1000 vezes chicoteado, a 50 barris de petróleo de cada vez

Jornalismo cidadão das primeiras cinquenta chicotadas recebidas por Raif Badawi, um blogger saudita que é mesmo liberal, como os do séc. XIX:

Convinha perceber que quando se diz fundamentalismo muçulmano se deveria dizer wahhabismo,  a religião de estado na Arábia Saudita e arredores deste lado do golfo, fundada no séc. XVIII  por Mohammed ben Abdelwahhab e não por Maomé mil anos antes.

A Arábia Saudita tem sido a mãe desse fundamentalismo e não passa de um califado mas com muito mais petróleo. E o petróleo é o verdadeiro deus que governa as teocracias da tal superior civilização ocidental, a nossa, dizem eles, enquanto verificam a cotação do brent.

Comments

  1. A.Silva says:

    E os hipócritas continuam a confundir propositadamente o wahabismo com o islamismo e a silenciar a criminosa aliança entre os EUA/união europeia/israel/arabia saudita.

  2. Pedro Barros says:

    Citações do Corão sobre o apedrejamento de adúlteros:

    Bukhari (6:60:79) – Two people guilty of “illegal” intercourse are brought to Muhammad, who orders them both stoned to death. Apparently their act was out of love, since the verse records the man as trying to shield the woman from the stones.

    Bukhari (83:37) – Adultery is one of three justifications for killing a person, according to Muhammad.

    Muslim (17:4192) – This hadith clarifies the different penalties for adultery (when the subjects are married), and fornication (when they are not): “in case of married (persons) there is (a punishment) of one hundred lashes and then stoning (to death). And in case of unmarried persons, (the punishment) is one hundred lashes and exile for one year” (See also 17:4191)

    Muslim (17:4196) – A married man confesses that he has adultery. Muhammad orders him planted in the ground and pelted with stones. According to the passage, the first several stones caused such pain that he tried to escape and was dragged back.

    Muslim (17:4206) – A woman who became pregnant confesses to Muhammad that she is guilty of adultery. Muhammad allows her to have the child, then has her stoned. The description is graphic: “Khalid b Walid came forward with a stone which he flung at her head and there spurted blood on the face of Khalid and so he abused her.”

    Muslim (17:4209) – A woman confesses adultery and is stoned to death on Muhammad’s order.

    Ibn Ishaq (970) – “The adulterer must be stoned.” These words were a part of Muhammad’s farewell address to his people on the occasion of his final pilgrimage to Mecca.

    Islamic Law (Sharia) – “The stone shall not be so big so as to kill the person by one or two strikes, neither shall it be so small that it cannot be called a stone” The victim is intended to suffer.

    Dizer que o wahabismo não tem nada a ver com Maomé, é o mesmo que dizer que o nazismo não tem nada a ver com Hitler.


  3. 1: isso não são citações do Alcorão. A ignorância é lixada. Um hadith é uma interpretação, ao nível das que os cristianismos fizeram ao longo dos tempo. E, sff, até para textos interpretativos há versões em língua de gente civilizada.
    2: quantas quer do antigo testamento? começamos por Sodoma e acabamos em Gomorra?

  4. Pedro Barros says:

    Tem razão, a fonte é o Hadith, um conjunto de textos muçulmanos que relatam a vida, ensinamentos e instruções de Maomé, escritos por quem com ele conviveu; no entanto, não são textos interpretativos. Qualquer muçulmano lhe dirá que o Hadith é um texto fundamental do islamismo. Cheguei tarde para corrigir o erro.
    O caso do Velho Testamento é diferente. Existem diversos episódios de violência e guerra, mas em todos os casos trata-se de violência circunstancial, em que a mensagem não é nunca “a partir deste episódio, tratem-se sempre este tipo de pessoas desta maneira”, como acontece com a mensagem islâmica.


    • Até posso admitir que os haditsh (há vários) correspondem a um Novo Testamento não expurgado de contradições entre os evangelistas.
      Os casos são comparáveis por uma razão muito simples: em ambos colocam como divinas as leis, costumes ou tradições normais no seu tempo.
      Depois vem a História: as religiões-base foram-se subdivindindo noutras e em seitas. Que o wahabismo neste momento influencia em muito a prática dos maometanos em geral, é verdade. Misturar todas as religiões islâmicas no mesmo fundamentalismo é uma preciosa ajuda para que as coisas ainda fiquem piores. Essa é a minha batalha, e estou à vontade, sou ateu.

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  1. […] na infinita estupidez subjacente a qualquer radicalismo religioso. E, como de costume, os piores exemplos acabam sempre por chegar desse nosso estimado aliado que é a Arábia Saudita, a referência maior […]


  2. […] Estado Islâmico parecem ser as principais embaixadas onde tudo começa e acaba. Por várias vezes, o João José Cardoso chamou neste espaço a atenção para diferença entre a generalização que se faz do radicalismo islâmico e o wahhabismo, a […]

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