Tempos de cinismo

demontar a propaganda - emprego

Vai ser uma campanha eleitoral cínica, está visto. O PSD a chorar lágrimas de crocodilo quanto aos emigrantes e a pretender que não foi o seu ir mais além da troika que afundou o país mais do que de outra forma se afundaria. E o PS a mandar umas larachas, pretendo que nos esqueçamos do que foram os anos loucos de Sócrates.

Mas não haja ilusões. Estas eleições são para avaliar o que o PSD/CDS fez ao país. Não vamos avaliar novamente a governação socialista, por mais que os propagandistas da direita desejem.

Entre os cínicos dos cínicos, conta-se Marques Mendes.

“A matéria do desemprego devia ficar de fora da luta política” [daqui]

Depois de assistirmos ao governo, durante meses e meses, pretender que o país melhorou, recorrendo a truques elementares, este avençado da SIC, pertença do sócio número 1 do PSD, procura virar o bico ao prego, pretendendo que é a oposição que está a usar a desgraça dos outros para fins eleitorais.

No fundo, no fundo, é um mistério o desemprego a baixar sem o emprego aumentar. Ou se calhar não.

Comments

  1. Atento says:

    Publicado em 10.08.2015 Artigo da autoria de: António Garcia Pereira

    desemprego 01Temos assistido nas últimas semanas a todo um conjunto de manobras de manipulação da opinião pública levadas a cabo pelo Governo de traição nacional Coelho/Portas tendentes a fazer passar a ideia de que a situação do desemprego em Portugal estaria a melhorar, afirmando-se mesmo que a respectiva taxa e até o número absoluto de desempregados teriam descido no final do 2º trimestre de 2015 para números inferiores aos do 1º trimestre de 2011, sendo agora, segundo números do Instituto Nacional de Estatística – INE, de 11,9% e de 620.400, respectivamente.

    Assim, ministros e dirigentes da coligação fascista PSD/CDS, como Marco António Costa, Mota Soares e Cecília Meireles, esfalfaram-se a falar em “dia histórico” e até o inefável secretário-geral da UGT, Carlos Silva, afirmou que “temos que dizer bem do que há que dizer bem” e manifestou mesmo o seu “reconhecimento pelas políticas públicas onde nós também damos o nosso esforço e demos os nossos contributos.”.

    Todos os vendidos, corruptos e vendedores da banha da cobra, com a chamada comunicação social de referência à cabeça, alinharam nesta farsa.

    A verdade, porém, é que todo este alarido não passa de uma enorme mentira e embuste e de uma monumental manipulação, como bem sabe quem quer que conheça a situação miserável do nosso País e não aceite que lhe atirem poeira para os olhos!

    Desde logo, e segundo os próprios dados do mesmo INE, o número total da população empregada desceu, no período em que o Governo se gaba de ter criado 175.000 empregos (ou seja, entre Janeiro de 2013 e Abril de 2015), de 4.893.000 para 4.458.600, ou seja, em tal período foram afinal destruídos 434.400 empregos!

    Depois, os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística, se é certo que não se reduzem ao chamado “desemprego registado” usado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional – IEFP, isto é, ao número de desempregados que se encontram efectivamente inscritos num dos Centros de Emprego, baseiam-se todavia num inquérito à população realizado relativamente apenas a uma dada amostra que se considera representativa do total da população portuguesa, com tudo o que de falível tem essa mesma consideração.

    Mas, por outro lado, e ainda mais importante, os dados do chamado “desemprego oficial” assim obtidos pelo INE, não incluem nem os denominados “inactivos disponíveis” (ou seja, os desempregados que não procuram emprego e, logo, estão fora da estatística), nem o chamado “subemprego a tempo parcial” (constituído por todos os trabalhadores que se viram forçados a aceitar um “biscate”, um emprego a tempo parcial, por não encontrarem nenhum emprego a tempo integral). E, finalmente, ficam também de fora os chamados “inactivos ocupados” como são qualificados os desempregados que estejam temporariamente a frequentar um curso ou acção de formação profissional ou a cumprir um estágio profissional. Ora, o número dos “inactivos disponíveis” era, no final de Março de 2015, de 256.800 e os do “subemprego a tempo parcial” 252.000, e no final de Junho de 242.900 e de 242.800, respectivamente, num total de 485.700 verdadeiros desempregados, enquanto o número de “inactivos ocupados” atingia os 155.892. Quer tudo isto dizer que, afinal, os dados das estatísticas oficiais do INE escamoteiam 641.592 reais desempregados, os quais, se forem contabilizados como deviam e adicionados aos 620.400 “oficiais” fazem atingir o número verdadeiramente astronómico de 1.260.000 (um milhão e duzentos e sessenta mil!) reais desempregados, e uma taxa de desemprego real superior a 24%.

    Assim vai, pois, a mentirosa propaganda oficial…

    Por outro lado, se se atentar nas estatísticas do “desemprego registado” do IEFP, mais exactamente nos respectivos quadros de “Informação Mensal do Mercado do Emprego”, constata-se não apenas que no dia 1 de Janeiro de 2015 estavam inscritos no conjunto dos Centros de Emprego 598.581 desempregados oficiais como também que, ao longo dos meses de Janeiro a Junho deste mesmo ano de 2015, se inscreveram, designadamente para poderem receber o subsídio de desemprego, um total de 340.733 novos desempregados, sendo que, durante exactamente o mesmo período de tempo, apenas arranjaram trabalho e foram colocados 64.565 desempregados.

    O que deveria significar, pela simples equação de 598.581 mais 340.733 menos 64.565 igual a 874.749, que no final de Junho estariam inscritos os referidos 874.749 desempregados. Porém, a dita “Informação Mensal do Mercado do Emprego” do IEFP respeitante ao mês de Junho refere apenas… 536.656!

    Em suma, só ao longo dos primeiros 6 meses do presente ano, o mesmo IEFP promoveu a eliminação dos respectivos ficheiros de 338.093 desempregados, sem nunca explicar minimamente as razões de tão grande e oportuno “apagão”.

    Ora, como nem os eventuais óbitos verificados entre os desempregados – cada vez mais frequentes, é verdade, devido à crescente impossibilidade de os mesmos desempregados se alimentarem e se tratarem devidamente -, nem as passagens à reforma, nem sequer a emigração (que por ano ascende a cerca de 130.000 portugueses, grande parte dos quais, é certo, desempregados), permitem explicar sequer 1/3 daquele número de 338.093, forçoso é concluir que se está aqui de novo perante o uso sistemático da técnica – já muito utilizada nos tempos da governação de Sócrates – de, em cada mês, o IEFP proceder a uma gigantesca “cajadada” ou “chapelada” de ficheiros. Com a qual procura matar dois coelhos de uma só vez: por um lado, diminuir tão artificial quanto drasticamente as estatísticas oficiais do referido “emprego registado” (apagando cerca de 40% do real) e, por outro, reduzir o valor das prestações sociais devidas aos cidadãos já que, para fazer uma nova inscrição no Centro de Emprego, o desempregado tem de aguardar 90 dias e depois ir suportar as longas e habituais filas de espera para a dita inscrição, acabando muitas vezes por desistir.

    O governo PSD/CDS não é, assim, apenas um governo de traidores que está a vender ao estrangeiro o nosso País e cada um dos seus recursos.

    Não é apenas um governo de ladrões que para pagar a dívida e encher os bolsos aos grandes capitalistas e imperialistas germânicos rouba a quem trabalha, ou já trabalhou uma vida inteira, os salários e pensões e lhe retira os mais elementares direitos sociais (nos seus 4 anos de governação, Coelho e Portas tiraram a meio milhão de portugueses apoios sociais tão básicos como o subsídio de desemprego, o rendimento social de inserção, o abono de família para as crianças ou o complemento solidário para os idosos).

    É também um governo que mente, e mente descaradamente e com quantos dentes tem na boca, para se continuar a agarrar ao poder e a encher-se à nossa custa.

    RUA COM O GOVERNO DE TRAIDORES, LADRÕES E MENTIROSOS!

    POR UM GOVERNO DEMOCRÁTICO E PATRIÓTICO!

    António Garcia Pereira

  2. Nightwish says:

    Não sei porque é que exclui um dos partidos de direita responsáveis pelo estado do país e dos cidadãos da avaliação.


  3. Agradecia-lhe, JM Cordeiro que caracterizasse três factos:
    a) a dívida pública dos anos loucos de Sócrates era de 90% do PIB?
    b) os actuais 140%, são só devidos a alguma cura que, só peca por dispendiosa?
    c) se o Meia-Leca é avençado da SIC, você é avençado de quem?

    • j. manuel cordeiro says:

      Começando pelo fim, é um facto que Marques Mendes é um avençado da SIC, já que, que eu saiba, pagam-lhe para mandar bitaites. Quanto a mim e quanto ao resto dos aventadores, lamento desiludi-lo mas ninguém nos paga, e dinheiro ou noutra forma, para escrevermos. Usamos mesmo o nosso tempo livre para uma coisa fora de moda que é expressar opinião própria.

      A dívida actual resulta da forma como o programa da troika foi feito e executado. Obivamente que não existindo crescimento da economia acima da taxa de juro paga, seria inevitável que a dívida aumentasse. Uma verdade de polichinelo mas que não impediu que tenham dado um passo em frente, estando à beira do abismo. Se havia alternativa, talvez pergunte, claro que há sempre alternativa. Poderão não interessar a todos, como por exemplo àqueles que vivem da política – e não são poucos, desde “empresários” encostados ao estado a nomeações qb por esse estado fora.

      Sobre o que Sócrates fez, escrevi sobre isso durante 6 anos e não tenciono continuar. Os textos estão disponíveis.

      • Nightwish says:

        “e não são poucos, desde “empresários” encostados ao estado a nomeações qb por esse estado fora.”

        Os verdadeiros subsídio-dependentes.

  4. Dezperado says:

    Estas eleições são para avaliar o que o PSD/CDS fez ao país “durante a alçada da troika”. Não vamos avaliar novamente a governação socialista, “sim nao vale a pena, eles estão olimpicos neste processo, só deixaram o deficit em 11% e a divida duplicou em 6 anos, peanuts”, por mais que os propagandistas da direita desejem.

  5. Fernanda says:

    Já se começa a ficar farto de se ouvir falar no governo de Sócrates!

    Os cidadãos que votaram, derrubaram este governo.

    O que está em causa, é este governo de 4 anos.

    Se é para se falar de outros, então vamos aos de Cavaco Silva que têm muito para ser analisado.

    • j. manuel cordeiro says:

      “Se é para se falar de outros, então vamos aos de Cavaco Silva que têm muito para ser analisado.”

      A começar pelo banco do PSD e a acabar na forma como os dinheiros do Fundo Social Europeu foram estoirados em falsa formação, sem nos esquecermos dos subsídios para acabar com a produção em sectores diversos, como o mar, agora tão querido à personagem.

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