Mentir é parte da estratégia. Só a engole quem quer.

Défice

O BCE, essa organização tomada de assalto por temíveis milícias de extrema-esquerda, publicou na passada semana um estudo sobre o impacto orçamental do apoio ao sector financeiro durante a crise, que arrasa a actuação dos governos portugueses no período 2008 – 2014. O estudo refere que os portugueses gastaram 19,5 mil milhões de euros (11,3% do PIB) para ajudar a salvar os bancos das aventuras dos seus dirigentes, que continuam a usufruir de imunidade absoluta e patrimónios generosos e intocáveis. Eu sei que não teve nada a ver com estes esquemas caro leitor, mas a verdade é que já teve que desembolsar nada mais nada menos que 1950€ para limpar os danos causados pela trafulhice bancária. E se pensa que ficou por aqui desengane-se.

Trocado em miúdos, a análise do BCE demonstra que a taxa de recuperação de dinheiros públicos concedida pelos governos à banca é “particularmente baixa na Irlanda, em Chipre e Portugal, ao passo que é relativamente alta na Holanda“, dinheiro esse que chegou aos bancos através da compra de activos ou de empréstimos directos, como acontece hoje no caso do resgate/nacionalização/intervenção – escolha a opção que preferir, tem havido para todos os gostos – do BES bom transformado em Novo Banco, pelo qual aparentemente ninguém está disposto a pagar grande coisa.

Ora o que sucede? Sucede que a venda do Novo Banco falhou – parece que a última proposta recebida pelos emissários do governo no Banco de Portugal foi na casa dos 2 mil milhões de euros, muito abaixo dos 4,9 mil milhões, quase integralmente injectados pelo Estado – e só se fará, cenário optimista, no próximo ano. A consequência imediata foi o disparar do défice de 2014 de 4,5% para 7,2%, um indicador que regressa ao nível anterior à crise como este governo tanto gosta de anunciar. De resto, e usando da narrativa do tiro ao Costa que as tropas da coligação vêm usando desde o debate radiofónico, este governo apresenta sérios problemas no que a números diz respeito. No início da semana, Passos confundiu o pagamento de um empréstimo obrigacionista com um pagamento antecipado ao FMI – sim, seria muito mais conveniente para a propaganda, pagar antecipado ao FMI soa sempre muito bem, mesmo quando não acontece – e agora vem o défice maldito de 2014 que era de 4,5% e afinal é de 7,2%. Tantos anos de cortes e sacrifícios em nome da redução do défice para agora ir tudo por água abaixo. Mas Passos, o propagandista, já nos veio sossegar com uma brusca mudança na narrativa. Afinal, o aumento do défice já não é crítico, é mera estatística.

Mas a tentativa de nos tomar a todos por otários não fica por aqui. O INE revelou por estes dias que o défice acumulado do primeiro semestre de 2015 se situa nos 4,7%, bastante acima da meta de 2,7% definida pelo governo. E o que diz Passos Coelho? Que este anuncio reforça a sua confiança para alcançar as metas definidas. Pois claro que reforça! Se só está 74% acima do objectivo final, com certeza que haverá algum truque de ilusionismo para recuperar o desastre. Só tem que parecer verdade até dia 4 de Outubro.

Houve um tempo em que uma série de patetas acreditou na narrativa de Teixeira dos Santos, quando o ministro afirmava que a nacionalização do BPN não custaria um euro aos portugueses. Hoje, outros patetas, vestidos maioritariamente de laranja e azul-táxi, deliciam-se com o conto para crianças que Passos Coelho lhes deixou na mesinha de cabeceira e acreditam – ou fingem acreditar, tentando induzir o máximo de pessoas no mais recente embuste do Querido Líder – que esta intervenção não terá custos para o contribuinte. Mas nada disso importa porque das duas uma: ou será o próximo governo a lidar com o buraco ou, caso as sondagens que vêm surgindo reflictam a realidade, será a tropa passista e aí basta dizer aos patetas o que lhes diz quando o confrontam com as falsas promessas com que se fez eleger em 2011: que não sabia ao que ia. Uma desculpa fácil que convence adeptos fanáticos e uns quantos patetas. João Almeida bem tentou avisar que isto só lá vai a mentir aos eleitores mal a malta não quer saber…

Comments

  1. Rui Moringa says:

    Exatamente. Só engole as sistemáticas mentiras quem é tolo ou masoquista.
    Bom postal.


  2. A foto até está bem “apanhada” e mostra bem o frontispício de sacanóide militante da personagem…

  3. Rui Moringa says:

    GUERRA, apenas isso, o que é MUITO:
    POR David Calado, amigo de Augusto Madureira –
    «Existem duas maneiras de olhar para a situação. Com o coração (o que quer que isso seja), ou através da análise fria dos números, factos e extrapolação dos resultados. Olhar “com ocoração” é ver uma foto de uma criança a boiar no Mediterrâneo (o que a mim também me parte o coração) e esquecermos que a quase totalidade dos migrantes são homens jovens. Olhando para os factos o que estamos a assistir é o resultado de uma política de super expansão natalista que tem como objectivo a expansão do islão e o pan-arabismo. Olhandofriamente para os números vemos que a população da Arábia Saudita em 1960 era de 4 milhões de habitantes. Em 2010 era de 28 milhões (crescimento de 700% em 50 anos. Na Síria era de 4,5 milhões em 1960. Em 2010 era de 23 milhões (crescimento de quase 500%). Apesar da guerra a população Síria cresceu 1,5 milhões de habitantes entre 2009 e 2014. No Iraque a população cresceu 1100% (mil e cem por cento) em menos de 90 anos. Na Turquia a população entre 1960 e 2010 passou de 30 milhões para mais de 80 milhões, apesar da enorme emigração turca para o centro e norte da Europa. Ainda assim o Sr. Erdogan anda a promover uma política natalista tentando convencer as mulheres turcas a terem pelo menos 3 filhos e anda a apregoar que as suas baionetas são os minaretes. O clero muçulmano e os políticos do ME, nem sequer escondem as suas intenções: a islamização da Europa através dademografia. Se escancaramos as fronteiras da Europa vamos ser invadidos por dezenas de milhões de migrantes e será a curto prazo o fim da UE e da própria cultura europeia. Alguns preferem olhar com o coração, eu prefiro olhar para os factos. Não tenho culpa da política de expansão demográfica do islão. É uma coisa que nos está a ser imposta contra a nossa vontade. E, isto é só o começo. A tecnologia está a evoluir e o petróleo vai deixar de ser tão importante como foi até agora e vamos ter dezenas de milhões de muçulmanos a pressionarem para entrar na Europa. Claro que enunciar números e factos não é politicamente correcto. Mas prefiro ser politicamente incorrecto (e já me chamaram racista por apresentar estes números) que ser um usefulidiot. Infelizmente, ainda não vi um único artigo na imprensa ocidental abordando números e factos pelo que penso que os jornalistas estejam aterrados ante a possibilidade de serem chamados de racistas, xenófobos e nazis. E é um mito que tenham existido grandes migrações inter países durante a 2ª guerra. Os refugiados do norte de França foram para o sul de França, não para Itália ou Espanha. Os Alemães expulsos da antiga Prússia Oriental foram para a Alemanha, não para a Suécia ou Dinamarca. Os episódios mais recentes de grande movimentações humanas para a Europa foram no sec. VIII, que culminou na tomada da Península pelos muçulmanos e o expansionismo turco até às portas de Viena. Aliás, a tomada da Europa foi parada in extremis na batalha de Lepanto. Esta é a 3ª invasão. Não com armas, porque tecnologicamente somos mais avançados, mas através da demografia, que na realidade é uma arma muito mais eficiente que tanques e canhões. Por outras palavras, estamos a ser invadidos “pacificamente” (sem recurso a exércitos armados).»

    Sejam felizes…Deixem-se enganar e irão par ao reino de qualquer coisa…

  4. Manuel Santos says:

    Nesta altura de campanha eleitoral, é bem escolhido o ‘cartaz’ que encima o texto infra: ele tem mesmo ‘cara de anjinho’ (eles todos, politicamente considerados)… e este Povo vai continuar ‘anjinho’? Ai!, vai, vai… como dizia o outro. De comentadores em comentadores, dure o tempo que durar, nós, o Povo, vamos acabar silenciados… Comentadores que comentam… comentam… comentam… E?!… Ah!, eu sei: o meu comentário foi mais bem escrito e mais bem falado que o teu… porque os ‘anjinhos’ continuarão invejosos… e nós, o Povo invejoso, a ‘Lavandaria’… Os Jotinhas são o décimo sétimo partido? Não?!!! Que pena… eu punha-os a governar!!!

  5. Nightwish says:

    Louca é a esquerda que quer nacionalizar a banca…
    A ajuda era inevitável e necessária, as contrapartidas é que deviam ser muito diferentes. Sem falar na forma, que deixa os culpados mais ricos.

  6. Fernando Antunes says:

    O mais inacreditável é uma pessoa com a função de primeiro-ministro (!?) dizer que os 3,9 mil milhões de euros que o Tesouro emprestou ao Fundo de Resolução constituem “dinheiro que está a render” e que o Estado já encaixou cerca de 120 milhões de euros em juros com o adiamento da venda do Novo Banco! Entre juros recebidos e juros pagos entre entidades públicas, o ganho final para as Administrações Públicas (o que importa ao contribuinte) só pode ser nulo!

    Ou os 5,4 mil milhões pagos pelo Estado não sabe o Coelho a quem!

    Será que mente conscientemente, ou simplesmente não entende népia? Vai dizendo o que lhe escrevem, e tem que dizer as coisas de memória quando não há teleponto, e naturalmente sai calinada..

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  1. […] que isto podia correr mal, mas quem a sabia toda era o Antero. Venderam-nos uma mentira, e o país engolindo e pagando, ao sabor das contradições que se multiplicavam, quiseram fazer de nós otários, o que […]