aceite o euro? Possivelmente, não. E no entanto, aqui estamos nós presos a essa decisão, incapazes mesmo de a questionar.

É esta a capacidade do poder, a de moldar as pessoas por forma a não pensarem fora da caixa.

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Unanimidade e nojo

Podemos ter opiniões diferentes sobre as razões que levaram Mario Draghi e o BCE a tomar a decisão de fazer chover euros pela Europa – vamos lá ver quem os apanha e o que lhes faz…- para raiva da Merkel. Mas o que não podemos é estar todos felizes com o facto. Todos! Mesmo os que nos sangraram em vida em nome da perspectiva contrária, enquanto manifestavam o seu ódio a este tipo de medida. Nomeadamente o governo português, seus ministros e ex-ministros, seus apoiantes, comentadores, jornalistas e serventuários em geral, que sempre insistiram que este tipo de política era um erro grave (assim lhes asseverava a patroa). Agora, estão todos contentes. Insisto: todos.

Há unanimidades que metem nojo. Como se não bastasse o nojo anterior.

O grande romance do século 21

Gregório Duvivier

Preciso escrever o grande romance do século 21. Mas estou casado e minha vida é uma delícia. Bebemos vinho toda noite e suco verde toda manhã. Ninguém escreve o grande romance do século 21 com essa vida mansa. É preciso um pouco de instabilidade pra se escrever o grande romance do século 21.

Estou separado e morando num motel da Lapa. Difícil escrever o grande romance do século 21 ao som de um bloco de maracatu que se confunde com o show da Anitta na Fundição Progresso enquanto na sua janela um mendigo canta o hino do Flamengo.

O colchão tem sanguessugas do tamanho de um polegar e eu devo respeito às baratas porque elas chegaram aqui antes de mim. Durante a noite, alguém levou o laptop. Difícil escrever o grande romance do século 21 no bloco de notas do celular. É preciso um pouquinho de conforto para se escrever o grande romance do século 21.

Estou num flat no Leblon. Ar-condicionado split, lençol banda larga e internet de mil fios. Baixo filmografias e discografias completas num piscar de olhos. Aliás, é só o que eu faço. Difícil escrever o grande romance do século 21 com uma conexão boa dessas. Eu preciso de um pouco de isolamento. Já entendi o que falta: leitura. Para escrever o grande romance do século 21, é preciso, no mínimo, ter lido o grande romance do século 20. [Read more…]

Ora vamos lá recapitular porque temíamos a bancarrota e foi preciso a troika

Se não tivesse sido como foi, o rendimento das pessoas teria caído drasticamente (Salários caíram 22% no Estado e 11,6% no privado desde 2011), o desemprego teria disparado (Portugal é um dos 3 países que mais empregos perderam) e a fome ter-se-ia generalizado (Hospitais atendem cada vez mais grávidas com fome).

Em consequência deste cenário negro, sem termos sido salvos da bancarrota, a emigração teria disparado  (Só no ano passado [2013] emigraram 110 mil portugueses) e as contas públicas teriam ficado incontroladas (Portugal tem a terceira maior dívida pública da zona euro).

Finalmente, sem a preciosa ajuda da troika, serviços básicos do estado, como a saúde, teriam entrado em colapso (Ambulâncias retidas no hospital de Torres Vedras por falta de macas). A educação seria novamente parente pobre no estado (OE2015: Educação no topo dos ministérios que levam corte). E a corrupção dominaria a economia (Corrupção afecta o dia-a-dia de mais de um terço dos portugueses).

Ainda bem que nada disto aconteceu. Porque mau, mesmo mau, era ter acontecido e irmos para a bancarrota na mesma, levando com dose dupla de miséria. Demos graças ao maravilhoso governo que nos poupou tantos sacrifícios, a tal ponto que até sonha ganhar as próximas eleições. Ámen.

Este artigo só pode ser gozo

«Portugal foi o país resgatado que menos empobreceu». Entre 2007 e 2012, lê-se fora do destaque, num artigo publicado no “jornal” de Negócios em Dezembro de 2014.

Sinais das últimas sondagens

Pedro Parracho

As últimas sondagens vieram mostrar que a diferença entre a coligação (PSD/CDS-PP) e o PS está a diminuir. Os partidos da maioria foram os que mais subiram, o que mostra com isso, que apesar do descontentamento, devido às medidas que foram tomadas e que penalizaram as famílias portuguesas, os cidadãos não encontram no PS e no seu líder, António Costa, uma alternativa credível.
O verdadeiro problema do PS, é não ter alternativa às políticas do governo, António Costa, está bem consciente desta realidade e por isso divaga, sem nunca apresentar medidas concretas. [Read more…]