Frio

Num extenso artigo de uma página o Público explica-nos que a crescente mortalidade invernal – que vem subindo desde 2011 e atinge números assustadores no ano corrente – tem um culpado: o frio! E umas complicadas mutações do vírus da gripe, esse sacana. Procurei diligentemente nesse estudo as razões porque diabo tantos portugueses insistem em se expor ao frio. Nada. De modo que deve ser uma nova mania. Há pessoas que desligam a luz, o gás e todos os sistemas que as poderiam aquecer. Outras que entregam as suas casas ao banco e vão viver para sítios esquisitos. Há pessoas que fazem dietas tão radicais que chegam a deixar de comer. Há até – imaginem! – pessoas que insistem em dormir na rua. Depois, acabam por ir para os hospitais que, apesar do esforço de razia…, perdão, racionalização promovida pelo ministro da tutela parecem não ser capazes de dar cabal resposta à situação. Porque será, estranho eu? O Público não explica. Devem ser os maus hábitos dos portugueses. Que esquecem que está à solta o inimigo de todos os maus costumes:o frio, bandido e único culpado. Diz o Público. É isso. O frio o frio o frio.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    O Público, como qualquer galinha choca, existe para cacarejar o que o Governo quer no sentido de branquear a irresponsabilidade e a incompetência governativa.
    E não é o único a fazer papel de “panfleto”.

    A característica mais penosa da maior parte dos nossos jornalistas e das linhas editoriais, é a incapacidade de irem às causas profundas dos problemas o que não fazem, por uma de duas razões:
    1 – Incompetência e/ou incapacidade.
    2 – Aquisição da filosofia do “His Master’s voice” ou se preferirmos, ausência de coluna vertebral.

    Estamos num mundo dominado pelos media – os testas de ferro do nova “Ordem”.
    Assistimos sistematicamente a estes desmandos noticiosos cujo objectivo é influenciar a opinião pública.

    No fundo isto não me parece muito diferente de um drama que vivemos há pouco tempo.


  2. Reblogged this on O Retiro do Sossego.

  3. Nightwish says:

    Embora concorde com a sátira do artigo, deixo isto aqui:
    https://en.wikipedia.org/wiki/Common_cold#Weather

  4. José almeida says:

    Nos dias de hoje, é preciso estar muito atento às noticias. Quando vejo insistência em determinada noticia fico logo a pensar quem poderá estar por detrás disto. O FRIO tem
    aparecido com insistência. Querer estar informado, ler jornais, ‘charlies’ ou não, é como caminhar num campo minado. Para além do ‘frio nos bolsos’ que José Gabriel bem descreve, e da ‘chocadeira’ de noticias que Ernesto Ribeiro refere, há o negócio das vacinas. Já ouvi rumores que a vacinação foi pouco eficaz, que o vírus está mais ‘resistente’ e mais “esperto”. Quem não se lembra do mediatismo do preso 44 quando há uns anos se deixou fotografar aquando da gripe A? Foi um negócio que custou milhões aos contribuintes para nada. Tentamos ‘saldar’ as vacinas mas os angolanos não foram no engodo. Está no caldeirão mais um grande negócio, para uma segunda doze da vacina, ‘modificada’ e mais eficaz. Mais muitos milhões para para as farmacêuticas e para os ‘Donos Disto Tudo’. O estado, terá sempre ‘disponíveis’ mais uns milhões para vacinas, para “ajudar” o povo e os mais “vulneráveis”. Sócrates, deixou-se naquele tempo fotografar, o BES teve a ajuda preciosa do Cavaco, que personalidade escolher para uma nova vacina? Talvez pedir uma sugestão ao Charlie Hebdo, que passou de uns meros 60 mil exemplares para uma edição de 1 milhão…(?).

  5. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Muito bem observada a inclusão da vertente “económica”.
    Provavelmente transformar-se-á na maior fatia do “bolo”.
    Os rumores que refere são verídicos. Ouvi-os repetidos à exaustão, por jornalistas e mesmo por médicos. Não me custa, com toda a sinceridade admitir o facto científico, mas concordo que os os lobbies, têm um outro tipo de aproximação: uma vertente economicista que de altruísta nada tem.

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  1. […] Enquanto o governo que optou por ir além da Troika continua a resumir a sua pseudo-reforma do Estado ao contínuo aumento de impostos e aos cortes em salários e pensões, a sociedade portuguesa apresenta-nos sinais preocupantes que colocam as franjas mais desfavorecidas da população em situações limite. Se os números da pobreza são mais que elucidativos, com o fosso entre ricos e pobres cada vez mais fundo, algumas situações que nos remetem para um passado distante ressurgem assustadoramente. Como é possível que milhares de boys partidários inúteis tenham ordenados superiores a 3 mil euros enquanto cada vez mais portugueses morrem literalmente de frio por não conseguirem pagar a contas da luz ou …? […]

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