Mentira dita com cara de sentido de estado não deixa de ser mentira

Vamos à avantesma. Os nossos dicionários são inequívocos “aparição de uma pessoa morta”, “pessoa ou objecto assustador, disforme ou demasiado grande”. Morto está, mas o Presidente da República ainda lhe permite que mexa, para ainda maior susto dos portugueses. Mete medo? Mete e ainda devia meter mais. Todo o processo da avantesma, o seu “conceito” como agora se diz, está bem explícito na história da devolução dos 35% da sobrecarga do IRS, que agora se verifica ser zero. Porque é que a história da devolução do IRS fantasma está na massa do sangue da avantesma? Porque foi isso que reiteradamente semana sim, semana sim, a coligação fez nestes últimos quatro anos e continua a fazer como quem respira.

É a mentira muito comum na esfera pública e política? É. Há uns especialistas na mentira que estão agora a contas com a justiça e que vinham do lado da geringonça. Mas isso não justifica o uso sistemático da mentira como mecanismo de governação, com a agravante de que uma comunicação social que nunca esteve tão perto do poder, em particular no chamado jornalismo económico, mas não só, dá uma amplificação enorme a estas mentiras. Transformaram-se naquilo que é o mais próximo que já alguma vez conhecemos, do “pensamento único”. E o “único” tem muita força, mas é do domínio dos “objectos disformes”, “demasiado grandes”, das avantesmas. [Público, 21-11-2015,  Pacheco Pereira]

A mentira como estratégia política para manter o poder pelo que o poder oferece. Não deixa de ser irónico que, na sociedade da informação, é a desinformação que dá vitórias eleitorais.

Comments

  1. ZE LOPES says:

    É por estas e por outras que não vou à bola com caras de sentido de estado. Prefiro as de bacalhau.

  2. Nascimento says:

    Por onde andam os escribas liberais que aqui rabiscavam? Devem de estar a fazer contas sobre “aquela” coisinha do IRS?Se calhar acreditaram na Luisinha?Taditos.


  3. Propaganda desmascarada.
    O fisco tem o sistema informático mais poderoso do nosso país.
    Todos os dias, a qualquer momento, o Tesouro sabe como vão as contas dos impostos – quanto cobraram, quanto vão cobrar, quanto reembolsaram e quanto têm a devolver aos contribuintes.
    Só quem desconheça como funciona a máquina das finanças poderá acreditar que a ministra Maria Luís Albuquerque, o secretário Paulo Núncio e o PM não sabiam que estavam a iludir os portugueses.
    Foi apenas mais uma aldrabice para ganhar as eleições.
    E mesmo assim falharam.