Postcards from Scotland #11 (Edinburgh)

‘Todo está al revés’ ou ‘the life I could have lived, if only…’

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Janto num sítio bestial, Stac Polly, um restaurantezinho simpático e bonito, com comida fabulosa (e eu tenho andado há semanas a comer comida de pub), na St. Mary Street. Bebo uma pint de Raven Ale a acompanhar a maravilhosa refeição, uma cerveja que, tenho quase a certeza, o Diogo haveria de gostar. Percorro, depois do café bastante aceitável, o resto da rua até à Royal Mile, no cruzamento com a High Street, onde caminho até à esquina com a South Bridge. Aí encontro a Cowgate e viro logo à direita para a Guthrie Street, não sem antes hesitar se entro no Jazz Bar aqui mesmo ao lado. Hesito mas não entro, portanto, porque quero perguntar primeiro ao Manu que tal é o bar. Entro em casa devem ser pouco mais de 22h e o Manu está acompanhado do Estebán, metade equatoriano, metade espanhol, que é homem-estátua e pintor e cuja fotografia apareceu há uns dias no Times. Uma fotografia belíssima, diga-se, quando a encontrar online logo a mostrarei. O Estebán está a pintar uma parede no quarto do Manu. Duas figuras bem bonitas, já vos digo. Mas quando meto a chave à porta estão os dois a beber cubas-livre. Oferecem-me mas rejeito porque não gosto de rum, mas ali fico a conversar com os dois.

Falamos principalmente de política e a certa altura o Estebán exclama a propósito das diferenças entre os ricos e os pobres e entre os países do norte e do sul que tudo está ao contrário. ‘Todo está al revés’. Concordamos todos na maior parte das coisas, embora eu me sinta obrigada a ser mais otimista que eles e nem sei bem porquê. Mas nos últimos anos, tenho para mim que se não somos ou tentamos ser otimistas – ainda outro dia o disse noutro postal, a respeito de uma conversa sobre a Grécia havida em Aberdeen – acabaremos por nos suicidar todos. Sim, o Gonçalo M. Tavares já o escreveu muito melhor do que alguma vez eu o farei… qualquer coisa como ‘o que é surpreendente é que não existam mais pessoas que todos os dias se atirem de prédios altos’. Não era assim, era apenas parecido, mas é esta a ideia. E por isso, a necessidade de otimismo. A certa altura o Estebán vai pintar a parede e eu continuo a fumar com o Manu. Ele fala muito alto sobre as razões pelas quais se atirou de Espanha para fora. Espanha, diz, não é um país decente. Um país que deixa que aconteça às pessoas o que está a acontecer não pode ser, diz ele, um país decente. Digo-lhe que o meu país também não é decente, que a Grécia também não o é, mas que as coisas começam a mudar aos poucos, ou, pelo menos, eu tenho essa esperança.

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Privatização dos transportes no Porto:

O Governo fez um estudo. Mas também fez um caderno de encargos que descura as necessidades de serviço público. Rui Moreira não alinha. Mais info aqui.

Paulo Azevedo: um exemplo de simplicidade e sucesso.

 

O Paulo Azevedo é um gestor fora do comum, apenas veste fato e gravata só quando é mesmo estritamente necessário, conduz um pequeno mini, no dia a dia, e os seus colaboradores tratam-no simplesmente por Paulo.

É um homem simples que gosta das coisas simples da vida, muito à imagem do seu Pai, com quem aprendeu quase tudo e com quem também aprendeu a ser um líder. Não aceita o impossível, nem limites. Um dos seus princípios de vida é que é sempre possível fazer mais e melhor, por isso, é um eterno insatisfeito.

Esta é a grande diferença entre a simplicidade de um CEO de um dos mais importantes e fortes grupos económicos portugueses, com investimentos nos mais variados quadrantes do mundo, e as mordomias da maioria dos nossos políticos, desde o simples presidente de câmara de um município com 5.000 eleitores, passando pelos gestores das empresas públicas, ministros, até ao Primeiro-Ministro  E sabem porquê? É que ao Paulo Azevedo sabe o que custa a vida, sabe o que custa pagar salários ao final do mês, sabe o quanto custa arriscar todos os dias o seu dinheiro e o seu património.

Talvez muitos não saibam mas Paulo Azevedo, o homem que lidera o Grupo Sonae, tem as suas raízes familiares no Marco de Canaveses. Esta é a minha terra que é também a terra natal do seu Pai, o Engenheiro Belmiro de Azevedo. É com um enorme orgulho que vejo o Paulo Azevedo como um dos gestores de um dos maiores grupos económicos portugueses. E estou convicto que com a sua liderança vamos ter uma Sonae, no futuro, ainda mais forte e mais pujante.

Pode?

“Estado pode ter perdido milhões com privatizações da EDP e REN” [TSF]. Vender os anéis para esconder o falhanço, a isto se resume a obsessão das privatizações.

Sobre como numa economia de casino

os nossos recursos são fichas de jogo.
Mais um golo de Mariana Mortágua. Fonte: esquerda.net
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Para os pais que não são professores, isto pode ser difícil de entender

Santana Castilho*

É real e de conhecimento pessoal. Tem 53 anos, 26 de profissão a que se entregou com amor, hoje cansado. Estava efectivo a 160 quilómetros diários (80 para lá e 80 para cá) da casa onde vive com duas filhas. Concorreu para mudança de quadro de escola, para se aproximar da residência. Conseguiu colocação numa escola 40 quilómetros mais perto (20 para lá e 20 para cá). Dois dias depois, o absurdo caiu-lhe em cima: a escola onde o colocaram não tem horário para ele. Alma angustiada, empurraram-no para a dança macabra da “mobilidade por ausência de componente lectiva”, que pode terminar em “requalificação” e despedimento.

Está apresentado. É um dos muitos, com vidas adiadas. Algumas, para sempre! É professor.

Daqui a dias vai falar-se, muito, do costume: das crianças que voltam às aulas, do que os pais gastaram para lá as pôr e das escolas que ainda não abriram. Não se falará, certamente, da situação profissional dos professores. [Read more…]

Depois da tempestade, a bolsa que mais valorizou foi… a grega!

market

Depois da tempestade chinesa, com o mais que óbvio dedo de António Costa no desastre, os mercados acordaram ontem mais optimistas e foi vê-los regressar à abundância que tão bem os caracteriza. Bastou o Banco Popular da China anunciar taxas de juro mais baixas para que uma onda de euforia tomasse conta das praças europeias. Por todo o lado, índices bolsistas dispararam como foguetes no S. João e até por cá o tão nosso – ainda que parcialmente holandês – PSI-20 terminou a sessão com ganhos na ordem dos 4,71%. Contudo, não deixa de ser curioso que o índice grego tenha sido aquele que maior crescimento registou, fechando o dia com uma valorização de 9,38%. Aposto que foi obra e graça da acção do governo português. Sai um cartaz de propaganda troglodita para mesa 10 se faz favor. Portugal à Frente, até na Grécia!

P.S. Os nossos patrões da Fosun e da Haitong perderam mais de 4 mil milhões de euros com a brincadeira. Quando chega a factura?

Esfreguem com força

Cadeiras do Parlamento foram para desparasitação. Não será tarefa fácil.

Acendamos todos uma vela

Os 10 mais ricos do mundo perderam €15,4 mil milhões num dia” [Expresso]