Pressão eleitoral na Nigéria

Nigéria

O país mais populoso de África vai amanhã a votos. Com um subsolo repleto de petróleo, uma casta de oligarcas opulentos e uma manifesta incapacidade de lidar com os terroristas do Boko Haram, facto que conduziu inclusive à humilhação militar de ter que recorrer a vizinhos pobres como o Chade ou o Níger para recuperar o controlo de algumas cidades no norte do país, a Nigéria encontra-se num impasse que, entre a remarcação e a possibilidade de novo adiamento das eleições presidenciais, poderá significar um perigoso revés na frágil democracia daquele país.

O adiamento do acto eleitoral de Fevereiro, desenhado pelo governo do PDP de Goodluck Jonathan, foi um importante revés na provável ascensão do APC do general Buhari que, segundo vários analistas, teria mais hipóteses em Fevereiro quando o governo de Goodluck Jonathan se encontrava debaixo de forte contestação. Agora, muitos milhões de nairas investidas depois e com uma imprensa agressiva e manipuladora totalmente controlada, a popularidade do PDP inverteu a trajectória e parece agora mais preparado para renovar o mandato. Contudo, e se o acto eleitoral sofrer novo adiamento fruto de suspeita de irregularidades,  o risco de uma reacção violenta por parte da população é elevado.

Entre suspeitas de desvios de fundos públicos na ordem dos 20 mil milhões de euros, corrupção generalizada, salários em atraso na função pública, desvalorização cambial e inflação galopante, sem esquecer o incontornável Boko Haram, o caso nigeriano é paradoxal e o contraste entre um país marcado por insuficiências e a casta multimilionária que produziu aquela que destronou a filha do mercenário de Luanda do título de mulher mais rica de África é gritante.  Quando em Fevereiro a imprensa ocidental noticiou o adiamento eleitoral como consequência da incapacidade do exército em garantir a segurança do acto e combater o Boko Haram ao mesmo tempo,  pouco ou nada foi dito sobre as contradições que pendem sobre um exército sem condições e com salários inferiores (e em atraso) aos mercenários sul-africanos contratados pelo estado nigeriano para combater os fundamentalistas, apesar da versão governamental afirmar que 1/4 do orçamento anual é alocado às forças armadas (valor invariavelmente desviado pelas altas patentes e não só). O general Buhari parece ser a última esperança de um país nas mãos de um regime saqueado pelas elites. Apesar do tratado de paz de fachada, será que sobrevive até amanhã?

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