Défice de 2.7% em 2015? É só fazer as contas.

propaganda rtp

Telejornal de 8 de Julho de 2015 (adaptado daqui)

Ontem o governo inventou um novo número para o défice de 2015: “abaixo de 3%”. Como se comprova pela imagem supra, do telejornal de 8 de Julho de 2015, apresentado pelo José da RTP tutelada pelo Passos, esse número é 2.7%. Para a PAF, a realidade é uma coisa tão dinâmica como o conceito de irrevogável. Tenho a certeza que o José da RTP tutelada pelo Passos para já estará a fazer uma reportagem que actualize os números da direita (direita da imagem e direita da coligação).

Ora, o INE anunciou ontem, também, que o défice do primeiro semestre de 2015 ficou nos 4.7% do PIB. E sabemos que vai piorar devido ao aumento de encargos com a dívida resultante da “não nacionalização” (cof, cof) do NOVO BANCO. Temos visto que o governo não acerta quanto a números, por isso vamos dar uma ajuda.

Para chegarmos ao fim do ano com um défice de 2.7%, tal como o governo anunciou em Julho de 2015 (há três meses!) e o José da RTP tutelada pelo Passos tratou de retransmitir, o défice no segundo semestre de 2015 não poderá passar de 0.9% do PIB. Nós sabemos que os os anéis vendidos à pressa ainda poderão compor alguma coisa, e é para isso e para que os empreendedores encostados ao Estado tenham negócio, que eles estão a ser vendidos. Mas convenhamos, realisticamente, antecipa-se que tal não acontecerá “se verificarmos que, a última vez que um valor destes foi atingido num semestre foi na primeira metade de 1999 e que, na segunda metade do ano passado, retirado o efeito dos 4900 milhões injectados no Novo Banco, o défice foi de 2,6%”, tal como se lê no PÚBLICO. Assim sendo, bye-bye crédito fiscal em 2016 e vamos lá ver como é que isto vai andar de orçamentos rectificativos.

Depois do governo não ter conseguido controlar a dívida e com a queda do último baluarte da campanha do governo, a questão do défice, é justo perguntar por que razão andámos neste sofrimento durante  quatro anos? Dirão que o país estava falido, o que era verdade. Mas também não deixa de ser verdade que o governo afirmou que o programa da troika era o seu programa e que, além disso, queria ir além da troika. Pagámos os anos de governação em que os partidos que foram governo aumentaram a nossa exposição aos credores e a eles sucumbimos quando nos ferraram o dente com os seus juros incomportáveis. Mas pagámos, também a fúria ideológica da coligação de direita, que usou o pretexto da troika para implementar a sua agenda de baixar o custo do trabalho, supostamente para aumentar a competitividade, apesar do resultado inexistente estar à vista. Agenda essa que incluiu, também, baixar o rendimento dos portugueses, como forma de controlar as importações e, assim, construir uma balança comercial aparentemente mais equilibrada.

Pagámos a falência em que os nossos credores nos colocaram, mas pagámos mais do que seria preciso. As opções recessivas da coligação de direita só pararam de envenenar a economia quando, em 2013, o Tribunal Constitucional travou o governo na sua senda de austeridade desembestada. Todo este empobrecimento para ficarmos pior do que estávamos no ponto de partida.

Será verdade o que as sondagens mostram? Tenho muitas dúvidas. Há muita manipulação na comunicação social, como se pode ver por este exemplo, e já em duas eleições este ano vimos sondagens falhar redondamente (Inglaterra e Grécia). Soma-se a isto a gigantesca campanha que a PAF está a executar no Facebook e no Twitter, com perfis falsos, como já no Aventar foi demonstrado. Esta campanha nas redes sociais poderá não dar votos directamente mas cria um zum-zum que, conjuntamente com a comunicação social, poderá criar uma certa realidade paralela. No entanto, caso estas sondagens tenham, de facto, correspondência com a realidade, tenho a dizer que os portugueses, ao não se informarem e ao não votarem, deixando a decisão para os que votam, terão o que merecem.

Faltam 9 dias para o acto eleitoral. Em breve saberemos.

Comments

  1. Fernando Antunes says:

    Reportes estatísticos…. Andamos a privatizar ao desbarato tudo e mais alguma coisa, até o ar qualquer dia, e a cortar/poupar em salários e pensões que já eram de miséria – e tudo para quê? Para o farsola vir dizer mais tarde, após pôr todas as funções do Estado nas mãos de chineses e brasileiros e angolanos, e mandar emigrar os tugas com habilitações, e deixar este país (que já não o é) num cenário económico pós-tróica (que não foi ele quem chamou) de dívida galopante e nenhum crescimento – que tudo afinal não passa de reportes estatísticos sem efeito no dia-a-dia dos portugueses..

  2. Dezperado says:

    Jose

    Consegue-me explicar como o Novo Banco vai afetar o deficit?

    Obrigado

  3. joão lopes says:

    nunca um governo que dá pelo nome da Paf(sem duvida que paf significa uma grande chapada na cara do contribuinte,ouvis-te ò gaspar,sim não estas esquecido) contou com uma campanha de propaganda e contra-informação como o actual na comunicação social dita tradicional e tambem redes sociais.Mas os portugueses não são todos estupidos.embora sejam os portugueses mais uma vez a suportar…os 7,2%.

  4. Daniel says:

    Ele ate acertou nos numeros. Nao os pos foi na ordem certa! Mas pronto, falando mais a serio, e’ descarada a tendencia que este e mais uns quantos afilhados conseguem fazer na televisao publica. Nao havera por ai uma maneira de expulsar esses farsolas do tempo de antena?


  5. é tão descarado o alinhamento da CS com a PAF e a ERC(Entidade Reguladora para a Comunicação Social) não faz nada não diz nada ninguém se queixa? isto não é normal ou eu ando distraído e nem reparei no novo normal? é tão evidente a manipulação que eu tenho duvidas que valha a pena ir ao sitio na net fazer reclamação.

    http://www.erc.pt/pt/balcao-virtual/formulario-de-participacoes

    algumas curiosidades

    Como são nomeados os membros do Conselho Regulador?

    O Conselho Regulador é composto por cinco membros, sendo quatro destes designados, por resolução, da Assembleia da República. A cooptação (escolha) do quinto elemento é da responsabilidade dos membros já designados.

    Qual o âmbito de Intervenção da ERC?

    Estão sujeitas à supervisão e intervenção do Conselho Regulador todas as entidades que, sob jurisdição do Estado Português, prossigam actividades de comunicação social, designadamente:
    a) As agências noticiosas;
    b) As pessoas singulares ou colectivas que editem publicações periódicas, independentemente do suporte de distribuição que utilizem;
    c) Os operadores de rádio e de televisão, relativamente aos serviços de programas que difundam ou aos conteúdos complementares que forneçam, sob sua responsabilidade editorial, por qualquer meio, incluindo por via electrónica;
    d) As pessoas singulares ou colectivas que disponibilizem ao público, através de redes de comunicações electrónicas, serviços de programas de rádio ou de televisão, na medida em que lhes caiba decidir sobre a sua selecção e agregação;
    e) As pessoas singulares ou colectivas que disponibilizem regularmente ao público, através de redes de comunicações electrónicas, conteúdos submetidos a tratamento editorial e organizados como um todo coerente.

  6. Antonio Santos says:

    Porque as regras do Eurostat mudaram entretanto e foi necessário reconstruir as séries, para permitir a comparabilidade. Isto sem contar com o impacto, em 2010 e 2011, da introdução de portagens nas ex-SCUT, por iniciativa do PSD, no que se refere ao OE para 2011, a qual também implicou uma imputação imediata dos custos, quando antes a mesma iria tendo lugar ao longo da vigência do contrato com os privados.

    • j. manuel cordeiro says:

      Estou a perceber. É tudo uma questão estatística. Pena que, anteriormente, tenha sido usada para me cobrar mais impostos.