“Sitting ducks”

Entristece-me e revolta-me o patético espectáculo, que a televisão diariamente nos oferece, de Paris polvilhada de soldados na sua pose de alvos passivos, peões de uma estratégia absurda de políticos com necessidade de mostrar testosterona e afirmar a sua virilidade.
Na verdade, não é preciso ser especialista para se perceber que quadricular uma cidade desta envergadura e ocupá-la com forças militares cria mais riscos que os que evita, não dissuade terrorista nenhum – antes o avisa – e, sobretudo, é usar desadequadamente tropas que estão longe de ser apropriadas para tarefas de segurança e ordem pública, objectivos muito mais adequados às várias modalidades de policias, elas sim, preparadas para o efeito. Só no caso de uma operação especificamente militar deveriam ser as forças armadas activadas.
Mas é preciso impressionar os ingénuos e criar a ilusão de um empenho dedicado e febril. Felizmente os terroristas por lá residentes, sendo cruéis, não são tão sofisticados e competentes como os apregoam, ou já teriam aproveitado a situação para fazer estragos. Os meios de comunicação, sobretudo as televisões, adoram todo este carnaval e lambuzam-se nele. Os governantes, esses, esperam que os cidadãos se lembrem da seu garboso comportamento nesta crise, movimentando tropas e alardeando estados de guerra e de emergência, emulando com panache o amado Napoleão. É que é sobretudo a eles, eleitores, que a cena se dirige.
(A crise segue dentro de momentos).

Foto: Gonzalo Fuentes

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Não sei se se deveria ou não patrulhar correctamente a cidade. Não sou especialista em “geo-estrtégia citadina”, mas subscrevo na íntegra a sua opinião sobre…
    “é preciso impressionar os ingénuos e criar a ilusão de um empenho dedicado e febril … Os meios de comunicação, sobretudo as televisões, adoram todo este carnaval e lambuzam-se nele. Os governantes, esses, esperam que os cidadãos se lembrem da seu garboso comportamento nesta crise, movimentando tropas e alardeando estados de guerra e de emergência … É que é sobretudo a eles, eleitores, que a cena se dirige” …

  2. Nightwish says:

    Por isso foi criada a expressão “teatro de segurança”, onde não se resolve nada e nem sequer o problema é grave, mas pode dar muitos votos e por isso aparenta-se fazer muita coisa.

  3. Rui Moringa says:

    Sim,
    ilusionismo que rende votos.
    Resolver, de raiz alguns, problemas da sociedade, nem pensar.Isso não rende votos=negócios= dinheiro=euros.
    Se um terror**** (a sério) quisesse punha os “magalas” a “dançar”.
    Os “tipos do horror” são assassinos alienados a quem lavaram o cérebro. Matar pessoas normais (não miltares) é um ato hidiondo.

  4. omaudafita says:

    Deixem -se de tretas… Se lá estão algum motivo sério terão. Um pessoa normal fica nervosa quando abordada pelas autoridades, agora imaginem terroristas que estão a ser procurados.


  5. Muito bem, faz bem em denubciar este folclore que apesar do holandinho ser mesmo parvo, não deve ser inocente; visa alterar alguma coisa que os pulhas inspirados no Camarão e os seus SS ,pretendem implantar na UE, como o tem feito nos Fiveyes.