O alcarnache

Na lavoura, o alcarnache é sobejamente conhecido. Corta-se-lhe a rama mas basta um pedaço de raiz para a erva regressar com igual esplendor. Adapta-se aos herbicidas, torna-se forte com as adversidades e só desaparece quando tudo o resto secou.

Há personagens assim na política e a apresentação do livro de Miguel Relvas reuniu uma parte delas. A revista Sábado publicou esta semana um depoimento de Norberto Pires, ex-presidente da CCDR Centro, a denunciar como funcionam as pressões partidárias, no caso do PSD/CDS mas podia perfeitamente ser do PS, os partidos que têm passado pelo poder. É o mundo de Relvas, e de outros, como Marco António Costa, os homens do partido, que decidem lugares nas listas de deputados e nas nomeações. A corte esteve presente na apresentação do doutor por prescrição.

“Diziam-me: é preciso substituir a tralha do PS”
Durou apenas cinco meses à frente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Este professor de robótica no departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra, de 48 anos, dá um testemunho sobre o que foi resistir às pressões partidárias. “Ninguém quer que você pense em nada”, denuncia. Foi do PSD. É vereador da oposição na câmara de Condeixa. Depois de tudo o que viu, desfiliou-se.

O que Norberto Pires relata não é propriamente novidade mas são poucas as ocasiões em que alguém que é, ou que foi, parte do sistema fala do assunto. Fica preto no branco como funciona a distribuição de dinheiro do estado, mais conhecido por incentivos, e a que ponto os egos de gentinha que subiu na cadeia de poder se manifestam em derivas de prepotência.

O outro lado da governação são os amigos
Entre explicações mornas de uma reforma – a do poder local – que ficou por concluir, só houve um momento de exaltação e entusiasmo que despertou a plateia. O elogio de Barroso a Passos.

Os amigos da governação constituem a face do que mais daninho vegeta no país. É este o lado negro que precisa de ser mudado mas, não haja ilusões, nuca tal acontecerá de dentro para fora. Qualquer sistema estável tem mecanismos que expulsam as ameaças e protegem os servos. Apenas factores externos poderão trazer alterações e destes, como temos visto ao longo da história, só aqueles ligados a violência e catástrofes  tiveram força para impor a mudança. Guerras, ódios, pestes, terror, forças da natureza. Os povos europeus estão novamente a ser encostados às cordas e é preocupante ver ressurgirem sinais que antecederam acontecimentos passados. A história repete-se, é bom não o esquecer.

Comments

  1. Carvalho says:

    As fotografias desta escumalha fazem-me lembrar uma pocilga de porcos a arreganhar as fuças.
    Uma bomba estrategicamente explodida naquele lugar tinha feito muito pela pureza do ar….ai tinha, tinha…


  2. A ineficiencia das mentes independentes assusta quem gostaria de ver alternativas, sem ser folclorias aparecerem e apresentarem umas proposta bem estruturadas e que pudessem merecer a confiança do cidadão comum -presumo que cerca de 30% eleitorado apareceria. Não crendo ser deselegante alguem leva a sério BE, Agir, Livre, Mas , PDR e grupos de teor semelhante que nem entre eles se conseguem juntar e as palhaçadas que vão debitando e fazendo são uma maostar em pequenino do que já temos. São as chapeladas, as golpadas nas convenções e a linguagem oca de que nuca teve que pagar as proprias contas e dos filhos; os lirismos internacionalistas que foram moda no PREC há 40 anos. Sinto-me por vezes desanimado e maldigo a porra dos genes que nos tem mantido sempre na cauda da UE. Nem a nova geração mais bem preparada mostra ser eficiente!! Clama a divisão do dinheiro dos outros!!

    • j. manuel cordeiro says:

      Escolheu não comentar o que é escrito no texto, debitando, em vez disso, um conjunto de lugares comuns que a direita atribui a alguns partidos. Nem uma palavra sobre a porcaria que é o arco da governação, essa sim responsável pelo estado a que o país chegou.

      Não crendo ser delegante, creio que a sua faladura é digna do teorema do macaco infinito, mas pecando pelo inconseguimento do objectivo não atingido.

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