Solidariedade com o Estabelecimento Prisional de Évora

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NUNO VEIGA/LUSA

Sei que José Sócrates é culpado, mas o único castigo para a má governação consiste em não ser reeleito, à excepção do que tem acontecido com Alberto João Jardim. A má governação castiga, também, os governados, mas há quem o mereça, sobretudo se usar o voto da mesma maneira que usa o cachecol de um clube de futebol. Penso, a propósito, que faria sentido que o voto deixasse de ser secreto, para que os eleitores das maiorias pudessem ser os únicos a sofrer com as medidas tomadas pelos governos que elegeram, mesmo que indirectamente. Continuar a ler “Solidariedade com o Estabelecimento Prisional de Évora”

Zeinal Bava e a irrelevância

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© Mário Proença/Bloomberg (http://bloom.bg/14NfApG)

Apesar de continuar sem conhecer – e sem querer conhecer – a resposta à pergunta “Quem tramou Zeinal Bava?”, o meu interesse na tese da irrelevância mantém-se. Gostei de ler as notícias de ontem, acerca dos esclarecimentos que a Oi vai pedir a Zeinal Bava, pois estes podem ser extremamente importantes para dissipar algumas dúvidas que possa ainda haver nas cabeças daqueles que nos governam.

Por exemplo, quando é feita a transcrição de excertos de um texto escrito em português do Brasil, Continuar a ler “Zeinal Bava e a irrelevância”

Rapa, tira e não põe

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Corria por aí um boato orçamental segundo o qual os funcionários públicos recuperariam um bocadinho do que lhes tem sido roubado. Ora, segundo quem processa o meu vencimento, tal instrução não chegou ao serviço, e como tal este mês roubam-me o mesmo.

A confirmar-se, deve ser por essa via que o estado obtêm as tais receitas excedentes de que fala Paulo Portas, e que depois irão para os contribuintes que pagam a respectiva sobretaxa.

Eu sei que isto não faz muito sentido, mas com o Paulinho dos contribuintes e o Pedro dos saques nunca se sabe.

Privatização, à socapa, de equipamentos e funções públicas

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António Alves

Soubemos ontem, através de notícia no Site da Câmara Municipal do Porto [1], que esta pretende entregar ao FC Porto, pelo prazo de 25 anos, a gestão da Piscina Municipal de Campanhã num acto que consubstancia uma concessão directa destas instalações públicas a uma entidade privada. Não ponho obviamente em causa a capacidade do FC Porto para recuperar e gerir o equipamento. Tem-na para dar e vender. Mas o FC Porto é uma entidade privada que colocará legitimamente os seus interesses próprios sempre à frente dos interesses da cidade e dos munícipes.

A piscina de Campanhã, embora tenha problemas estruturais que devem ser resolvidos, continua perfeitamente funcional. Prova disso é que o FC Porto a utiliza regularmente para treinar os seus atletas. Continuar a ler “Privatização, à socapa, de equipamentos e funções públicas”

Vais levar, Fabiana

Ainda há meia dúzia de esplanadas pobres, longe das ruas da moda, onde a dona serve às mesas e o marido carrega o vasilhame e faz contas à vida ao balcão. As cadeiras nunca são confortáveis, as mesas assentam sobre o empedrado irregular, a garrafa que nos trazem bem pode deslizar pelo tampo inclinado e rebolar pelo chão. Tudo é precário como se a qualquer altura os donos tivessem de levantar mesas e cadeiras e sair a correr com elas à cabeça, tal e qual como as vendedeiras de meias, que nos tiram os collants das mãos quando estamos a apreçá-los e largam a correr, rua abaixo, com a polícia caça-licenças no encalço. Mas havendo sol, e uma nesga de rio, é quanto nos basta para desfrutar do precário.

Numa das mesas, uma mulher escreve versos num caderno e esconde-os com a mão, risca a última linha, resgata da rasura uma palavra, afaga a nuca e vai-se encolhendo toda, como quem fecha a concha.

Ao meu lado, um segurança de discoteca fala ao telefone com um cliente, discute preços, horários, quer saber que tipo de festa é, quantos homens terá de levar com ele. Fico a saber que o melhor dos seus homens levou um tiro num braço mas vai ficar porreiro, como o aço. Continuar a ler “Vais levar, Fabiana”

A SPA não é Charlie

Maria João Nogueira denuncia que a SPA tentou silenciar um blogger por ter escrito“coisas de que a SPA não gosta”. Contactada pelo Shifter, Maria João diz que este blogger é afinal uma blogger. “Refiro-me a algo que se passou comigo em 2012. Estávamos em pleno debate sobre o projecto de lei 118/XII (Lei Canavilhas), e eu escrevi muito no meu blogue sobre a SPA”, contou-nos numa conversa por e-mail.

A Lei Canavilhas – assim baptizada por ter sido uma iniciativa da deputada socialista de Gabriela Canavilhas (o PS estava, na altura, no Governo) – nunca avançou; tratou-se apenas de um projecto de lei relativo à cópia privada, cuja aprovação defendia ser um incentivo à economia cultural e que visava taxar os dispositivos que permitem fazer cópias.

Um director da SPA não gostou do que Maria João Nogueira publicou e ameaçou-a com um processo em tribunal. “Fez-me chegar o recado, através duma pessoa muito acima de mim, na hierarquia do sítio onde trabalho”, contou-nos. A SPA não foi a primeira empresa a tentar calar Maria João Nogueira; em 2009, recorde-se, a Ensitel tentou fazer o mesmo com a mesma blogger, mas não teve sucesso“Eles [a SPA] disseram-me que não eram uma empresa de telemóveis de vão de escada, eram muito mais poderosos.” [via shifter]

Entretanto o FB da SPA tem sido uma animação com comentários apagados. Isto do respeitinho tem muito que se lhe diga.

O post da MJN está aqui: Não SPA, tu não és Charlie.

Citação com aplauso

Ouvir os beatos e fundamentalistas católicos a toda a hora nas televisões a falar em “valores ocidentais” da democracia e da liberdade de expressão quando esses valores lhes foram impostos de fora por ateus e agnósticos em centenas de anos de luta e milhares de mortos pela separação entre a política e a religião e pela laicidade do Estado. – José Simões

Vítor curto-circuito Cunha

portrait-of-a-young-girlHá vocações e vocações e talentos residentes numa só alma que se multiplicam e desmultiplicam. O blasfemo Vítor Cunha surgiu como

Engenheiro electrotécnico de formação, programador de profissão, um peixe no oceano das novas tecnologias já com alguma experiência internacional.

Mas foi-se revelando um poço artístico sem fundo. Na boa e velha tradição da direita quando enfrenta as artes plásticas chocou com uns quadros e fez-se Bel Miro, ou Bel’Miró, numa homenagem sadia às mercearias do Azevedo.
Empolado revela-se agora poeta, enfrentando com ambição a sintaxe, como o António Fernando Nabais reparou. Ora, perante as dificuldades em mudar num ápice a gramática, o nosso engenheiro não foi de hesitações, Ctrl+I e toca de tipografar em itálico a asneira que lhe saíra, como se fora uma citação bruscamente do céu tombada:

preciso-ireis-todos

Tenho de admitir que este ireis todos para a cona da mãe que em má hora vos pariu traduzido ao jeito de madame Bobone mereceria mesmo um negrito. Continuar a ler “Vítor curto-circuito Cunha”

Cuspir na liberdade de expressão

Manif prá fotografia

(a foto em cima é da Reuters. a de baixo terá muito provavelmente sido tirada por algum Charlie…)

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“Sensibilizados” pelos monstruosos ataques terroristas à redacção do Charlie Hebdo e em Port de Vincennes, vários dirigentes europeus e não só juntaram-se Domingo à manifestação que mobilizou mais de um milhão de franceses. Ou será que foram lá apenas para a fotografia? As imagens em cima parecem-me mais do que esclarecedoras.

Continuar a ler “Cuspir na liberdade de expressão”