O chico-espertismo tuga

Nas últimas horas tenho visto no facebook, twitter e demais redes sociais vários exemplos de chico-espertismo alarve no que diz respeito à Grécia. Passo a citar alguns porque creio que o caro leitor deve precaver-se contra este tipo de coisa:

1- Ahahah estão a ver o SYRIZA a festejar com os da Aurora Dourada – diz a pessoa que é a primeira a postar discursos do Nigel Farage no Parlamento Europeu porque ele está carregadinho de razão apesar de ser racista, xenófobo e não se importar minimamente com Portugal. Como se o eurocepticismo fosse apanágio da extrema direita e não de um número cada vez maior de pessoas de esquerda, direita, centro, frente e atrás.

2- Os Gregos não queriam que Portugal entrasse na CEE e porque é a “gente” agora tem de os ajudar e ser solidários? – Tem tudo a ver claro, uma coisa é igual à outra e as pessoas até são as mesmas e tudo.

3 – As pessoas que por um lado dizem “ah mas perdoou-se a dívida à Alemanha” e que no post a seguir dizem “e eles têm que pagar o dinheiro das reparações que devem à Grécia” – Então por um lado queremos o perdão de dívidas mas por outro a Alemanha deve coisas e tem de as pagar?

4- Pessoas que acham (como o nosso Presidente) que a Grécia vai ser a única prejudicada no caso de sair do euro. Estas pessoas são especialmente hilariantes pela fé que têm na economia Europeia no geral e na Portuguesa em particular.

5- Esta é especial do Paulo Rangel (mas temo que se vá espalhar rapidamente): “os outros países podem querer referendar a ajudar à Grécia” – isto é uma versão menos trolha do “ah mas eles nos anos 80 queriam complicar-nos a vida”. Pois é Sr Rangel, sabe, é  mesmo tudo igual. Votar para se acabar com a austeridade porque não se aguenta mais ou votar para dar dinheiro a um país é exactamente a mesma coisa. Aliás, Portugal chegou à situação onde chegou porque os portugueses são obrigados a dar dinheiro à Grécia. Não tem nada a ver a sucessão de governos do PS e do PSD que aumentaram a despesa pública, não tem nada a ver com a corrupção. Não, não, a razão pela qual os Portugueses não têm dinheiro é porque cada contribuinte tem de dar um x à Grécia. (Claro que outros países Europeus também nos deram um “x” portanto vê lá se a ajuda for referendada também não é referendada para este canto específico). Pessoalmente, juro do fundo da minha alminha, prefiro dar os 257 euros à Grécia do que votar no PSD. São escolhas.

O povo é quem mais ordena

Oxi

Apesar da chantagem, da tentativa de ocultação de informação e da manipulação das sondagens, a democracia venceu na Grécia. Mesmo com os líderes europeus da corte de Merkel e os representantes de instituições sem legitimidade democrática a manter a pressão alta sobre os gregos, o que incluiu apelos em tom de ameaça ao voto no sim em dia de reflexão e no próprio dia do referendo, Alexis Tsipras resistiu e reforçou o seu poder negocial, o que de resto era mais do que previsível. Chama-se democracia. Quem não estiver bem com ela, tem óptimas oportunidades de ser feliz na Coreia do Norte ou na Arábia Saudita.

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Adeus Samaras

O líder da Nova Democracia não vai ficar para a pasokização do seu partido. Boa viagem!

Reacções aos resultados do referendo grego

Primeiras reacções:

oxi reaccoes

Já agora, face aos resultados até agora conhecidos, alguém explica a opinião publicada dominante sobre o suposto empate técnico?

O relatório do FMI que a corte de Merkel tentou ocultar

Debt

Enquanto se acabam de contar os votos na Grécia, sendo quase certa a vitória do “não” no referendo, importa dar eco a um acontecimento da semana que agora termina e que, saiba-se lá porquê, foi praticamente ignorado pela comunicação social e pelos unicórnios fanáticos que disseminam a propaganda do regime, que preferem filmar as filas nos multibancos ou dar eco a manipulações absolutamente repugnantes como as aqui referidas pelo J Manuel Cordeiro.

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Da Grécia, sem amor

vaso grego
Dedicado a Camilo Lourenço, José Manuel Fernandes, José Gomes Ferreira, José Rodrigues dos Santos e outros mentirosos, a todos os que por estes dias andaram por Atenas reduzindo o jornalismo a prostituição de rua, e sobretudo aos respectivos patrões.

Grécia: primeiros resultados do referendo (actualizado)

Resultados com 20% dos votos contados:

oxi

Resultados com 40% dos votos contados:

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Página com os resultados oficiais: Referendum July 2015

Projeções do referendo grego

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As projecções do referendo na Grécia segundo quatro empresas distintas.

Doutor por prescrição

Relvas, doutor por prescrição

Relvas diz que já passou o prazo para anular a sua licenciatura

 

O revolucionário do sofá

estaline mao

O revolucionário do sofá, tal como o treinador, está sempre disponível para analisar a vida política em qualquer parte do planeta. Não faz a mínima ideia do que está em campo, mas vaticina que esquerda no poder não é esquerda a menos que tenha lá chegado à porrada, e que as forças verdadeiramente revolucionárias estão concentradas naquele enorme partido de vanguarda que obteve zero vírgula qualquer coisa por cento de votos.

Para o revolucionário de sofá contemporâneo todos os males do mundo começaram com a morte de Estaline e continuaram com a de Mao. Fanático religioso, incapaz de entender Marx mas pronto a declamar as suas obras completas, só compreende a história com profetas, santos, heróis, gajos que fizeram tudo sozinhos mesmo que contra o seu povo e massacrando o seu povo, começando logo pelos comunistas que se opunham à ditadura unipessoal que instalaram. Depois caiu a URSS, fruto de uma tenebrosa conspiração internacional, a que escapa o detalhe de os povos por aqueles lados do mundo nem numa gaveta encontrarem o socialismo. Mentalmente estão ao nível infantil de quem acredita que o Muro de Berlim foi construído para evitar uma invasão pelos berlinenses de Oeste, malta desesperada e com a ideia fixa de ir viver para o outro lado.

A carreira de revolucionário de sofá é prometedora: pensemos num Barroso, num Fernandes ou num Espada, mas ele sabe que antes de dar o salto tem de demonstrar as suas capacidades. [Read more…]

A data mais temida

cabeca

A data mais temida pelo sistema financeiro e pelos governos europeus que o servem fielmente é a data das eleições espanholas, agendadas para dezembro deste ano. Se um Syriza incomoda os mercados, um Syriza e um Podemos incomodam muito mais. Para os mercados financeiros seria um pesadelo gerir (leia-se manipular) cimeiras europeias com Tsipras e Iglesias do Podemos. Este é o cenário mais temido, tudo o resto que acontecer até às eleições espanholas não será mais do que um longo esforço para fazer do Syriza um exemplo a não ser seguido em Espanha, na Irlanda onde o Sinn Féin tem 20% nas sondagens, na Escócia onde o Partido Nacional Escocês é maioritário e em Portugal se o Bloco continuar a sua subida nas sondagens.

Ao contrário de outros comentadores, não sou vidente e não sei o que se sucederá na Grécia. Sei que os gregos e o Syriza não querem sair do euro e muito menos da União Europeia. Sei de governos que gostariam de os empurrar para fora do euro e de muitos mais que rezam pela queda do governo do Syriza. Não estou otimista para hoje. Se o governo do Syriza cair, não pense a oligarquia financeira que se vai livrar das suas responsabilidades. Depois do Syriza a política não voltará a ser a mesma, o povo reconhece hoje melhor do que nunca a diferença entre os submissos ao poder financeiro e os que lutam contra aqueles que em Genebra, na City londrina, no Luxemburgo, na Holanda ou na Jerónimo Martins continuam a ter lucros com a crise e a esmagar o povo.

Adaptação de artigo publicado no diário As Beiras a 02/07/2015.