Imunes à austeridade


Banksters

Dizia-nos a propaganda, em Outubro de 2013, que “O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira, uma proposta de lei que estabelece “regras apertadas para as remunerações da administração e dos quadros superiores dos bancos sob auxílios do Estado”.“. Os rendimentos dos visados estariam limitados a uns míseros 15 salários mínimos, coitados. Chegava a dar pena.

Entretanto, no mundo real, ficamos por estes dias a conhecer dados revelados pela Autoridade Bancária Europeia sobre os rendimentos auferidos pelos banqueiros europeus. Em 2013, ano da proposta de lei que referi, “apenas” 6 banqueiros portugueses figuravam na lista daqueles que recebiam mais do que 1 milhão de euros por ano. Porém, em 2014, e com o rendimento médio dos banqueiros europeus a cair face ao período homólogo, a lista portuguesa recebeu um novo membro e os rendimentos dos 7, combinados, ascendem a perto de 15 milhões de euros, o dobro do valor registado no ano anterior, passando a média de 1,362 milhões em 2013 para 2,136 milhões em 2014.

Para além de todas as isenções fiscais e dos impostos pagos noutras praças, existe ainda uma pequena elite imune à austeridade. Lembrem-se disto quando voltarem a ouvir o conto para crianças que relata a história de um governo que faz frente aos poderosos. Não faz, nunca nenhum fez.

Imagem@Guilhotina.Info

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Leitura recomendada: Artes de ilusionista na tributação sobre a banca (João Ramos de Almeida@Ladrões de Bicicletas)

Comments

  1. Orvalho says:

    Tendo em conta um acórdão recente do STJ que considerou 75.000 euros uma verba suficiente para reparar a morte de uma pessoa a meio da sua vida, só o “ai aguenta, aguenta ..” ganhou em 2014 o equivalente a 15 vidas.
    http://www.sabado.pt/dinheiro/detalhe/fernando_ulrich_ganhou_11_milhoes_de_euros_em_2014.html
    E só ganhou isto porque o Banco estava sob intervenção. Agora já ganha mais.
    Vai morrer rico, certamente ..

  2. Orvalho says:

    … e se tivermos em conta este acórdão p/ ressarcir o sofrimento causado pela morte de um filho com apenas 20 anos,
    http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/e32b1563c642aaba80257e6800535114?OpenDocument&Highlight=0,75.000,morte,indemniza%C3%A7%C3%A3o
    ganhou num ano o equivalente a 55 vidas ..

  3. Isabel Martins says:

    Não quero incomodar, pelo que serei breve.

    2010- sabemos que meu marido tem um cancro colo-retal.
    Começa os tratamentos de quimio e de radioterapia.

    2011- Fevereiro é submetido a intervenção cirúrgica, no IPOFG, em Coimbra, para remover o tumor.
    Fica ostomizado.

    Sempre foi professor dedicado e interveniente.
    Agora vê-se a ter de cumprir um horário igual ao meu e ao de tantos outros colegas que não estão na situação dele.

    O saco da colostomia pode rebentar em plena sala de aulas…Cheiro e feses pela sala, pelos corredores….

    Este cenário já aconteceu, mas em casa. Qual o dia em que acontecerá na escola?

    Cada dia que vai para as aulas é um dia de ansiedade, de dúvida, de angústia. Não come para que as possibilidades de uma descarga intestinal sejam reduzidas.

    Sofre, além de tudo quanto já tinha sofrido, agora sofre porque não há vontade política para o colocarem num outro serviço que não envolva contacto direto com alunos.

    Não é caso único mas parece que não adiante fazer levantar a voz. Parece que todos fazem “orelhas moucas”

    Não me calarei.

    O sofrimento de doentes oncológicos e de suas famílias merece que alguém faça algo.

    Grata pela atenção

    • Rui Silva says:

      Claramente Isabel Martins que é um dos casos que exigiria a reforma imediata por motivos de saúde
      No entanto não espere a solidariedade de ninguém para a sua justa luta. Muito menos dos sindicatos que continuaram muito ocupados a “lutar” palas 35 horas e reforma dos funcionários públicos para os 55 anos ( como era ainda á muito pouco tempo).

      cumps

      Rui Silva

  4. Diogo Da Veiga says:

    Hoje, no Bravio: “Violinos perversos” (sobre a Escola que temos).

    http://diogodaveigabravio.blogspot.pt/2015/09/violinos-perversos.html

  5. Mariana J. Sardinha Teles Alface says:

    Pois e hoje as nossas escolas estão a “mato”…

Trackbacks

  1. […] Sobre o denominador comum da fraude financeira em Portugal, já tive oportunidade de dar os meus cinco tostões. Sobre a seriedade com que o anterior governo lidou com a banca também. Mas se vamos falar de generosidade com a banca, e com os poderosos em geral, não tenhamos memória curta. 2013 não foi assim há tanto tempo. […]

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