Dedicado a todos os emigrantes lesados pelos terroristas do BES

Não que sejam os únicos merecedores desta dedicatória, mas Agosto é o mês deles e custa-me vê-los abdicar de um dia que seja das suas merecidas e sempre curtas férias para terem que ir para a rua reivindicar o que é seu mas que um bando de trafulhas lhes roubou, sem que nada de relevante lhes tenha acontecido. Infelizmente vivemos num país em que o trafulha, em particular o trafulha da elite banqueira, tende a estar acima da lei. Afinal de contas, com tanto político que comprou pelo caminho, se um destes tipos cai, a probabilidade de caírem uns quantos engravatados parlamentares dispara.  [Read more…]

Já não se fazem radicais de esquerda como antigamente

PIB grego cresce 0,8% no segundo trimestre.

Um Elogio à Vodafone

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Cá para os meus lados, o serviço que me é prestado pela Vodafone tem vindo a atravessar uma “silly season”, e se bem que o atendimento telefónico – pago por mim – tem tido pouco ou nenhum efeito paliativo, certo é que o comportamento da Vodafone nas redes sociais é digno de um elogio – pela coragem que é preciso ter para “dar o rosto” perante uma tão vasta plateia e, mais importante, a diligência com que as reclamações são tratadas.
Espero, dentro de curtos dias, vir dar conta da competente resolução do meu caso, não do meu contrato…

Peter Stein em entrevista ao Le Monde: “Senti-me sempre no dever de lutar”

Entrevista de Brigitte Salino ao encenador alemão Peter Stein, publicada no Le Monde em Agosto de 2005 e sobre a qual se debruçou a Sarah Adamopoulos num artigo de Março deste ano “Europa: misantropia e terrorismo de Estado“, foi traduzida pelo Luís Sérgio Reis Fernandes. Para ele, o agradecimento do Aventar.

Peter Stein é, política e esteticamente indissociável da história “maior” do teatro europeu: a companhia Teatro Schaubühne de Berlim que ele dirigiu de 1970 a 1987. Depois o encenador alemão instalou-se em Itália, onde vive entre Roma e a região da Úmbria, naquilo que ele chama “a sua Villa”: um campo de oliveiras, um lago e florestas a perder de vista em redor das habitações cujo largo central tem as medidas exactas do anfiteatro grego em Epidauro.

A sala de repetição, tão espaçosa quanto à do seu “Teatro”, aparece abrigada por árvores. É neste local ideal para aninhar uma Academia, que Peter Stein continua a imaginar os futuros projectos: depois de FAUSTO, de Goethe, em que é o primeiro a encenar a integral com 23 horas, em 2000, prepara Wallenstein de Schiller, em 9 horas, para 2007, na Alemanha, e Édipo-Rei de Sófocles que deverá encenar em Paris no Odéon – Teatro da Europa, com Michel Piccoli. [Read more…]

A reestruturação da dívida grega e agenda alemã

Merkel

Com as milícias de extrema-esquerda entrincheiradas na linha da frente da batalha pela reestruturação da dívida grega, a poderosa chanceler continua a resistir, enfiada no seu bunker berlinense. Angela Merkel prefere deixar o FMI fora do terceiro resgate à Grécia do que aceitar a sugestão do Fundo de reestruturar a dívida, nem que isso signifique colocar toda a pressão de um eventual incumprimento sobre as economias fragilizadas dos estados membros da União Europeia. Para quem lidera um país tão experiente em calotes, o fanatismo do executivo alemão é admirável.

Assim, e segundo o jornal alemão Die Zeit, citado pelo Expresso, a solução proposta pelo executivo alemão passará pela prestação de garantias da União Europeia ao Fundo Monetário Internacional que acautelem potenciais perdas, para que este possa participar na nova intervenção deixando cair a exigência de reestruturar a dívida grega. Se correr mal, a Europa a 28 paga. Se correr bem o FMI leva a sua fatia. O problema é que o Fundo entende que a dívida de Atenas é insustentável e impagável nas condições actuais, motivo pelo qual vê a sua participação no resgate com apreensão. Já Merkel prefere avançar em direcção ao abismo e arrastar a Europa consigo. Sensato vindo da parte de quem tem na catástrofe grega um negócio tão lucrativo. No dia em que a dívida se tornar sustentável e pagável, a torneira pode muito bem começar fechar.

Postcards from Liverpool #1

Day Tripper*
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Este postal é curto e não é inspirado. São estas horas e eu quero dormir que amanhã há muito que ver e que fazer e nem estou a falar das coisas dos Beatles. Acho que já terei mencionado que não sou particularmente fã dos quatro rapazes de Liverpool. Mas aqui chegada é, realmente, impossível não tropeçar, em cada esquina, em toda a espécie de referências.

Cheguei a Liverpool, ao hotel-prisão maravilhoso onde estou agora, em Cheapside, eram quase 11 da noite. Costumo enfatizar o tempo que demoro nas viagens e desta vez não será exceção. Era uma da tarde quando saí de casa dos meus pais, 3 e meia quando o avião descolou. 5 e meia da tarde quando aterrou sem sobressaltos em Heathrow e 7 da tarde quando entrei na Euston Station para apanhar o comboio para aqui. Antes apanhei o Heathrow Express para Paddington. Daí atrevi-me a tomar um taxi para a Euston Station, já farta do enorme trambolho que contém, entre outras coisas, a minha roupa para os próximos 16 dias. Isto significa que passei 10 horas em viagem. Comi no comboio (cujo bilhete me custou os olhos da cara e me ensinou a comprar, a partir de agora, na internet) já farta de saber que depois das 11h da noite não há grandes hipóteses de comer e de beber em praticamente qualquer cidade inglesa. Fiz bem. Também aqui se confirma que um copo que seja depois desta hora é extraordinariamente difícil. [Read more…]