Portugal, Agosto de 2015

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Naufrage | Maria Helena Vieira da Silva, 1944

Há cada vez mais pessoas que vasculham nos caixotes do lixo. Já não têm vergonha, já só têm fome: abrem os contentores e enfiam-se quase inteiras lá dentro. Há aquela velhota que pede cigarros. Dizem-me que é para o marido. Que interessa para quem são os cigarros? Há o homem que suplica à porta do supermercado por qualquer coisa para dar de comer aos filhos, o corpo de pedir todo curvado, os olhos lacrimejantes, a miséria e a desolação espelhada neles. Nas ruas abandonadas pelos que foram de férias, ficaram os mais pobres de todos. Já no ano passado foi assim, mas este é pior, há mais que ficaram, mais pobres e mais tristes, muitos doentes, a querer morrer, adoecidos pela tristeza e pela impotência, já depois da indignação. E lembro-me de como era Portugal no início dos anos 1970. Era assim triste, desolado, miserável, e os portugueses pareciam náufragos, como estes que vejo abandonados pelos poderes em Agosto de 2015.

Ou fazes o que eu mando ou faço queixa ao patrão

A interdição da pesca da sardinha decretada pelo governo, pela voz da arrebitada Assunção Cristas, é exemplo do estilo dos nossos mandantes. Não vou aqui discutir questões técnicas, para as quais não tenho competência – embora tenha sérias dúvidas do valor ecológico da medida nas presentes condições. Mas a forma grosseira e boçal da pronúncia, no estilo de capataz grunho, são bem a marca deste governo. Nem uma explicação, nem uma palavra de compreensão, nem outro fundamento que a ordem da sacrossanta “União” Europeia. “Ou acatam a ordem, ou no próximo ano a UE ainda reduz a mais as quotas de pesca”, declara, emproada, a Cristas. É assim. Nem a ditadura das suas vontades perversas e imaturas são capazes de assumir como próprias e autónomas. Como no pátio da escola em que o garoto caprichoso ameaça: ou fazes o que quero ou o aquele colega brutamontes dá-te porrada.

L, história do menino que não pediu para nascer

Conhecemo-lo muito antes de nascer, mal se anunciou a inesperada gravidez da mãe, que nascera poucos meses antes de nos mudarmos para esta casa – faz agora 18 anos. Vimo-lo crescer na barriga dela, assistimos ao tsunami que aconteceu na porta do lado, depois disso, e que resultou numa família desfeita. Sempre preferi o barulho, porque só ele nos permite saborear o silêncio. Dos que vivem em silêncio, nunca sabemos o que esperar. Como aconteceu com a J., mãe do L, que naquele dia em que a mãe dela me pediu que lhe falasse, para a tentar convencer a (pelo menos) perceber as mudanças que a vinda de uma criança iria implicar na sua ainda tão curta vida, com a agravante de ter feito uma delicada cirurgia havia ainda pouco tempo. Para o resto da vida hei-de lembrar-me do silêncio, de como ocasionalmente levantava os olhos do ecrã do telemóvel para me dizer, com meio sorriso, “vai correr tudo bem”. E correu, até há dois dias. [Read more…]

Circular de bicicleta na cidade com segurança – uma ideia fantástica

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É uma daquelas ideias em que podemos dizer “como é que não pensei nisto antes?”. No desenho das estradas, em vez de colocar os carros encostados ao passeio, com uma pista de bicicletas ao lado das pistas dos carros, colocar em vez disso a pista de bicicletas junto ao passeio e usar os carros estacionados como uma barreira de protecção. [Read more…]

Chantagem e cobardia: a lição do PàF

epa04865535 President of PSD (Social Democratic Party), Pedro Passos Coelho (R), greets the CDS-PP (Social Democratic Party) president, Paulo Portas (L), in Lisbon, Portugal, 29 July 2015, during the presentation of the coalition electoral programme for the upcoming legislative elections that will take place 04 October. EPA/MARIO CRUZ

O PSD e o CDS-PP, apesar de coligados numa só espécie de partido, pretendiam ter dois representantes no debate de 22 de Setembro, organizado pelos 3 canais nacionais em simultâneo. O Partido Socialista, e posteriormente a CDU, opuseram-se, e bem, à tentativa de Passos Coelho de trazer consigo o número dois da lista da coligação por Lisboa. Se as propostas são as mesmas e não há nada que os separe, qual é a necessidade de estarem lá duas pessoas para dizerem exactamente o mesmo? [Read more…]

Dias Loureiro precisa de atenção

Dias Loureiro

A meritocracia já viveu melhores dias neste país onde boys abanadores de bandeiras, mal preparados e incompetentes infestam a Administração Pública enquanto milhares de jovens altamente qualificados se vêm todos os dias obrigados a abandonar o país para conseguirem um emprego. Felizmente existem aqueles que resistem, gente exigente e metódica como Dias Loureiro, esse empresário bem sucedido a quem aparentemente apenas Pedro Passos Coelho reconhece valor.

A ingratidão dos povo português é imensa. Dias Loureiro era um dos homens fortes da maior fraude financeira da história do país e nem por isso recebe metade da atenção que aprendizes como José Sócrates recebem. Uma injustiça. Este Sócrates não se cansa de roubar todo o protagonismo para si. Mas não o deixemos levar novamente a melhor: nas Legislativas que se aproximam, vamos dar as mãos para impedir que Dias Loureiro caia no esquecimento. Se Sócrates que não vai a votos é tema, ele também merece a nossa atenção. Alguém lhe faça um hino por favor!

Ashley Madison – a (in)segurança da internet

Um site americano de encontros amorosos extraconjugais cuja maior preocupação era a segurança dos dados dos seus utilizadores foi alvo de um ataque informático e as suas informações secretas tornaram-se públicas.

O Ashley Madison é um site procurado por ” viciados/as ” em trair que promete aos seus utilizadores facilitar de forma secreta relações extraconjugais.

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